10 de janeiro de 2005

30 anos

Foi exactamente há 30 anos, no dia 10 de Janeiro que 1975, que iniciei a minha carreira docente.
Tinha 19 anos.
Não sinto nenhuma nostalgia especial. Mas, de facto, já lá vão 30 anos.
Porra!


Assim, até o meu cão

Está explicado. Conter o défice é, afinal, facílimo. Um verdadeiro "Ovo de Colombo".
Li no programa eleitoral do Bloco de Esquerda. Na página 22 diz-se:

RESOLVER A CRISE ORÇAMENTAL
[...]
O Bloco, que sempre se opôs a este Pacto, defende uma alternativa concretizável:
1 - Um novo Pacto para o Emprego e para a Disciplina Orçamental com os seguintes critérios:
(a) o crescimento real anual da despesa corrente não pode ser superior a 2%;
(b) as despesas de investimento na qualificação do trabalho, serviço público de saúde e criação de capacidade produtiva não são incluídas no défice;
2. Se a União não aceitar estes critérios para um novo Pacto, Portugal deve declarar uma situação de emergência
[...]

Caro Dr. Sócrates, está safo. Basta não contabilizar as despesas em Educação, Formação Profissional e Saúde.
A dúvida é: porquê só estas?


9 de janeiro de 2005

Ganhámos!

Sportiiiiing!!!


Desta vez ganhámos o (nosso) campeonato.
Temi quando entrou o Mantorras. Temi que se lhe desconjuntasse o joelho e a rótula fosse atingir algum espectador. Mas, afinal, o rapaz está "em forma".

Listas do PS

O que faz uma filha de Mesquita Machado nas lista socialista de Braga? E a irmã de Manuel Alegre na de Coimbra? E certas figuras das relações próximas de Narciso Miranda nas listas do Porto?

Não sou eu que o pergunto. É o senhor José Manuel Fernandes em artigo de opinião.
Na constituição das listas do PSD houve muitas "broncas" e há lá muitos "broncos". Mas nas do PS...

8 de janeiro de 2005

Boletim informativo

Teve um parto complicado e não tem versão on-line, mas aí está ele: o boletim informativo da Câmara Municipal de Mangualde.
Todo modernaço, ao estilo tablóide, com muita foto e pouco texto, como fazem os jornais e revistas de grande tiragem. É que a malta não gosta de ler. Cansa!
Mas está giro. Mostra um pouco do que está feito e alguma coisa do que se quer fazer.

A dúvida está na periodicidade - bimestral. É capaz de ser difícil...


Zonzo


Este senhor, muito recentemente, dissolveu uma maioria absoluta e agora veio dizer que o país necessita absolutamente de uma Maioria Absoluta.
Quer ele dizer: OUTRA maioria absoluta.
Bem, tem de se aceitar. Sendo, o senhor, socialista, é natural que faça campanha pelo seu partido.

7 de janeiro de 2005

Colocação de professores

Cadê a tal síntese das conclusões do relatório da IGF relativo ao inquérito ao processo de colocação de professores?
Ao que sabemos, os jornalistas têm-no. Foi divulgado em conferência de imprensa pela senhora Ministra.
Contudo, não o vi publicado em lado nenhum.
Escapou-me?
Ou será que não teve o tal "interesse jornalístico"?

Medidas do PS

Do Público:
Além do controlo das finanças públicas, José Sócrates fixa como prioridades, até ao final da próxima legislatura, o crescimento da economia e do emprego.
[...]
Para “inverter a tendência dos últimos três anos”, o PS pretende também apostar no fomento dos postos de trabalho. “O objectivo é recuperar, no espaço de uma legislatura, os postos de trabalho perdidos nos últimos três anos", afirmou o líder socialista, que responsabiliza o Governo PSD/CDS-PP pela perda de 150 mil empregos.
[...]
A redução do preço da energia e comunicações, o combate à burocracia, a estabilização do investimento público e alterações no processo orçamental foram outras das medidas defendidas pelo Conselho Económico e Social. (do PS)

Isto a malta já sabia: o PSD é o culpado pela liberalização do comércio, com a consequente abertura aos produtos dos países asiáticos, nomeadamente a China. Isso já sabíamos.
A questão, não explanada, é:
Em que sectores de actividade é que vamos criar empregos ? Na falida indístria têxtil? Na do calçado? Onde? Em que sector(es) poderemos ser suficientemente competitivos para manter empresas em laboração?
Estará o PS a pensar em "mandar às malvas" a OMC e a UE e em fechar as fronteiras?

E como é que se reduz o preço da energia? Por decreto?

Também já sabemos que não é com incompetência nem com comportamentos erráticos. OK.
Mas, concretamente, como é que se vai fazer isto tudo?

Acho que é fundamental explicar COMO.
Será pedir muito?

Défice público

"O objectivo do PS para estabilizar as finanças públicas é colocar, no prazo de uma legislatura, o défice público nos limites do Pacto de Estabilidade e Crescimento sem recorrer sistematicamente a receitas extraordinárias", afirmou o secretário-geral do PS.

Adorei o "sistematicamente"...

Isto já não é um discurso de oposição.
Já é um discurso de poder.

5 de janeiro de 2005

Cumprimentos?

Ouvi agora que o Governo foi apresentar cumprimentos a Belém.
Ai, Ai.
Será que não sabem a história de Belém?
Aquela do Cristo que lá foi, do Santana que lá foi e do Benfica que também lá foi?
Ai, Ai.

O desaparecido

O cartaz não ficaria mal assim:



Embora o fantasma lá devesse figurar, o slogan mantém-se indiscutível!

Insólito (II)

Comentando o meu post anterior - Insólito - veio o meu amigo Mocho perguntar se eu não acharia igualmente insólito o episódio "Pôncio Monteiro".
Não! Esse, eu acho que foi simplesmente lamentável!
Insólita é a forma como os partidos formam as suas listas de candidatos. Arranja-se uma ou duas "estrelas" para encabeçar, seguem-se os tipos da "entourage" e termina-se com uma cambada de "toscos". Isto sim, isto é insólito.
Eu defendo um modelo de representação parlamentar mais responsabilizante. Os círculos uninominais poderiam ser uma solução a experimentar. Assim, pelo menos, teríamos o "nosso" deputado a quem poderíamos vir a pedir contas. Da forma como está, depois das "estrelas" terem saído para o Governo (se ganharem) ou para lides mais lucrativas (se perderem), quem acaba por ficar na Assembleia são os tais "toscos". Parece-me que na próxima Assembleia, estes serão a maioria.

Insólito

Ouvi na televisão:
Um dirigente partidário aceitou fazer parte da lista de candidatos a deputado, num lugar não ilegível, tendo-se comprometido a não assumir o lugar, quer no caso de vir a ser eleito, quer na situação de "chegar a sua vez" por via das "normais" substituições.

Insólito.

4 de janeiro de 2005

Continuar o que foi bom

Agora já não é apenas o Eng. Sócrates.
Também o ex-ministro Mariano Gago vem dizer que "O PS deve continuar as acções que tenham sido boas nos governos PSD/PP".

Isto é interessante.
Ao que será, exactamente, que eles se referem?
Que mistério.

3 de janeiro de 2005

Governo de salvação

Num modesto contributo para a criação do ambiente propício ao nascimento do novo Governo de Salvação Nacional, alterei a minha música de fundo.
Agora temos um hino e podemos cantar em coro.
Vamos lá então:

Live is life
La la la la la
Let us all talk about life
Live
La la la la la

When we all get the power
We all give the best
Every minute of an hour
Don't think about the rest
And you all get the power
You all get the best
And everyone gives everything
And every song, everybody sings

[Repeat chorus]

And we all feel the power
Live is life
C'mon stand up and dance
Live is life
Grab the feeling of the people
Live is life
It's the feeling of the best

When we all get the power....etc.

And it's life
Live is life
Live is life
Live

Live
Live is life

And when all it is over
You all did your best
Every minute of the future
Is a memory of the best
Cause we all gave the power
We all gave the best
And everyone gave everything
And every song everybody sang.
Live is life.

Cabala, só pode ser!

O PS prevê aumentar o IVA para 20%?
Ná! Não acredito.
Então os senhores fartaram-se de "bater" na D. Manuela dizendo que o aumento dela tinha tido o efeito preverso de contribuir para a estagnação económica. Só pode ser mentira - uma cabala. Todos sabemos que, se o PS chegar ao governo, o que irá fazer, em coerência, será exactamente o contrário - repôr o IVA nos "vehos" 17%. Aumentá-lo, não!

Os tipos do DN devem ser uns "reaças". Ora vejam:
O Partido Socialista estuda uma possível subida da taxa máxima do IVA em um ponto percentual, para 20%, caso ganhe as próximas eleições legislativas, conseguindo um duplo efeito aumentar a arrecadação fiscal e convencer Bruxelas de um novo ciclo restritivo para a política orçamental. Em contrapartida, fonte socialista garantiu ao DN a possibilidade de introdução de estímulos à poupança, reintroduzindo os benefícios fiscais nos Planos de Poupança Reforma.
A solução IVA possui, para os socialistas, várias vantagens. A primeira é que não seria necessária repor as taxas de IRS nos patamares de 2004. José Sócrates foi crítico na baixa do imposto sobre o rendimento, introduzido pelo ainda ministro das Finanças, Bagão Félix, no orçamento para 2005. O líder socialista sabe que os custos políticos de um agravamento do IRS são «socialmente mais elevados» do que alterar as taxas do IVA. A segunda vantagem estaria na facilidade da cobrança do imposto.
Não é a primeira vez que o IVA seria o suporte para fazer crescer a receita fiscal. Manuela Ferreira Leite, ex-ministra das Finanças, subiu o imposto em dois pontos percentuais em 2002. Calcula-se que por cada ponto percentual de aumento a receita fiscal cresça 250 milhões de euros. Uma outra vantagem no aumento do IVA é «fazer a vontade» a Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, que tem repetidamente reafirmado a necessidade de se aumentar os impostos para consolidar as finanças públicas.



Salvação Nacional

Já tivémos uma Junta de Salvação Nacional. Os mais velhos estarão lembrados. Foi naquela altura em que este país experimentou 15 dias de esperança. Coisa rápida que se esfumou num instante com a destruição do nosso sistema produtivo.
Agora o Dr. Soares vem apelar à constituição de um GOVERNO DE SALVAÇÃO NACIONAL.
Grande ideia. Era mesmo disso que estávamos precisados.
Como é que ninguém se tinha lembrado disto?
Vamos a isso!
Força aí, rapaziada!

Pontes e feriados em 2005

Uma jornalista da RTP dizia há pouco que o ano de 2005 vai ser bom por ter muitos feriados.
O simples facto deste assunto merecer tratamento jornalístico é, só por si, suficientemente elucidativo da cambada de “coirões” que nós somos. Mas, adiante. Não é isso que, agora, me interessa.
A senhora fez as contas às férias, feriados, pontes e fins-de-semana, tendo concluído que em 2005 haveria 146 dias de “não trabalho”. Ora vamos lá desmontar isto:
Sábados e Domingos, dias em que a maioria da malta não trabalha, são 104. Dias úteis de férias serão, vá lá, 25. Chegamos, assim, a 129 dias. Dias “normais”. Dias que não variam de um ano para o outro. Mesmo assim, a dar crédito à senhora jornalista, ainda faltam 17 dias! Oh linda! Que categoria. DEZASSETE dias de “papo ao ar”. Com as pontes com que já se conta, serão mais de três semanas de “farrote”! Num país com problemas de produtividade e de competitividade, não está nada mal, não senhor.
Força aí, rapaziada.

2 de janeiro de 2005

Colocação e responsabilização de professores

Os alunos do 12º ano de Matemática da EBI de Pampilhosa da Serra, um concelho ”entalado entre as serras do Açor, Lousã e Gardunha” foram os que pior média de escola obtiveram nos exames do Ensino Secundário, tendo sido seguidos, de perto, pelos seus colegas da Secundária Marquês de Pombal, em Lisboa.
Num país onde as médias a algumas das principais disciplinas já não são famosas, o facto é que os resultados da Pampilhosa da Serra impressionam ainda mais. No passado ano lectivo, os 18 estudantes que prestaram provas a Matemática obtiveram uma média de 2,2 valores, numa escala de 0 a 20. Na Marquês de Pombal, aquela média foi de 4,9 valores (apenas 2 alunos foram a exame!).

Aqui há alguns anos, facilmente ouviríamos explicações fundamentadas na falta de condições das escolas, na degradação dos edifícios, na falta de materiais pedagógicos, enfim, no “betão”, no “hardware”.
Hoje, esse discurso está gasto. A jornalista do Público, que visitou a escola da Pampilhosa da Serra, refere o “[…] impecável aspecto dos seus vários edifícios amarelos, bem equipados, espaçosos, o pavilhão gimnodesportivo, o campo de jogos ou o centro de recursos e todas as infra-estruturas que uma escola ambiciona ter […]”.
Por seu turno, a Vise-Presidente da Marquês de Pombal diz "Acho que deve haver poucas escolas tão bem apetrechadas e com tão boas instalações como as nossa”.

Então, como se vê, já começamos a reconhecer que temos boas instalações e condições escolares. Assim, o discurso desculpabilizador dos responsáveis escolares está a mudar. O problema passa a ser recentrado nos alunos. Na Pampilhosa da Serra, diz o Presidente do CE, “há crianças que acordam todos os dias às seis da manhã para efectuar um percurso de 30, 40 quilómetros, entre curvas e contra-curvas, cobertas de gelo e nevoeiro nos dias mais frios do Inverno, para regressar nove horas e alguns enjoos depois, na camioneta do final do dia. […] A massa de alunos que temos cá dentro é que, se calhar, é um bocadinho diferente da que está na escola ao lado". Em Lisboa é semelhante: “A escola peca por ter alunos de camadas sócio-económicas muito baixas".

Ora vamos lá ter calma!
Não vou afirmar que os resultados escolares são independentes do estatuto sócio-económico dos alunos. Não são! Todavia, não explicam resultados desastrosos como os presentes. As melhores condições de trabalho em casa, o acesso a fontes diversificadas de informação, a multiplicidade dos recursos bibliográficos, o pagamento de “explicações”, etc. podem justificar que as escolas com alunos oriundos de estratos favorecidos obtenham médias mais elevadas que as outras. Podem, portanto, justificar médias mais elevadas. No entanto, a ausência daquelas condições nunca poderá justificar a absoluta ignorância expressa através de uma média de 2,2 valores. Para desastres como este é preciso encontrar outras causas, identificá-las e combatê-las.
Ora, nesta linha, e ainda no mesmo Público, o Presidente da Câmara da Pampilhosa da Serra avança com uma ideia curiosa. Diz ele: "No ano passado, fui saber quantas faltas [de professores] tinham sido registadas: quatro mil. Se eu sei que o corpo docente é constituído por cerca de 50 elementos, temos uma média de 80 faltas por professor. Mas se eu também sei que houve quem não desse uma única falta, imagine quantas deram alguns...". E continua afirmando que este é um dos factores que mais contribuem para a "falta de qualidade do ensino", ao mesmo tempo que defende novas regras de colocação e avaliação dos docentes: "O problema só se resolve quando se puderem fixar os professores nas escolas no mínimo por três anos. Os alunos tinham continuidade pedagógica e os docentes podiam ser responsabilizados".

Toma lá e embrulha!

Tempo de antena (2)

"Com as eleições à porta, peço aos portugueses que se informem, que avaliem o realismo das promessas e a justeza das propostas, que ajuízem da credibilidade e da competência dos protagonistas políticos, que escolham de acordo com o que consideram melhor para Portugal"

Era mais simpático ter dito:
Vocês já sabem que considero que um deles não tem credibilidade nem competência. Por isso, se querem fazer a fineza, votem no outro, "tá" bem, pá?