13 de janeiro de 2005

José Sócrates recusa descer impostos e repor benefícios fiscais

O pessoal avermelhado deve andar a ficar muito nervoso, e tem razão para isso. Senão, vejamos.
O futuro governo do PS:
  • Recusa elevar as pensões até ao salário mínimo;
  • Recusa descer os impostos;
  • Recusa repor os benefícios fiscais;
  • Recusa acabar com os exames;
  • Recusa (re)nacionalizar os hospitais SA;
  • Recusa revogar o Código do Trabalho;
  • ...
Para além disto, é certo que vamos continuar na União Europeia (com o PEC) e que vamos manter a nossa política de defesa (submarinos, helicópetros e coisas assim).

Ele bem disse que não ia mexer naquilo que tivesse sido bem feito. Pois foi.
Mas, pelo que estamos a observar, temos que nos começar a interrogar. O que é que terá sido mal feito? Tendo em conta o discurso do Eng. Sócrates, NADA foi mal feito.
Ah! Lembrei-me agora de uma coisa. As SCUT's!
Bem, por enquanto... quando lhe mostrarem as contas...


Excelente posição no ranking

Ora aí está um ranking em que não ficamos nada mal classificados: o dos orçamentos dos Chefes de Estado!
O orçamento do Senhor Presidente Jorge Sampaio fica, é verdade, muito longe do do Rei de Marrocos - um país poderoso e desenvolvido - representa cerca de dois terços do da Rainha do decrépito Reino Unido, mas, em compensação, é o dobro do dos Reis de Espanha, Holanda e Dinamarca. Nada mal.
Assim percebe-se o farrote da viagem à China para recordar o passado.
A propósito, estes 3 milhões de contos entram nas contas do défice?


12 de janeiro de 2005

Limiar de pobreza

Esta notícia está bem "trabalhada". Titula que José Sócrates promete dar prioridade a idosos mais pobres se formar Governo, para depois "citar" o engenheiro na sua tirada sobre as preocupações sociais do futuro governo. Todavia, pese embora o esforço do jornalista, não consegue escamotear totalmente o que se passou.
Na realidade, o que o senhor disse, e eu ouvi muito bem, foi que a subida das pensões mais baixas para o valor do salário mínimo nacional (objectivo do PSD) significaria a falência da Segurança Social. Por isso, o seu objectivo era o de, num período de quatro anos, elevar a pensão mínima até ao limiar da pobreza!!!
Foi uma demonstração de coragem ou um deslize infantil?
Cada vez gosto mais deste senhor, mas, como já referi, por cada dia que passa o homem perde votos.
O mais curioso é que os jornalistas já o começaram a atezanar. Nos jornais ainda não dei conta, mas na rádio e na televisão isso foi evidente.
Duas conclusões óbvias:
  1. Começa a não ser vendável bater no governo;
  2. O PS, de facto, já é poder e o que vende é zurzir o poder.

Recordar o passado na China

Muita gente se indignou pelos custos da viagem do Ministro Morais Sarmento a S. Tomé e Príncipe para aí assinar um acordo de cooperação. Falou-se, nomeadamente, nos custos do aluguer do avião, um Falcon.


Afinal, quanto é que custou a "brincadeira"?

E, por falar em aviões, quanto é que vai custar o avião utilizado pelo Presidente Sampaio na sua viagem ao Oriente?


Como será evidente, não estou a pretender estabelecer qualquer comparação. De facto, as duas viagens não têm comparação. "Esta visita será aproveitada pelos dois lados para recordar e avaliar as relações entre os dois países no passado", referiu Kong Quang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. (Cfr. Público on-line de 6/1/2005, 10H00, sublinhado nosso)
É curioso! Recordar e avaliar o passado!
Então, "Jorge Sampaio chega a Pequim na próxima terça-feira [hoje], acompanhado por uma delegação de mais de 200 pessoas, mais de metade das quais homens de negócios, na maior missão empresarial de sempre de Portugal na China" (idem), para recordar o passado? Uma coisa assim... Estes chineses são muito engraçados...
Bom, os cento e tal empresários que acompanham o Presidente não vão, com certeza, recordar o passado. Naturalmente, vão preparar o futuro. A questão é (ai, esta minha mania de perguntador): vão tentar exportar produtos portugueses, de qualidade, para os 10 milhões de chineses muito ricos, ou vão tentar importar produtos baratos para os 10 milhões de portugueses pobres? (e acabar de "derreter" a economia nacional)

11 de janeiro de 2005

PS recusa proposta de debate

entre José Sócrates e Santana Lopes.
O PS recusou hoje o desafio lançado pelo PSD para um debate entre os líderes socialista, José Sócrates, e social-democrata, Pedro Santana Lopes, dedicado exclusivamente à economia do país.

Desta forma, o Eng. Sócrates evita ser confrontado com a necessidade de explicar uma série de coisas:
  • Como vai criar 150.000 novos empregos?
  • Será "por decreto"? Aumentará o número de funcionários públicos? Mas isso não comprometerá o saneamento das contas?
  • Então será no sector privado? Dará subsídios aos industriais? Diminuir-lhes-á o IRC? E quais os sectores industriais em que poderemos ser competitivos? A nossa indústria têxtil irá sobreviver? Mesmo com a "invasão" dos produtos da China, que paga 30€ por mês a cada trabalhador e não lhes dá qualquer regalia social?
  • Aumentará o IVA?
  • Aumentará o IRS?

Assim, sem debate, o Sr. Eng. Sócrates poderá continuar a dizer que recuperará os "postos de trabalho perdidos", apostanto no "aumento da qualificação" e no "choque tecnológico".
Ó Sr. Eng., olhe que o aumento da qualificação não dimiui o desemprego. O que diminui o desemprego é a criação de empresas. E, como é bom de ver, o governo não cria empresas (a não ser naqueles sistemas de economia planificada e dos planos quinquenais de triste memória - que faliram na década de 80). O que a qualificação faz é melhorar a produtividade. Mas olhe:
Se um trabalhador é mais produtivo ... as empresas são mais competitivas ... mas são precisos menos trabalhadores...
Topa?

10 de janeiro de 2005

Deputada do PS critica sindicatos

No Público de Domingo, 9/1/2005, Pag. 13 (edição em papel)

Ana Benavente, deputada do PS que os socialistas excluíram das listas candidatas às próximas legislativas, lamentou ontem que "nenhum partido tenha como opção investir na escola pública". Para a antiga secretária de Estado, a educação é um assunto em relação ao qual existem "muitos preconceitos, transversais". Um deles é que "a escola actual é facilitista". Mas, segundo acrescentou, isso "não é verdade, apenas existem expectativas brutais em relação às escolas", porque "quando sectores como a família ou a própria colectividade deixam de responder às necessidades, tudo é canalizado para a escola".
Ana Benavente criticou ainda os sindicatos dos professores, aos quais endossou "imensa responsabilidade" na "centralização" das listas dos professores, que, na sua opinião, deu origem ao problema da colocação dos professores, no início do ano lectivo.


Pois é, minha senhora.
A senhora professora não sabia, mas agora ficou a saber, que quem critica (e bem) os sindicatos de professores, responsabilizando-os pela exigência de um concurso único pautado por regras absurdas e injustas, não tem lugar nas listas de candidatos do PS.


Palermas!

Andam por aí uns palermas a zurzir o Ministro Morais Sarmento por este ter aproveitado um dia sem agenda oficial para fazer uma coisa que, ao que parece, gosta: mergulho.
Que tristeza! Que pobreza! Que mesquinhez!
Mais, ainda, que falta de memória.
Ora, se fazem o favor, vão aqui e procuram "tartaruga". Encontrarão esta pérola:

O Presidente foi visto, fotografado e filmado em calções de banho durante uma viagem oficial às Seychelles (visita que talvez só Soares se lembrasse de fazer), encavalitado numa tartaruga. Deu uma entrevista à RTP mergulhado no oceano azul-turquesa, só a cabeça à tona de água, mudando assim a iconografia das instituições da nação... Surgiu na Índia em cima de um elefante e de turbante, usou dezenas de chapéus e adereços exóticos, dormiu sonecas indiscretas em funções de Estado.

E, se não ficaram elucidados, poderão consultar o site oficial do Grupo Parlamentar do Partido Socialista e procurar, mais uma vez, "tartaruga". Aí lerão:

Das milhentas viagens que o meu pai fez enquanto Presidente da República - parece que há recordes batidos nessa matéria, quer pelo Durão Barroso quer por Jorge Sampaio... - praticamente não há um português que não tenha acompanhado Mário Soares, já nem digo às Seychelles para andar na tartaruga...

Já está?
Entam vejam como estes tipos têm o desplante de criticar, hoje, o que aplaudiram ontem.
Ao que chegámos!


30 anos

Foi exactamente há 30 anos, no dia 10 de Janeiro que 1975, que iniciei a minha carreira docente.
Tinha 19 anos.
Não sinto nenhuma nostalgia especial. Mas, de facto, já lá vão 30 anos.
Porra!


Assim, até o meu cão

Está explicado. Conter o défice é, afinal, facílimo. Um verdadeiro "Ovo de Colombo".
Li no programa eleitoral do Bloco de Esquerda. Na página 22 diz-se:

RESOLVER A CRISE ORÇAMENTAL
[...]
O Bloco, que sempre se opôs a este Pacto, defende uma alternativa concretizável:
1 - Um novo Pacto para o Emprego e para a Disciplina Orçamental com os seguintes critérios:
(a) o crescimento real anual da despesa corrente não pode ser superior a 2%;
(b) as despesas de investimento na qualificação do trabalho, serviço público de saúde e criação de capacidade produtiva não são incluídas no défice;
2. Se a União não aceitar estes critérios para um novo Pacto, Portugal deve declarar uma situação de emergência
[...]

Caro Dr. Sócrates, está safo. Basta não contabilizar as despesas em Educação, Formação Profissional e Saúde.
A dúvida é: porquê só estas?


9 de janeiro de 2005

Ganhámos!

Sportiiiiing!!!


Desta vez ganhámos o (nosso) campeonato.
Temi quando entrou o Mantorras. Temi que se lhe desconjuntasse o joelho e a rótula fosse atingir algum espectador. Mas, afinal, o rapaz está "em forma".

Listas do PS

O que faz uma filha de Mesquita Machado nas lista socialista de Braga? E a irmã de Manuel Alegre na de Coimbra? E certas figuras das relações próximas de Narciso Miranda nas listas do Porto?

Não sou eu que o pergunto. É o senhor José Manuel Fernandes em artigo de opinião.
Na constituição das listas do PSD houve muitas "broncas" e há lá muitos "broncos". Mas nas do PS...

8 de janeiro de 2005

Boletim informativo

Teve um parto complicado e não tem versão on-line, mas aí está ele: o boletim informativo da Câmara Municipal de Mangualde.
Todo modernaço, ao estilo tablóide, com muita foto e pouco texto, como fazem os jornais e revistas de grande tiragem. É que a malta não gosta de ler. Cansa!
Mas está giro. Mostra um pouco do que está feito e alguma coisa do que se quer fazer.

A dúvida está na periodicidade - bimestral. É capaz de ser difícil...


Zonzo


Este senhor, muito recentemente, dissolveu uma maioria absoluta e agora veio dizer que o país necessita absolutamente de uma Maioria Absoluta.
Quer ele dizer: OUTRA maioria absoluta.
Bem, tem de se aceitar. Sendo, o senhor, socialista, é natural que faça campanha pelo seu partido.

7 de janeiro de 2005

Colocação de professores

Cadê a tal síntese das conclusões do relatório da IGF relativo ao inquérito ao processo de colocação de professores?
Ao que sabemos, os jornalistas têm-no. Foi divulgado em conferência de imprensa pela senhora Ministra.
Contudo, não o vi publicado em lado nenhum.
Escapou-me?
Ou será que não teve o tal "interesse jornalístico"?

Medidas do PS

Do Público:
Além do controlo das finanças públicas, José Sócrates fixa como prioridades, até ao final da próxima legislatura, o crescimento da economia e do emprego.
[...]
Para “inverter a tendência dos últimos três anos”, o PS pretende também apostar no fomento dos postos de trabalho. “O objectivo é recuperar, no espaço de uma legislatura, os postos de trabalho perdidos nos últimos três anos", afirmou o líder socialista, que responsabiliza o Governo PSD/CDS-PP pela perda de 150 mil empregos.
[...]
A redução do preço da energia e comunicações, o combate à burocracia, a estabilização do investimento público e alterações no processo orçamental foram outras das medidas defendidas pelo Conselho Económico e Social. (do PS)

Isto a malta já sabia: o PSD é o culpado pela liberalização do comércio, com a consequente abertura aos produtos dos países asiáticos, nomeadamente a China. Isso já sabíamos.
A questão, não explanada, é:
Em que sectores de actividade é que vamos criar empregos ? Na falida indístria têxtil? Na do calçado? Onde? Em que sector(es) poderemos ser suficientemente competitivos para manter empresas em laboração?
Estará o PS a pensar em "mandar às malvas" a OMC e a UE e em fechar as fronteiras?

E como é que se reduz o preço da energia? Por decreto?

Também já sabemos que não é com incompetência nem com comportamentos erráticos. OK.
Mas, concretamente, como é que se vai fazer isto tudo?

Acho que é fundamental explicar COMO.
Será pedir muito?

Défice público

"O objectivo do PS para estabilizar as finanças públicas é colocar, no prazo de uma legislatura, o défice público nos limites do Pacto de Estabilidade e Crescimento sem recorrer sistematicamente a receitas extraordinárias", afirmou o secretário-geral do PS.

Adorei o "sistematicamente"...

Isto já não é um discurso de oposição.
Já é um discurso de poder.

5 de janeiro de 2005

Cumprimentos?

Ouvi agora que o Governo foi apresentar cumprimentos a Belém.
Ai, Ai.
Será que não sabem a história de Belém?
Aquela do Cristo que lá foi, do Santana que lá foi e do Benfica que também lá foi?
Ai, Ai.

O desaparecido

O cartaz não ficaria mal assim:



Embora o fantasma lá devesse figurar, o slogan mantém-se indiscutível!

Insólito (II)

Comentando o meu post anterior - Insólito - veio o meu amigo Mocho perguntar se eu não acharia igualmente insólito o episódio "Pôncio Monteiro".
Não! Esse, eu acho que foi simplesmente lamentável!
Insólita é a forma como os partidos formam as suas listas de candidatos. Arranja-se uma ou duas "estrelas" para encabeçar, seguem-se os tipos da "entourage" e termina-se com uma cambada de "toscos". Isto sim, isto é insólito.
Eu defendo um modelo de representação parlamentar mais responsabilizante. Os círculos uninominais poderiam ser uma solução a experimentar. Assim, pelo menos, teríamos o "nosso" deputado a quem poderíamos vir a pedir contas. Da forma como está, depois das "estrelas" terem saído para o Governo (se ganharem) ou para lides mais lucrativas (se perderem), quem acaba por ficar na Assembleia são os tais "toscos". Parece-me que na próxima Assembleia, estes serão a maioria.

Insólito

Ouvi na televisão:
Um dirigente partidário aceitou fazer parte da lista de candidatos a deputado, num lugar não ilegível, tendo-se comprometido a não assumir o lugar, quer no caso de vir a ser eleito, quer na situação de "chegar a sua vez" por via das "normais" substituições.

Insólito.