8 de fevereiro de 2005

Pela boca morre o peixe

É o que se diz na minha terra.


O Eng. Sócrates criticou o Primeiro Ministro por ter realizado um acto de governo (na base de Monte Real) durante a campanha eleitoral. Pois foi. Só que se esqueceu que já fez exactamente o mesmo. Em 25/11/2001, um pouco antes da data das eleições, inaugurou, como ministro do Ambiente, uma ETAR em Miranda do Corvo, tendo então dito que "os calendários eleitorais não devem prejudicar o trabalho de quem governa".
Ai, como vai esta (in)coerência.
Quem tem telhados de vidro, não atira pedras - também se diz por cá.

Mandatário Nacional do PS

Descobri agora quando estava a ver as "últimas" da campanha. É o Prof. Gomes Canotilho. Este nome lembra-me alguma coisa. Tenho a ideia que este senhor já foi comunista e que, quando estudante, no célebre 17 de Abril, em Coimbra, foi dos que estenderam a capa ao Almirante Américo Tomás. Foi uma coisa assim... Já foi há tanto tempo que talvez eu esteja a fazer confusão...
Alto. Espera aí. Se calhar não foi este. Se calhar foi o Vital...

7 de fevereiro de 2005

Igreja, Aborto e Partido Socialista

Sócrates contra posições do pároco da Igreja de São João de Brito.

José Sócrates considerou hoje "infeliz" o apelo do pároco da Igreja de São João de Brito de Lisboa, o padre Loreno, para que os portugueses não votem em partidos defensores do aborto, eutanásia e direitos dos homossexuais. Falando aos jornalistas em Fátima, após uma reunião com empresários da região, o secretário-geral do PS repudiou as posições do pároco da Igreja de São João de Brito."Foram declarações muito infelizes, mas que o PS não valoriza, porque essas declarações não representam a posição da Igreja Católica", respondeu o líder socialista.

Fiquei surpreendido por estas afirmações desassombradas do Eng. Pensei eu: "Será que a Igreja Católica mudou de posição e nem eu nem o padre de S. João de Brito o sabemos?
Fui investigar. Fiz uma rápida pesquisa e encontrei isto, e isto, e mais isto, e ainda isto, e isto, e ainda isto.
E concluí que não sou eu nem o tal padre que andamos distraídos. O Eng. Sócrates é que ficou obnubilado. A euforia, por vezes, tem manifestações paroxísticas!

De qualquer forma, em vez de estar eu aqui a "fazer o frete" à Igreja Católica, melhor seria que o senhor Cardeal dissesse alguma coisa ao pessoal.

Igreja Católica em campanha

Padre exorta fiéis a rejeitaram programas que defendam aborto.

Comunistas e bloquistas vituperam um padre católico por ter exortado “os fiéis que hoje assistiram à sua homilia a rejeitarem nas urnas os programas eleitorais que proponham a legalização do aborto ou a eutanásia”. Jerónimo de Sousa considerou "inaceitáveis" as palavras do padre, sublinhando que “a Igreja não deve fazer campanha”. Francisco Louça disse que já encontrou na sua campanha padres mais tolerantes.
Ora aqui está uma questão interessante. Vejamos:
O voto é um direito e um dever dos cidadãos. Na sociedade existem organizações religiosas (entre as quais estão as Igrejas) e organizações laicas (entre as quais estão os partidos políticos).
Pode pensar-se que apenas as organizações partidárias fazem “campanha”? Certamente que não. Toda e qualquer organização social faz a sua campanha. Os partidos propagandeiam as suas propostas, as associações alardeiam os seus interesses e as Igrejas difundem os seus valores.
Ora, há cidadãos que são simultaneamente crentes de uma ou outra Igreja. Os crentes não votam enquanto tal. Votam porque são cidadãos. Mas será possível, para cada um, fazer uma clara distinção entre uma condição e a outra? Não só me parede impossível como, a sê-lo, poderia acarretar graves contradições.
A Igreja Católica defende determinados valores que os crentes devem seguir. Um desses valores é o da vida, assim considerada desde o momento da concepção.
Será possível a um católico defender o aborto?
Não me parece mesmo nada!

Já agora, importa dizer que, pela minha parte, defendo que o aborto seja descriminalizado, mas recuso a ideia de que passe a ser acto médico praticado em unidades do Sistema Nacional de Saúde. De resto, parece-me que é esta última parte que move os bloquistas. Tanto quanto me lembro, não tem havido ninguém condenado pelo crime de aborto (pese embora a humilhação sofrida nos julgamentos).

6 de fevereiro de 2005

O combate ao desemprego

Um pouco por todo o lado – jornais, blogs, discursos políticos – vamos ouvindo a recriminação do Governo por não ter evitado a falência ou a deslocalização de empresas, aumentando, assim, o desemprego.
Não sou, longe disso, um especialista em economia, e muito menos em macro-economia. Todavia, parece-me que se limitam a afirmar o óbvio: se o desemprego não tivesse aumentado, haveria mais dinheiro a circular, logo mais consumo, logo melhores condições para as empresas, logo mais impostos arrecadados e menos despesa social em subsídios de desemprego.
Ora, como disse, isto é óbvio mas não acrescenta nada. Não aponta alternativas. Não avança com propostas de acção.
Como não as sei, pergunto:

  1. Como é que um Governo pode evitar que as empresas encerrem por falência?
  2. Como é que um Governo pode evitar que as empresas deslocalizem as suas unidades de produção?
  3. Como é que um Governo cria empregos sem ser na sua área de competência – a administração pública?

Nada de retórica.
Medidas concretas e objectivas, por favor.


5 de fevereiro de 2005

A pergunta essencial

Dizer que isto faz parte de uma "campanha negra", de uma "campanha pela negativa", é pura imbecilidade. Esta é, realmente, a questão essencial.
Efectivamente, três anos depois de terem "fugido" deixando-nos no "pântano", e depois de tudo terem feito para tornarem mais difícil a recuperação, a pergunta fundamental é


A História confirma

Está no Expresso (edição impressa de hoje)

CAVACO foi o menos gastador.

CAVACO Silva e os seus minis­tros das Finanças (Braga de Macedo em 1992, Miguel Cadilhe de 86 a 89, Eduardo Catroga em 95 e Miguel Beleza em 90) ocu­pam sete dos dez primeiros luga­res do «ranking» da consolidação orçamental, segundo um estudo de um ex-secretário de Estado de Durão Barroso que analisa as contas públicas desde 1986 até 2004, concluindo que os Gover­nos PS são os mais despesistas.
O melhor ano de António Guterres foi 96 (com Sousa Franco a chegar ao 6.° lugar) e o melhor ano da coligação PSD/CDS foi 2003 (com Manuela Ferreira Leite a conseguir um sétimo lugar apesar da reces­são económica, da queda das re­ceitas fiscais e do disparo do sub­sídio de desemprego).
Um segundo «ranking» orde­na os últimos 19 anos por con­tenção da despesa corrente. E aqui a vitória do PSD é esmaga­dora, porque os dez melhores anos são de Cavaco Silva e Du­rão Barroso. O melhor resultado do PS é um 11.° lugar, ou se­ja, mesmo descontando a infla­ção, nunca a despesa cresceu abaixo dos 3,5% ao ano num Governo socialista.


Preparem-se para mais no mesmo!

4 de fevereiro de 2005

Robotizado

Segui o debate na 2.
Durante o intervalo, um dos convidados, o senhor Luís Osório disse uma coisa fantástica: que o Eng. Sócrates parecia um robot. Eu não gosto nada das ideias dele (do L.O.) mas tenho que confessar que conseguiu explicar aquilo eu "sentia" quando via o Eng. É isso mesmo: automatizado!

3 de fevereiro de 2005

Portugal perde

Encontrei, por acaso, este cartaz do PS que foi afixado, como se vê, no início do governo do PSD, portanto, ainda com Durão Barroso. A luta da esquerda contra as políticas reformistas começou no dia em que perderam as eleições. Não é de agora.

2 de fevereiro de 2005

Veículos da 3.ª via

Quem será o líder político que tem um carrinho como este?

Uma dica: também tem um como este.

Quem? O PSL? Ná! Parece que esse não tem nenhum.

Vanessa da Mata

Compõe e canta como aqui se pode ouvir e veio lá de "atrás do sol posto".

Como ela diz, esta boneca tem manual!

1 de fevereiro de 2005

Colos - cada um escolhe o que gosta

Este é um colo que me agrada


Este é um "outro colo"


Brevemente vamos aqui colocar uma sondagem, com identificação do género, para verificarmos se existem diferenças estatísticamente significativas nos dois grupos.

31 de janeiro de 2005

Andámos a ser enganados.

O DR. Rui Rio é, afinal, um "dragão" dos quatro costados.
Foi ele que aprovou o Plano de Pormenor da Antas. O tal plano que não autorizava que os proprietários dos terrenos os urbanizassem, mas que, depois de expropriados pela Câmara e trocados por outros do Futebol Clube do Porto, já puderam ser urbanizados.
É verdade. Está no Público e quem o diz é o Eng. Nuno Cardoso. Quem o aprovou já não fui eu e a declaração de utilidade pública só tem um responsável, que é Rui Rio", afirmou Nuno Cardoso."Não sou responsável pelo PPA na sua versão final nem tive conhecimento das reclamações que terá havido durante a discussão pública do plano", afirmou, salientando que esta decorreu já fora do seu mandato e a versão final do documento "é só da responsabilidade de Rui Rio", o actual presidente da câmara.
Assim, quem favoreceu (?) o FCP foi Rui Rio. E esta hem?

Uma razão para votar PSD

Foi o que pediu o Eng. Sócrates. Uma só.
Pois bem, há imensas razões, mas uma delas tem um particular relevo:

Evitar voltar a passar pelo drama em que nos meteram os governos socialistas liderados pelo Eng. Guterres (nos quais o Eng. Sócrates assumiu consideráveis responsabilidades), caracterizados pelo "diálogo", pelo "consenso", pelo "as pessoas estão primeiro", pelo facilitismo, pelo despesismo e pela inacção.

Chega?

30 de janeiro de 2005

Eleições no Iraque

Apesar das ameaças de morte que foram lançadas sobre todos os que fossem votar, Farid Ayar (da comissão eleitoral) revelou que as informações transmitidas pelas diversas províncias fazem antever que oito dos 13 milhões de eleitores registados tenham votado, o que colocaria a taxa de participação nos 60 por cento.
60% é mais do que se verificou em algmas eleições em Portugal.
A conclusão é óbvia: pesem embora as ameaças de toda a ordem lançadas pelos terroristas sobre o povo Iraquiano, este respondeu em números muito generosos.
Afinal, a democracia "à Ocidente" também é desejada no médio Oriente (e em todo o mundo).
Uma valente lição para a esquerda internacional.
Aprendam!

Professor Louçã, o Moralista

Com a devida vénia ao Abrupto, vou aqui reproduzir um comentário, particularmente lúcido e oportuno, ao reaccionarismo e à intolerância do professor.

Louçã considerou (porque considerou mesmo - o argumento do "contexto", invocado pelos seus colegas de partido é uma falácia - honre-se Luís Januário, de Coimbra) que PP não poderia ter falado de "aborto" por não ter "gerado vida" e "não saber o que é o sorriso de uma criança". Ainda que dissesse (entre muitas aspas) que "não podia falar de aborto porque nunca tinha feito um", entender-se-ia, na lógica de um debate televisivo e com o argumento, tão estafado como errado, de que só as mulheres devem falar de um assunto que hipoteticamente só lhes diz respeito.Mas ao dizer o que disse (e já é crescidinho para saber o que diz...) fez profissão de fé de que não falará de mulheres (creio que é do sexo e do género masculino), de homossexuais (não consta que seja), de minorias étnicas (é caucasiano), de estrangeiros (é português), de futebol (em que equipa é que ele alinhou?), da Igreja (diz-se ateu ou agnóstico), do Papa (não o é... ainda). Nem sequer de PP (ele não é ele...). Enfim. Louçã só poderá falar de uma coisa: da vida de Louçã e das experiências de Louçã. Nesse aspecto, diga-se, é coerente: na prática, só fala dele próprio e faz outro tanto de auto-propaganda. O único busílis é que nós não estamos minimamente interessados na vida do Professor Louçã. E como a democracia se constrói à custa da argumentação, do debate e da troca de ideias, Louçã é muito desinteressante para a democracia... até porque acabou por promover PP, o que já de si é um péssimo serviço à causa...Há arrogâncias que não se devem ter... seja qual for o "contexto"!

Por esta e por outras, acho especialmente adequado o aviso abaixo, que está no Acanto.

29 de janeiro de 2005

Sondagens

Ora aí está mais uma. Foi publicada no Expresso de hoje.

Curiosas variações! Há três dias:
  • o PP não ia além dos 3%:
  • o BE tinha 8,1%, ascendendo à condição de terceira força partidária.
Ou o "povo" anda zonzo, ou as empresas de sondagens não acertam uma.
E querem os sociólogos convencer-me que isto tem uma base científica.

Pré-escolar obrigatório

O secretário-geral da FNE - Federação Nacional dos Sindicatos da Educação, João Dias da Silva, revelou hoje que vai propor aos partidos políticos a gratuitidade do ensino pré-escolar a partir dos três anos de idade e a obrigatoriedade aos cinco.

Valente ideia!

Sabeis quais são os países europeus onde o ensino pré-escolar é obrigatório?
Sabeis quais são os países europeus onde o ensino pré-escolar é considerado parte integrante do Sistema Educativo?

28 de janeiro de 2005

Escola e Qualificação

Portugal mantém a mais baixa taxa de produtividade do trabalho de toda a União Europeia (UE) e a mais alta de abandono escolar, um dos piores níveis de qualificação profissional e um dos mais elevados riscos de pobreza e de exclusão social.

Muito bem. É verdade.
E o que é que pretendem fazer para inverter este estado de coisas?
Aumentar a escolaridade obrigatória para 18 anos. Bem sei.
Só que há nisto um problema que importa solucionar. É que aumentar a escolaridade não conduz, só por si, ao aumento da qualificação profissional. Conduzirá, quando muito, ao aumento da literacia, se bem que isto não seja líquido.
Para atingir tal desiderato é preciso coragem para romper com os tabus igualitaristas que têm minado a nossa sociedade desde há 30 anos. É preciso, sim senhor, tornar obrigatória a frequência do Ensino Secundário, mas é fundamental que este ofereça dois (pelo menos)percursos completamente distintos. Um, vocacionado para o ingresso no ensino suoerior, logo não profissionalmente qualificante. Outro, que se esqueça do superior e aposte na formação profissional. Dois percursos distintos, autónomos e não permeáveis. O tronco comum, visando a aquisição de competências estruturantes de uma cidadania responsável, apenas deve existir, e bem, no ensino básico, isto é, até ao 9º ano. É aquilo se chama escolaridade básica. A partir daqui os percursos devem ser independentes. Ora isto não acontece hoje.

Vejamos: a um jovem que termina o 9º ano, que percursos escolares são propostos?
  • Na esmagadora maioria das escolas, cursos académicos (científico-humanísticos) visando o ingresso no superior;
  • Em algumas escolas, cursos tecnológicos, marcados por uma confrangedora ambiguidade quanto às suas finalidades;
  • Numa minoria de escolas, os poucos cursos profissionais homologados e autorizados pelo Ministério.
A oferta pública é complementada com os cursos das escolas profissionais, embora estas, por limitações de carácter geográfico, não se constituam como verdadeira alternativa.

Assim, ao nosso jovem, normalmente, restará a opção por um percurso académico, para o qual, não raras vezes, não estará devidamente preparado (não vou aqui dizer porquê). E então o que lhe acontece? É insucedido e abandona (40%).
Ora, quando não lhe for permitido abandonar, porque tem de frequentar até aos 18 anos, o que lhe irá suceder? Resposta: nada! Vai arrastar-se até à idade limite. Ou melhor, não vai. O que, a médio prazo, irá acontecer é aquilo que já aconteceu no 3º ciclo. Os patamares de exigência irão baixar. O nivelamento far-se-á por baixo. Cairemos no facilitismo. E, finalmente, daremos diplomas do 12º ano a completos ignorantes.
Tudo isto são coisas que já vimos acontecer. Hoje, damos o diploma do 9º ano a jovens que mal sabem ler. Amanhã, fá-lo-emos no 12º ano.

Com isto, criaremos uma legião de ignorantes desqualificados!
Assim, urge romper com os paradigmas igualitaristas. Criem-se vias alternativas, autónomas, independentes e impermeáveis no Ensino Secundário. Dê-se oportunidade aos menos bem preparados, sem comprometer o sucesso dos outros.
Ainda estamos a tempo.

Sondagens em Portugal

Estamos na época das sondagens.
Estão aí para todos os gostos. Numa o PS tem mais 7% que o PSD, noutra, 11 e numa outra 18%!! Andei aqui à procura de sondagens anteriores e encontrei esta "pérola".
Foi publicada no Expresso de 14/12/2001 e as eleições foram a 16, isto é, 2 dias depois. Ainda está online.

A minha pergunta é: porque é que ainda não faliram?