23 de fevereiro de 2005

A irracionalidade da vingança

Pedro Santana Lopes anunciou que não se irá candidatar à liderança do PSD no próximo congresso.
Sinto um certo alívio, é verdade. Para o país é bom. As razões são óbvias e, racionalmente, esta é "a" solução.
Todavia, não posso deixar de sentir, simultaneamente, alguma frustração. PSL deveria ir ao congresso envergonhar um bando de filhos da puta que, movidos por questões pessoais, por ódios e rancores de estimação, tudo fizeram para que a derrota fosse inevitável. Que, nos jornais, nas rádios, nas televisões, nas páginas pessoais, fizeram aquilo que não conseguiram fazer em congresso. Que estiveram em campanha como se se tratasse de um ajuste de contas. Que confundiram os seus interesses pessoais com o interesse dos portugueses. Que contribuíram para entregar o país a esta esquerda nostálgica dos anos sessenta que nos vai fazer atrasar muitos mais anos.
Estou quase como eles: a deixar-me toldar pela irracionalidade da vingança.

22 de fevereiro de 2005

Não me sai da cabeça


Amigos e Camaradas, conseguimos!

Num raro momento de descontracção, o homem revelou-se.

Vencedores e vencidos

Aconselhado pelo amigo mocho, fui ler o tal artigo de Nicolau Santos.
Este senhor é um artista. Tudo vê e tudo sabe. Um arrogante que até se dá ao luxo de falar como militante do PSD, dizendo que aqueles não se revêem na liderança “errática” (o termo pegou) de Pedro Santana Lopes e que, por isso, não votaram no partido. E vai mais longe. Diz que "parte da sua base de eleitores, como os empresários ou o sector financeiro" o abandonou. Empresários e sector financeiro?? Que palermice.
Senhor Nicolau, eu, que sou militante há 30 anos e que já fiz mais campanhas do que o senhor há-de fazer, digo-lhe que no PSD, também há empresários, mas que, na sua maioria, os militantes e eleitores são simplesmente “portugueses”.

E digo-lhe ainda outra coisa. Na sua lista de vencedores falta o maior de todos: a COMUNICAÇÃO SOCIAL.

Semelhanças

Ainda no Prós & Contras:
Acho este senhor do PS - Pedro Pereira - muito parecido com o Primeiro-ministro: o mesmo nariz rombudo e a mesma técnica de falar sem conseguir dizer o que quer que seja.

Aumentar os salários dos chineses

A propósito da competitividade das empresas têxteis nacionais, disse agora o Deputado Miguel Portas que o que é preciso é fazer com que a China melhore as condições sociais dos seus trabalhadores.
Vamos a eles!

Aumentar salários

Estava a ver o Prós & Contras na RTP e a Deputada Odete Santos disse qualquer coisa parecida com:
Se as pessoas ganharem mais, terão mais dinheiro para comprar coisas e, ao comprarem as coisas, as empresas vendem e podem pagar mais. Por isso, o que é preciso é aumentar os salários.
Seguiu-se uma espontânea e ruidosa salva de palmas.
O PS está tramado!

21 de fevereiro de 2005

O primeiro milagre

Aí está.
Começou a chover!

Uma Maioria, um Governo e um Presidente

Era o objectivo de Francisco Sá Carneiro. Não o logrou alcançar. Conseguiram-no agora os socialistas. Têm tudo, nem é possível ter mais, para serem bem sucedidos.
Não terão desculpa se falharem.

20 de fevereiro de 2005

De luto

O Azurara apresenta sinceras condolências aos portugueses neste momento penoso em que se perspectiva um futuro sombrio.

Autocrítica?

Li agora um texto em que se reproduz esta afirmação do presidente de alguns portugueses:

“Portugal precisa de políticos bem preparados e bem formados, para que os cidadãos não sintam no país um défice que vai iludindo, que vai diminuindo a capacidade das instituições"

Por favor, ofereçam um espelho ao senhor.

19 de fevereiro de 2005

JS nervoso?


Foi o que me pareceu.
Estive a ver a mensagem ao país do presidente de alguns portugueses e o homem pareceu-me mesmo nervoso. Será que não acredita na maioria absoluta do seu partido? Será que teme que, após o golpe de estado, não se venha a encontrar a "necessária estabilidade política"? Será que equaciona a hipótese de fazer as malas?

O Azurara não!
O Azurara está confiante na maioria do PS. Deseja-a como um mal menor.
E, claro, continua a lamentar que o PSD se tenha apresentado às eleições.

Veículo para fazer rondas

Na carta que dirigi ao virtual Primeiro-ministro de Portugal sobre os problemas da polícia, referi a importância de que se reveste a escolha de veículo apropriado a rondas nos bairros problemáticos da periferia da capital.
Este é um dos possíveis. Para além de um motor (turbina) com 1.500 hp, vem equipado com ar condicionado, suspensão inteligente, cruise control, gps, etc. E, naturalmente, é absolutamente BLINDADO. Um luxo!

Legalização da pedofilia?

Ainda há homens com coragem
Este é um deles. Vai ser julgado em tribunal por ter dito que, à semelhança da homosexualidade, também um dia a pedofilia viria a ser legalizada. Parece que alguém sentiu que ele estaria a a estabelecer uma comparação entre um homossexual e um pedófilo.
Não é o primeiro a ser julgado por afirmar uma coisa que se viria a confirmar muitos anos depois. Muito antes dele, outros foram julgados por se atreverem a constestar o "mainstream": Copérnico, Galileu, Kepler...
Vale a pena ler a entrevista.

Um polícia foi assassinado

Senhor Primeiro-Ministro José Sócrates Pinto de Sousa:

O assassínio de um polícia num bairro “problemático” da periferia da capital, vem alertar V/ Ex.ª para a necessidade de dar mais atenção aos problemas da segurança (dos agentes). Repare que, como forma de protesto, já se recusam em andar armados e já só saem das esquadras em situações de emergência e apenas se houver um número considerável de agentes disponíveis. Entretanto, nós, incautos cidadãos, temos de resolver os nossos problemas de segurança com os nossos próprios meios, o que, para além de deveras incómodo, constitui um flagrante atentado à lei da greve, a qual proíbe expressamente a substituição de trabalhadores quando no exercício do seu direito inalienável à manifestação.
Trata-se, por conseguinte, de assunto que requer a intervenção imediata de V/ Ex.ª.
Repare que aquilo que os polícias precisam não é de leis que os protejam quando, no exercício das suas funções, têm de usar “meios desproporcionados” causando, eventualmente, danos corporais em pessoas não dispostas a acatar as regras do convívio democrático. Eles não precisam de leis que os defendam de serem presos por ferrarem um tiro num ladrão de automóveis, de estabelecimentos ou de pessoas, num dealer, ou num outro qualquer criminoso. De resto, a aprovação de uma tal legislação poria em causa o direito inalienável de um criminoso se autodeterminar e prosseguir a carreira que, de forma livre e consciente, escolheu.
Nada disso, senhor primeiro-ministro, não é preciso nada assim tão complexo.
O que os agentes precisam é de coletes de kevlar que minorem os danos provocados pelos tiros dos criminosos e, sobretudo, de viaturas blindadas que lhes permitam passar as rondas naqueles tais “bairros problemáticos”, saindo de lá incólumes.
Não julgue, todavia, que esta é uma questão simples de resolver. É que não basta pensar nos efeitos de uma vulgar caçadeira com zagalotes, ou de uma espingarda automática. É por isso que não serve qualquer viatura blindada. V/ Ex.ª bem sabe a facilidade com que este pessoal pode aceder a lança rockets e a munições com urânio empobrecido, para não falar em dispositivos ainda mais sofisticados. E, para esta emergência, deixo-lhe aqui uma dica: aqueles magníficos tanques Abrams M1A1 que os americanos usaram no Iraque. Agora que o vão abandonar, talvez sejam uma pechincha.
Outra coisa fundamental é a atribuição de um subsídio de risco aos agentes. Esta sim, uma medida vital, já que evitará a morte de mais qualquer agente em serviço.
Estas medidas, foram, como saberá, claramente exigidas pelos sindicalistas que exemplarmente representam os polícias.
Senhor Primeiro-Ministro, não hesite. A situação exige uma intervenção urgente e corajosa como V/ Ex.ª já nos habituou. Os polícias confiaram em si, tal como, aliás, a maioria dos portugueses.
Não os desiluda. Não traia a confiança deles.

Azurara

Propinas fazem dimiuir o número de estudantes

Pelo menos na Universidade do Minho.
Quem o diz é o senhor Reitor, conforme relatado aqui.
"O efeito do aumento das propinas foi significativo, verificando-se uma redução no número de alunos inscritos, na ordem dos 600", garantiu Guimarães Rodrigues, o reitor da universidade minhota.
Pensei imediatamente: Coitados daqueles 600 garotos. Não conseguiram pagar o balúrdio das propinas e viram-se obrigados a abandonar os estudos.
Só que, continuando a ler, deparei-me com isto:
No passado ano lectivo, as propinas eram de 640 euros e, este ano, passaram a ser de 740 euros. Valores que, ainda segundo o reitor, levaram a que alguns estudantes, para evitar pagar as propinas, decidissem fazer as cadeiras que ainda lhes faltavam para acabar os respectivos cursos.
Ou seja:
O que os alunos não aguentaram foi um aumento de 20 contos anuais.
Não abandonaram os estudos. O que fizeram foi acabá-los! Se as propinas fossem 20 contos mais baratas, teriam continuado a frequentar a universidade, alegremente, adiando a realização dos seus exames!
Será possível?
O Reitor endoideceu? A jornalista ensandeceu? Anda tudo louco?
Senhor Reitor, há outra forma de manter elevado o número de estudantes da sua universidade: dê orientações aos senhores professores para chumbarem os alunos.

Também não é coisa que vá durar muito tempo. Esta questão das propinas é mais uma que ficará resolvida. O PS irá, numa atitude de diálogo e concertação, acabar com elas.
Ou não?

18 de fevereiro de 2005

Tempos difíceis

Vêm aí!
Depois da publicação das últimas sondagens, todas convergentes com ligeiras nuances, aparece como inevitável a necessidade de enfrentarmos mais um período negro da nossa história. Vem aí mais um governo do PS.
Inexoravelmente, perfilam-se já os mesmos vultos que nos conduziram, ao fim de sete anos de regabofe, à situação deprimente em que nos encontrámos em 2002. De então para cá, tudo fizeram para dificultar a nossa saída do "pântano" em nos deixaram. E, deve dizer-se, com assinalável sucesso. De facto, não chegámos a saír dele. Quando nos preparávamos para começar a emergir, surgiu aquele facto, hoje histórico, do golpe de estado.
Assim, vamos voltar a ter, tudo o indicia, os cravinhos, as marias de belém, as manuelas arcanjo, os carrilhos, os gamas, os narcisos, os cardosos, os varas e os gomes. Até o meu amigo Coelho. Eventualmente, quem sabe, até os ferros e os pedrosos. Aquela "tralha" toda de que falava o Vicente Jorge Silva. Tudo gente com provas dadas e com currículo recheado.
Do mal o menos, que obtenham maioria absoluta. Não ficarão reféns dos bloquistas (fundamental) e poderão, finalmente, vir a ser responsabilizados sem se furtarem com a retórica limiana.
Como já disse há várias semanas, o PSD não se deveria ter apresentado às eleições. Enfim, é o "Right to be Wrong" que aqui canta a Joss Stone.

16 de fevereiro de 2005

Debate a 5

Afinal foi só a 4!

Deixo aqui uma palavra de simpatia para o Sr. Jerónimo de Sousa, que, com a sua afonia, poderá ter sido o que mais capitalizou.

O Prof. Anacleto Louçã esteve no seu estilo provocatório, embora mais moderado, continuando convicto de que é o único homem sério à face da terra. Defendeu a despenalização do aborto como primeira prioridade, a distribuição de heroína aos toxicodependentes, e a diferenciação da idade da reforma das mulheres (?).
O Dr. Paulo Portas esteve muito bem. Sereno e seguro. Já ouvi dizer que tinha sido o "vencedor".
O Dr. Santana Lopes foi o que se apresentou mais bem preparado, mais conhecedor dos problemas e mais consistente nas propostas. Surpreendeu-me. Solto e acutilante. Ficam dois momentos, não políticos, mas suficientemente elucidativos:
Para Louçã sobre os benefícios fiscais à Banca: Tem aí o despacho? Tem? Então mostre-o!
Para Sócrates: Lá está o senhor a dar mostras desse mau-feitio que começa a ser conhecido!

O Eng. Sócrates esteve ao seu nível. O da trivialidade, da superficialidade e das generalidades. Mais uma vez não foi para além dos chavões. Nem uma única ideia. Nem o seu programa eleitoral soube defender. Irá desincentivar as reformas antecipadas (ou seja aumentar a idade da reforma - que apoio) e estudar a sustentabilidade da Segurança Social. O homem não tem ideias sobre o que quer que seja. Vai estudar, estudar e estudar.
Se isto não é um Guterres recauchutado...

15 de fevereiro de 2005

Nomeações partidárias

Anda aí uma onda de moralistas a clamar contra a nomeação de quinze mil e tal "boys" durante os dois anos de governo da coligação PSD-PP.
Embora reconheça a importância de nomear pessoas de confiança política para determinados cargos, não deixo de me juntar a estes críticos. De facto, não faz sentido nomear, por exemplo, motoristas de "confiança política"...
Ontem, curiosamente, no meio de uma arrumação do meu escritório, dei com uma "peça" que ilustra bem o que acabo de dizer. Tratava-se de uma fotocópia do Diário da República do dia 14/02/2002, um mês antes das eleições legislativas, com um governo demissionário do PS. Aí se pode ler que um senhor Secretário de Estado nomeou, quando já estava de saída, DUAS secretárias pessoais e DOIS motoristas para o seu gabinete. Mas não se ficou por aqui. Naquele mesmo dia nomeou um total de 17 "boys" e "girls". Isto é, numa altura em que a proximidade das eleições aconselharia uma especial prudência, o senhor aumentou o seu gabinete com mais 17 pessoas!
Claro está que, pouco tempo depois, a maioria destes "nomeados à última da hora" viria a receber chorudas indeminizações.
Caro leitor, deixo-lhe um desafio: descubra as diferenças entre 2002 e 2005!

Sindicatos e Concursos

O Sindicato dos Professores do Norte (SPN/Fenprof) criticou hoje a ausência de vagas no concurso de docentes para Quadros de Zona Pedagógica (QZP) e o saldo negativo para Quadros de Escola (QE).

Estes tipos não saberão que o número de professores necessários é directamente proporcional ao dos alunos?
Não saberão que as escolas, sobretudo as mais antigas, têm quadros sobredimensionados?
Não saberão que a indicação das vagas é feita por cada uma das escolas?
Não saberão que o Ministro (este, o anterior ou o futuro) não interfere na determinação das vagas?

Ou será que sabem tudo isto mas querem, em nome do "senso comum", diminuir o rácio alunos/professor, pese embora não existir qualquer estudo com base científica que correlacione esta variável com o acréscimo de qualidade da educação?

Sindicatos...

14 de fevereiro de 2005

Ignorante!

É o que pude concluir sobre o Eng. Sócrates depois de ler a entrevista que deu ao Expresso do dia 12.
Nem uma única ideia sobre o que quer que seja. Só diz trivialidades. Vejamos uns apontamentos que tirei:
  • O problema de Portugal está na economia e não apenas nas finanças. Temos um défice real acima dos 5% [...] mas tenho esperança que com a revisão do Pacto possamos ter um plano [...]
  • O essencial é a sustentabilidade do sistema de segurança social. Não está claro de que forma se pode e deve assegurá-la, pelo que é preciso actualizar o estudo [...]
  • [sobre as portagens na CREL] Não sei como estão as acessibilidades a Lisboa. [...] seria leviano estar a dizer o que farei sem que isso seja estudado [...]

Então:
  • Quanto ao equilíbrio das finanças, não sabe como fazer, mas tem esperança que a revisão do Pacto de Estabilidade lhe resolva o problema;
  • Quanto à viabilidade da Segurança Social, tem de estudar;
  • Quanto às portagens, tem de estudar;
Da escola pública, também não deve saber nada. Os filhos frequentam colégios privados. O mais velho, no Colégio Alemão, o outro, no Luso-Suíço.

Que desgraça. Para além do "colocar 1.000 licenciados em PME's", nem uma ideia.
Isto ainda vai ser pior que eu pensava!