31 de março de 2005

Cachorrinhos

São dois lindos rafeirinhos. Muito macios e simpáticos. Alguma alma os deixou à minha porta na presunção que os trataria bem. E tratarei.
Mas, se houver alguém que queira partilhar esta responsabilidade, faça o favor de apresentar currículo. É que contratos "no escuro" só existem para professores, e só no Ministério da Educação.

30 de março de 2005

Inglês no Básico (II)

Em resposta ao meu artigo anterior, veio o meu amigo Mocho dizer que "Além do mais é preciso formar professores. O recurso ao 2º ciclo será transitório certamente".
Acontece que eu nem sequer tinha pensado nesta hipótese. Parti do princípio que, estando todas as escolas primárias integradas em agrupamentos, a nova disciplina de Inglês, opcional, seria leccionada por professores de Inglês de cada agrupamento, naquilo que seria uma razoável gestão de recursos. Afinal não é nada assim. Eu sou um ingénuo! Afinal é preciso formar professores novos. Professores que estejam especialmente habilitados para ensinar Inglês aos alunos dos 3º e 4º anos. Professores especialistas ao nível do 1º Ciclo.
Ora, como se perceberá, rapidamente se seguirão professores especialistas em Matemática, em Português, em Ciências Sociais, etc. Vamos acabar com a monodocência no 1º Ciclo, o que acarretará a estanqueceidade das matérias, a atomização do conhecimento e o aumento da dificuldade em aprender.
Bem sei que é isto que querem as Federações dos Sindicatos. É que aumentarão, e muito, o universo dos seus potenciais associados. Só que, este é, exactamente, o caminho contrário ao que deveríamos trilhar.
O conhecimento é uno e apreende-se do global para o específico. Não se pode começar por aprender a célula para depois compreender o corpo humano. É ao contrário. Por isso, deveríamos manter a unidade do conhecimento até mais tarde. Isto é, no 2º Ciclo deveríamos diminuir o número de professores por turma. Apostar em professores generalistas, o que, para o nível dos conteúdos exigidos até ao 6º ano, é perfeitamente compatível com os professores que já temos no sistema.
Já não seria mau que os professores do 2º Ciclo leccionassem as Áreas Disciplinares para as quais estão habilitados. Se o professor de Matemática também ensinasse Ciências e o de Português também ensinasse História, como está previsto na Lei, já não seria muito mau. Infelizmente não acontece assim (pelo menos na maioria das nossas escolas) e, pior ainda, agora quer-se alargar esta perversidade ao 1º Ciclo.
Os resultados serão devastadores!

PS. A diminuição do número de turmas por professor, aumentando o número de horas que o professor leccionasse em cada turma, também traria evidentes benefícios para os próprios professores.

29 de março de 2005

Inglês no Básico

Era o que eu temia.
Bem alertei aqui.
ASNEIRA!
O Inglês no 1º Ciclo será uma disciplina:
1) Extracurricular;
2) Logo, não obrigatória;
3) Logo, não importante;
4) Logo, não determinante;
5) Donde, SEM AVALIAÇÃO CONSEQUENTE.

O que aqui vamos ter não é mais que uma actividade lúdica. É o aprender a brincar. O aprender sem esforçar. O facilitismo. Vamos ter uma espécie de Área-Escola "papagueada" em Inglês.
Uma medida de faz-de-conta. Uma media SOCIALISTA.
Ó meus amigos, se acham que o Inglês no 1º ciclo é importante, tratem-no como tal, como a Matemática, o Português e o Meio Físico. Assim não dá. Assim, o único impacto que esta "bandeira" terá, será o emprego de umas centenas de professores de Inglês do 2º Ciclo.
A Associação e os Sindicatos já estão a aplaudir. Nós continuamos a pagar.

26 de março de 2005

Política ou ódio?

Há, nestas Terras de Azurara, um jornal jovem que, ao que sei, terá nascido para dar voz à oposição político-partidária à maioria que vem governando o Município. Todavia, cedo resvalou para a baixa política: a meia-verdade, a mentira, a insinuação e o insulto gratuito, elegendo o Presidente da Câmara como alvo obsessivo dos seus impropérios.
No último número, em editorial, referindo-se, como sempre, ao Presidente da Câmara, escreve:
[...] Ao analisarmos, mesmo que seja à "flor da pele", estas tretas pataratas, lemos com total luminosidade, nas entrelinhas, o discurso da mentira, do cinismo, da contradição. E pensamos: será este homem um megalómano doentio? Sofrerá de algum trauma maníaco-depressivo? De esquizofrenia catatónica? Hebefrénica? Com períodos alternados de torpor e de excitação? Revelando carácter caprichoso, sentimentos e ideias insensatas? Com desenvolvimento insidioso de inadaptação social e excentricidade? Com mudanças de personalidade e pensamentos descoordenados gerando sentimentos e impulsos confusos? Com perturbação de pensamento e decorrente associação de ideias alteradas, com ocorrência de cenas absurdas ou/e estranhas? Com falsas convicções irredutíveis, fruto da desilusão????????
Não sabemos! Sabemos sim que este homem vive num estado disfuncional onde o real e o onírico confluem num delta inseparável, fazendo-o pairar nas nuvens e perder completamente o contacto com o verdadeiro pulsar do Concelho e com a inequívoca verdade dos factos, que falam por si, sem fogos-faralhos nem paródias de péssima qualidade e duvidosíssimo gosto.

Acontece que o Presidente da Câmara é pessoa calma, trabalhadora, amiga de todos (e não apenas "do seu amigo") e muito pacífica.
Eu também sou homem pacífico, mas, se fosse comigo, hesitaria entre a queixa-crime por difamação e o mais prosaico "amassar-lhe o frontespício".

24 de março de 2005

Negar o futuro

Uma das bandeiras recorrentemente agitadas pelos sindicatos de professores portugueses é a da autonomia e da descentralização. É vulgar ouvir sindicalistas justificarem a fraca prestação das escolas com o controlo omnipresente do Estado. De acordo com estes "especialistas", a escola, ou melhor ainda, a "comunidade educativa" deveria ser capaz de se autodeterminar e gozar o caminho a trilhar na busca de maior eficiência.
Todavia, cedo se percebeu que a conversa da "comunidade educativa" era uma treta. Se não ainda antes, logo em 1998 se desmascararam, quando conseguiram alterar a proposta do RAAG (da autoria de João Barroso) assegurando que o presidente da Assembleia de Escola teria de ser professor e que estes teriam de estar representados, pelo menos, em paridade. Ou seja, "roubaram" a Assembleia à comunidade, esvaziando-a. Isto é, restringiram a comunidade aos limites dos muros da escola, aos professores. Pior ainda: a comunidade só interessa na mdedida em que "sirva" a escola, em vez de, como deveria acontecer, a escola servir a comunidade.
De 98 para cá, assistimos em Portugal a um movimento absolutamente inédito - a expansão da rede de educação pré-escolar. Inédito na medida em que se efectuou ao arrepio da administração central. Foram as Câmaras municipais que construíram e adaptaram espaços e que decidiram onde abrir JI's. O Ministério limitou-se a assegurar o pagamento das Educadoras (que me desculpem os Educadores). Mesmo no que concerne à oferta de componentes não lectivas - almoço, ocupação de tempos livres e prolongamento dos horários de funcionamento - a iniciativa esteve sempre com as câmaras e, diga-se, com a oposição dos sindicatos. Tratou-se, contudo, de uma verdadeira descentralização: a deslocação do centro de decisão para a comunidade. E os resultados estão aí à vista de todos. Por todo o País, os JI's da rede pública oferecem horários entre as 8H00 e as 18H00, quando não ainda mais, mantêm-se em funcionamento durante as "interrupções" (Natal, Carnaval, Páscoa, e Junho/Julho), servem refeições e oferecem actividades diversificadas. A título de exemplo, aqui nestas Terras de Azurara, as crianças de 4 e 5 anos vão, todas, da cidade e das aldeias, à piscina. Claro que as Educadoras trabalham apenas 5 horas por dia. Durante o resto do tempo as crianças são enquadradas por pessoal auxiliar, pago pelas câmaras, as quais recebem pequenos subsídios do ME e comparticipações das famílias, de acordo com as respectivas capitações. Mas, apesar de tudo, o balanço é francamente positivo. Este deverá ser o nível de escolaridade (?) que mais terá progredido no sentido de prestar um serviço à comunidade. No fundo, estas escolas "são" da comunidade, como deveriam ser todas.

Agora leia-se esta reivindicação:
A Associação Sindical de Professores Licenciados (ASPL) diz que a tutela dos estabelecimentos de ensino para a infância e pré-escolar deveria passar, de forma faseada, das autarquias para o Ministério da Educação.
E esta:
Na moção hoje aprovada nos plenários, os educadores defendem que um calendário escolar diferente é uma atitude discriminatória e desajustada num contexto de agrupamentos de escolas.Os educadores esperam agora que o novo Governo altere esta situação, disse Maria do Céu Silva, dirigente da Fenprof. Caso não o faça estão dispostos a avançar para formas de luta, acrescentou.

Sindicatos...

Ontem e Hoje

O ministro de Estado e das Finanças admitiu hoje que o défice orçamental seja actualmente superior a seis por cento do Produto Interno Bruto (PIB), sem receitas extraordinárias. Luís Campos e Cunha, que falava no debate do Programa do Governo, considerou de um «enorme irrealismo o Orçamento do Estado [de 2005] herdado do governo anterior»

Primeiro:
Estes senhores juraram que não se iriam desculpar com o passado nem brandir a espada da "herança".
Segundo:
Santana Lopes teria governado (se os media tivessem deixado) apenas 4 meses - os últimos de 2004. Apesar disso, foi acusado pela tralha socialista de ter aumentado o défice, ou, pelo menos, de o não ter conseguido reduzir.
Estes senhores vão governar (os jornalistas gostam deles) mais de 9 meses. Mais do dobro de PSL. Utilizando os mesmos argumentos de então, caso não endireitem a "coisa", a razão será apenas uma - inépcia.

Referendo do Aborto

Concorda que deixe de constituir crime o aborto realizado nas primeiras dez semanas de gravidez, com o consentimento da mulher, em estabelecimento legal de saúde?
NÃO.
Tirem-lhe o "lugar" e já serei a favor.
Aborto, cada um pague o seu!

23 de março de 2005

O Azurara errou

Aqui ficam as desculpas públicas ao tal Fazenda, bem como a todos os Stalinistas e Trotskistas ainda existentes.
Obrigado ao Micróbio pela atenta correcção.
Eu sei que é uma coisa meia besta mas, vá-se lá saber porquê, associo trotskismo a fisionomias mais "finas", menos volumosas, mais sofisticadas, até, sei lá, mais femininas. Era mais assim que os distinguia. Pelo discurso é absolutamente impossível. É sempre a mesma merda, tanto num caso como noutro. É por isso que cataloguei aquele corpanzil na categoria dos stalinistas.
Errei.
Aqui fica mais uma evidência de que as aparências iludem.

Freitas, o Imóvel

Ele não se mexeu. Lançou a âncora. Fundeou. O espectro político é que se deslocou (para a direita). E fê-lo de tal forma que o Amaral ficou tão à esquerda, tão à esquerda, que hoje, quem mais o defendeu foi aquele stalinista do Bloco, salvo erro o Fazenda.
Bem, Stalin e Hitler tiveram um pacto...

22 de março de 2005

Bom e mau no Programa do Governo - Educação

Ideias Boas:

Cultura de avaliação
Enraizar em todas as dimensões do sistema de educação e formação a cultura e a prática da avaliação e da prestação de contas. Avaliação do desempenho dos alunos e do currículo nacional, avaliação dos educadores e professores, avaliação segundo critérios de resultados, eficiência e equidade, das escolas;

Mais autonomia
O Governo considera desejável uma maior autonomia das escolas, que garanta a sua capacidade de gerir os recursos e o currículo nacional [...] O Governo estimulará a celebração de contratos de autonomia entre as escolas e a administração educativa;

Contratação de professores
Introdução de mecanismos, como a ordem das prioridades de destacamento e a recondução, que possam induzir, por si mesmos, menor mobilidade dos docentes [...] introduziremos medidas que permitam descentralizar gradualmente (para as escolas individualmente ou em agrupamento por áreas ou municípios) o sistema de recrutamento e colocação;

Ideias Beras:

Inglês
A generalização do ensino do Inglês desde o primeiro ciclo do ensino básico;
A ênfase deve ser posta no rigor, na valorização do trabalho individual, na diferenciação pedagógica e na compensação educativa, se necessário procedendo anualmente ao reagrupamento dos alunos. Estas medidas deverão ser implementadas logo desde o 1º ano (6 anos de idade). Na escola primária, toda a tónica deve ser colocada no Português. A introdução do Inglês provocará um efeito distractor.

Escolaridade obrigatória de 12 anos
Tornar obrigatória a frequência de ensino ou formação, até aos 18 anos de idade.
Em que ficamos, ensino ou formação? Se for ensino, é mandatório abrir cursos profissionais em todas as escolas secundárias, destinados a oferecer alternativas aos alunos que, até aos 15 anos, não efectuarem nenhuma aprendizagem significativa (são muitos mais do que se possa pensar). Caso estes alunos venham a ser obrigados a seguir os actuais cursos "gerais", acontecerá com o secundário aquilo que já aconteceu no básico: a uniformização da ignorância.

António Ribeiro Ferreira

Quem é este homem que escreve, referindo-se à "prestação" parlamentar de Sócrates na apresentação do programa, isso não se faz à esquerda?
Então Sócrates não é "de esquerda"? Espero bem que tenha razão.
Fica aqui o último parágrafo. Um espanto!
Depois do discurso de Sócrates, percebe-se agora que o ministro Freitas do Amaral é a flor velha, desbotada e de esquerda na lapela do Governo liberal de Portugal.

Sporting

Dominador!
Podia ter sido um "cabaz".

20 de março de 2005

Polícias assasinados (II)

Há uns anos, o então Ministro socialista da Administração Interna ficou célebre quando disse "esta polícia não é a minha polícia".
O actual, disse este momento não é o meu momento.
Também não foi o dos polícias.

Polícias assasinados (I)

Foram mais dois.
Há um mês, os sindicatos queriam coletes e viaturas blindadas. Hoje já começam a falar daquilo que na altura reclamei e até parodiei. Veja-se, aqui.

[a polícia] não pode levar ninguém para a esquadra sem um forte fundamento, não pode identificar ninguém sem um forte fundamento, não pode puxar da arma. O criminoso já percebeu há muito que a polícia é ineficaz no combate à criminalidade. O SPP/PSP exige a modificação das normas de actuação da polícia, uma iniciativa que tem que partir do poder político.

Esperemos que não tenham de morrer ainda mais polícias.

Como Cavaco Silva?

O primeiro-ministro segue modelo de governação de Cavaco Silva [...]

Bem, podem ser parecidos no modelo, na forma, mas naquilo que interessa, no conteúdo...
Que pretenciosismo saloio!

Bombardier

A Bombardier não está interessada em negociar a continuidade da sua permanência, enquanto enpresa fabril, em Portugal. Por isso, mandou desmantelar as instalações e retirar equipamentos. Como havia um piquete de trabalhadores de prevenção, a Bombardier pediu ao Governo português que protegesse o pessoal encarregado da desmontagem. O Governo acedeu e enviou para lá a polícia. Contudo, ao fim de pouco tempo, deu ordens à PSP para retirar. Agora, os trabalhores "desmontadores" continuam a desmontar, só que sem protecção.
Mal! Muito mal!
Um governo decente (logo de esquerda) não se deveria ter limitado a mandar retirar a Bófia. Deveria ter ordenado que os bófias dessem umas lambadas nos tais "desmontadores" e seus patrões, evitando a saída da fábrica dos equipamentos que lhe garantem a tão propalada viabilidade económica.

18 de março de 2005

Sexo em bloco

(na Visão de 17/3/2005, página 34)

Não sei o contexto, mas, em todo o caso, seria de acrescentar ...e não lavam os dentes.
(nunca se deve perder uma oportunidade de incentivar a higiene oral)

Desmentido

Tardou, mas chegou. Sócrates desmentiu a subida de impostos.
Registemos:
OS IMPOSTOS NÃO VÃO AUMENTAR! NENHUM!
Então e as SCUT's? Como é que se pagam? Portagens?

Pacheco Pereira

Veio dizer-nos que descobriu que, durante a sua campanha sistemática contra PSD e PSL, só foi abundantemente citado porque "o jornalismo é, em Portugal, uma das profissões mais politizadas que existem, dominantemente à esquerda do espectro político."
Agora queixa-se de não ser citado quando fala de PS e JS. Diz ele que "contra Santana Lopes era um «espírito livre»; contra o PS, sou um factótum partidário."
Pois, só que agora já é tarde!

Nem pensar

Na TV, há pouco, Tózé Seguro, que ficou famoso quando se tornou o “jovem mais velho de Portugal”, perguntava:
Acham que o Dr. Sampaio e o Dr. Constâncio têm vindo a intervir na vida política movidos por interesses partidários?
NNNÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOO!