(republicado)
Lembro-me perfeitamente da noite de 24 para 25 de Abril há 31 anos. Passeia-a a jogar lerpa, com os meus colegas, até às quinhentas da madrugada. De manhã, quando cheguei à Faculdade, estava tudo fechado. Foi só aí que soube do golpe militar. Pairava no ar a dúvida. Não se sabia se não seria da extrema-direita. Por volta do meio-dia já não havia qualquer dúvida: era a Liberdade!
Os dias que se seguiram foram de absoluta loucura. Sentíamos uma ânsia incontrolável de viver. E com 19 anos de idade, tudo era possível.
É pá! Estou a ficar nostálgico.
Depois foi o que todos sabem: os excessos, a “caça às bruxas”, os saneamentos, as nacionalizações e a destruição do tecido produtivo, tudo em nome e em troca da Liberdade.
Hoje olho para a Espanha, que ainda viveu sob a ditadura quando nós já estávamos em Democracia, e interrogo-me:
Não sei se valeu a pena.
Não sei se, sem 25 de Abril, não teríamos hoje um país mais moderno, mais justo, mais fraterno e mais rico.
Não sei…
25 de abril de 2005
24 de abril de 2005
Escândalo
No Algarve.
Sabemos que o Estoril ganhou os tais 600.000€.
Não sabemos é quanto ganhou o Juíz.
Mas sabemos que:
Se a bola não tivesse entrado, é minha convicção que o árbitro as teria metido, ele próprio.
QUE VERGONHA!
Sabemos que o Estoril ganhou os tais 600.000€.
Não sabemos é quanto ganhou o Juíz.
Mas sabemos que:
- Fez uma expulsão patética aos 25 minutos - 11 contra 10;
- Não expulsou o Ricardo Rocha quando este "placou" um adversário;
- Marcou uma falta, inexistente, da qual resultou o empate;
- Fez outra expulsão inexplicável aos 80 minutos - 11 contra 9;
- Não marcou uma falta do Benfica, marcando antes um canto, donde resultou o golo da vitória.
Se a bola não tivesse entrado, é minha convicção que o árbitro as teria metido, ele próprio.
QUE VERGONHA!
23 de abril de 2005
Académica de Coimbra
Para além de Pinilla e Tello, também o árbrito jogou, literalmente, pela minha segunda equipa.
Maria Filomena Mónica
é uma pensadora que aprecio. Admiro a clareza com que expõe, a argúcia que utiliza e a coragem de, quando entende, ir contra o "politicamente correcto".
No Público de ontem, 22, Maria Filomena Mónica, acerca do aborto, escreveu:
"Um feto é vida, apenas no mesmo sentido em que um animal ou um vegetal é vida; não é um ser humano.". E mais à frente, "A Igreja Católica pode dizer o que quiser, mas não pode impor a sua doutrina a uma sociedade laica.".
Não concordo que se discuta este assunto à luz dos princípios da Igreja Católica. Não se discute a origem das espécies ou a evolução do homem e do universo à luz de dogmas. São assuntos de ciência, embora esta, quando, investigando, percorre o caminho contrário ao da evolução, chegue a um ponto para o qual não consegue avançar com explicações científicas (!).
Nesta lógica, penso que a problemática da vida humana, da vida intra-uterina, do feto e do aborto, deve ser discutida à luz da ciência. Deve ser a ciência a dar resposta a esta questão crucial: a partir de que momento é que a ciência considera que aquele "animal" ou "vegetal" vivo, a que chamamos feto, passa à condição de ser humano?
No instante da concepção?
Às 10 semanas? 12? 16?
Quando passa a ser "viável"?
Quando possa sobreviver fora do útero da progenitora?
Quando nasce?
...
Já agora, também se impõe que a ciência defina em que condições é que, no fim da vida, ou em consequência de doença ou acidente, um ser humano possa ser "desclassificado", passando à categoria de "animal" ou "vegetal" vivo, logo descartável.
No Público de ontem, 22, Maria Filomena Mónica, acerca do aborto, escreveu:
"Um feto é vida, apenas no mesmo sentido em que um animal ou um vegetal é vida; não é um ser humano.". E mais à frente, "A Igreja Católica pode dizer o que quiser, mas não pode impor a sua doutrina a uma sociedade laica.".
Não concordo que se discuta este assunto à luz dos princípios da Igreja Católica. Não se discute a origem das espécies ou a evolução do homem e do universo à luz de dogmas. São assuntos de ciência, embora esta, quando, investigando, percorre o caminho contrário ao da evolução, chegue a um ponto para o qual não consegue avançar com explicações científicas (!).
Nesta lógica, penso que a problemática da vida humana, da vida intra-uterina, do feto e do aborto, deve ser discutida à luz da ciência. Deve ser a ciência a dar resposta a esta questão crucial: a partir de que momento é que a ciência considera que aquele "animal" ou "vegetal" vivo, a que chamamos feto, passa à condição de ser humano?
No instante da concepção?
Às 10 semanas? 12? 16?
Quando passa a ser "viável"?
Quando possa sobreviver fora do útero da progenitora?
Quando nasce?
...
Já agora, também se impõe que a ciência defina em que condições é que, no fim da vida, ou em consequência de doença ou acidente, um ser humano possa ser "desclassificado", passando à categoria de "animal" ou "vegetal" vivo, logo descartável.
Câmara de Lisboa
PS e PCP terminam coligação para a Câmara de Lisboa.
Não acreditem. Isto é só táctica para "fazer render o peixe". O senhor Manuel Maria Guimarães não dispensará comunistas e bloquistas. Ele quer mesmo ser presidente. O resto, o número de lugares de uns e de outros não lhe interessa nada.
Tenham calma que eles vão construir uma verdadeira "vanguarda" popular.
Não acreditem. Isto é só táctica para "fazer render o peixe". O senhor Manuel Maria Guimarães não dispensará comunistas e bloquistas. Ele quer mesmo ser presidente. O resto, o número de lugares de uns e de outros não lhe interessa nada.
Tenham calma que eles vão construir uma verdadeira "vanguarda" popular.
Hipocrisia e vistas curtas
(Fotos de O Público - clique para aumentar)
Da leitura da notícia da esquerda ficamos a saber o que já sabíamos: que as empresas portuguesas (têxteis e outras) não faliram (na generalidade dos casos) por inépcia dos empresários e/ou inacção do Governo do PSD, e que continuarão a falir independentemente da acção do Governo do PS. Falirão pela simples razão de não conseguirem competir, isto é, de não serem capazes de produzir produtos de qualidade superior a preços mais baixos que os dos chineses e companhia. Ora, isto é muito mau para nós, como para toda a Europa.
Mas, como se pode ler na imagem da direita, o PM francês já encontrou uma solução: "atirar ao tecto" o embargo sobre venda de armas à China. Brilhante!
Assim, vemos que a economia age como uma esponja e lava os atropelos da China aos direitos humanos. Passamos a "assobiar para o ar". Tianamen, Tibete, liberdade de expressão, condições de trabalho… isso são coisas que não interessam nada quando se trata de arrecadar uns cobres.
Vai daí, vamos vender-lhes armas. Claro que não se trata de vulgares espingardas ou pistolas. Disso têm eles aos montes. Trata-se, isso sim, de armas de alta tecnologia que custam preços fabulosos.
Há, contudo, um pequeno problema: a China, é sabido, não respeita os tratados internacionais sobre direitos e patentes. E o que vai fazer? Obviamente, aquilo que melhor sabe fazer: copiar! Recorde-se que a China, ainda recentemente, comprou uma central nuclear para produção de energia eléctrica e … construíu seis iguaizinhas.
Assim, além de as usar, o que é que a China vai fazer com as armas de alta tecnologia?... Pois é!
Repare-se que até mesmo com a indústria farmacêutica isso acontece. Copiam tudo!
Então, o que vai sucerder? É simples. As empresas ocidentais, que investem balúrdios em investigação e desenvolvimento, não vão conseguir obter o retorno financeiro dos investimentos e … acabarão por fechar, seguindo o exemplo da restante indústria. Ou seja, os gigantes europeus, nomeadamente a França e a Alemanha, que agora "olham para o lado", insistindo na abertura dos mercados europeus na mira de lhes venderem os seus produtos de alta tecnologia, dentro em breve não terão nada para vender.
Nessa altura não teremos nada para lhes vender e tudo para lhes comprar. Não teremos é dinheiro para pagar!
Da leitura da notícia da esquerda ficamos a saber o que já sabíamos: que as empresas portuguesas (têxteis e outras) não faliram (na generalidade dos casos) por inépcia dos empresários e/ou inacção do Governo do PSD, e que continuarão a falir independentemente da acção do Governo do PS. Falirão pela simples razão de não conseguirem competir, isto é, de não serem capazes de produzir produtos de qualidade superior a preços mais baixos que os dos chineses e companhia. Ora, isto é muito mau para nós, como para toda a Europa.
Mas, como se pode ler na imagem da direita, o PM francês já encontrou uma solução: "atirar ao tecto" o embargo sobre venda de armas à China. Brilhante!
Assim, vemos que a economia age como uma esponja e lava os atropelos da China aos direitos humanos. Passamos a "assobiar para o ar". Tianamen, Tibete, liberdade de expressão, condições de trabalho… isso são coisas que não interessam nada quando se trata de arrecadar uns cobres.
Vai daí, vamos vender-lhes armas. Claro que não se trata de vulgares espingardas ou pistolas. Disso têm eles aos montes. Trata-se, isso sim, de armas de alta tecnologia que custam preços fabulosos.
Há, contudo, um pequeno problema: a China, é sabido, não respeita os tratados internacionais sobre direitos e patentes. E o que vai fazer? Obviamente, aquilo que melhor sabe fazer: copiar! Recorde-se que a China, ainda recentemente, comprou uma central nuclear para produção de energia eléctrica e … construíu seis iguaizinhas.
Assim, além de as usar, o que é que a China vai fazer com as armas de alta tecnologia?... Pois é!
Repare-se que até mesmo com a indústria farmacêutica isso acontece. Copiam tudo!
Então, o que vai sucerder? É simples. As empresas ocidentais, que investem balúrdios em investigação e desenvolvimento, não vão conseguir obter o retorno financeiro dos investimentos e … acabarão por fechar, seguindo o exemplo da restante indústria. Ou seja, os gigantes europeus, nomeadamente a França e a Alemanha, que agora "olham para o lado", insistindo na abertura dos mercados europeus na mira de lhes venderem os seus produtos de alta tecnologia, dentro em breve não terão nada para vender.
Nessa altura não teremos nada para lhes vender e tudo para lhes comprar. Não teremos é dinheiro para pagar!
22 de abril de 2005
Medicina convencionada
O Ministro da Saúde já informou como vai resolver o problema se o "sim" vencer no referendo à alteração da lei do aborto. Qual problema? O crónico problema da saúde em Portugal: as listas de espera.
Ora, para evitar as previsíveis listas de espera para abortos, o senhor ministro vai recorrer, pagando, a clínicas privadas. Por cada aborto pagará uma determinada quantia a estabelecer. Diz ele que foi assim que se fez em Espanha. Digo eu que está na moda copiar Espanha (não tarda, estará aí o casamento de homossexuais). Mas:
Porque é que não se faz o mesmo para eliminar as outras listas de espera?
O cumprimento dos prazos só é importante no caso do aborto?
Num caso de artrose da anca, que impossibilita o doente de caminhar, o prazo não interessa?
Porque não se faz um PECLEC (*) gigante?
Só há dinheiro para o aborto?
Ai, ai. Isto de andar a reboque do Bloco...
(*) Programa Especial de Combate às Listas de Espera Cirúrgicas.
Ora, para evitar as previsíveis listas de espera para abortos, o senhor ministro vai recorrer, pagando, a clínicas privadas. Por cada aborto pagará uma determinada quantia a estabelecer. Diz ele que foi assim que se fez em Espanha. Digo eu que está na moda copiar Espanha (não tarda, estará aí o casamento de homossexuais). Mas:
Porque é que não se faz o mesmo para eliminar as outras listas de espera?
O cumprimento dos prazos só é importante no caso do aborto?
Num caso de artrose da anca, que impossibilita o doente de caminhar, o prazo não interessa?
Porque não se faz um PECLEC (*) gigante?
Só há dinheiro para o aborto?
Ai, ai. Isto de andar a reboque do Bloco...
(*) Programa Especial de Combate às Listas de Espera Cirúrgicas.
A Espanha e os gays
O Congresso espanhol aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
De acordo com a edição online do diário “El Mundo”, a proposta de lei modifica o Código Civil em 16 artigos. A substituição das palavras “marido” e “mulher”, por “cônjuges” e das palavras “pai” e “mãe” por “progenitores”, são algumas das mudanças mais significativas. Deve haver mais algumas. Por exemplo, uma das palavras que não poderá deixar de ser modificada é "filho". Deixo aqui o meu modesto contributo para a sua substituição pelo termo "cria", o qual, como todos reconhecerão, é muito mais abrangente.
Pelo "andar da carruagem" esta "modernidade" não tardará a chegar a Portugal. Não sei se me conseguirei habituar a esta nova terminologia, mas vou começar a treinar já. Daqui a pouco, quando for para a cama, direi à minha cônjuge :
"Chega-te pr'áqui, ó progenitora das nossas crias".
De acordo com a edição online do diário “El Mundo”, a proposta de lei modifica o Código Civil em 16 artigos. A substituição das palavras “marido” e “mulher”, por “cônjuges” e das palavras “pai” e “mãe” por “progenitores”, são algumas das mudanças mais significativas. Deve haver mais algumas. Por exemplo, uma das palavras que não poderá deixar de ser modificada é "filho". Deixo aqui o meu modesto contributo para a sua substituição pelo termo "cria", o qual, como todos reconhecerão, é muito mais abrangente.
Pelo "andar da carruagem" esta "modernidade" não tardará a chegar a Portugal. Não sei se me conseguirei habituar a esta nova terminologia, mas vou começar a treinar já. Daqui a pouco, quando for para a cama, direi à minha cônjuge :
"Chega-te pr'áqui, ó progenitora das nossas crias".
21 de abril de 2005
Mais mentira
Embora a contra-gosto (veja-se a posição, por exemplo, de Maria de Belém), a direcção do grupo parlamentar do PS anunciou que vai retirar a menção às "razões de natureza económica ou social" contidas na alínea c) do artigo 142.º do Código Penal. Ficaram alarmados com o número de deputados que não caíram no engodo. Agora dizem o que está na figura abaixo:

(no Público)
É mais uma mentira!
O aborto terapêutico, na proposta do PS, não tem prazo limite. O que lá está, na proposta, é o seguinte:
alínea a) Aborto a pedido - até às 10 semanas;
alínea b) Aborto terapêutico sem prazo limite;
alínea c) Aborto por razões de saúde da mãe em resultado de razões de natureza económica ou social - até às 16 semanas;
alínea d) Aborto eugénico - até às 16 semanas;
alínea e) Aborto por a gravidez ser resultante de violação - até às 12 semanas.
É fácil perceber que, retirando as razões económicas, a alínea c) fica contida na b).
Mais uma mentira!

(no Público)
É mais uma mentira!
O aborto terapêutico, na proposta do PS, não tem prazo limite. O que lá está, na proposta, é o seguinte:
alínea a) Aborto a pedido - até às 10 semanas;
alínea b) Aborto terapêutico sem prazo limite;
alínea c) Aborto por razões de saúde da mãe em resultado de razões de natureza económica ou social - até às 16 semanas;
alínea d) Aborto eugénico - até às 16 semanas;
alínea e) Aborto por a gravidez ser resultante de violação - até às 12 semanas.
É fácil perceber que, retirando as razões económicas, a alínea c) fica contida na b).
Mais uma mentira!
Choque Tecnológico
Disse hoje o ministro Pinho:
"O choque [tecnológico] faz-se, fazendo."
António Machado dizia que "o caminho faz-se, caminhando".
Ora, seguindo a mesma lógica, o ministro deveria ter dito:
O choque faz-se, chocando.
Teria dito alguma coisa.
"O choque [tecnológico] faz-se, fazendo."
António Machado dizia que "o caminho faz-se, caminhando".
Ora, seguindo a mesma lógica, o ministro deveria ter dito:
O choque faz-se, chocando.
Teria dito alguma coisa.
20 de abril de 2005
Aborto e fotos
Não. Não vou aqui publicar qualquer foto de fetos nem de fetos abortados. Não quero ferir a sensibilidade de ninguém.
Todavia, para os menos impressionáveis e mais corajosos, fica aqui este link:
http://www.econac.net/Aborto2.htm
Todavia, para os menos impressionáveis e mais corajosos, fica aqui este link:
http://www.econac.net/Aborto2.htm
Aborto e mentira
Cerca de 40 deputados socialistas assinaram uma declaração de voto sobre o projecto-lei, afirmando que votam favoravelmente mas discordam que o aborto terapêutico possa ser feito por motivos socioeconómicos.
40 deputados socialistas são muitos deputados socialistas a discordar da direcção do grupo parlamentar socialista. E 4 chegaram mesmo a votar contra.
Devagar, devagarinho, lá se vai desmascarando a ignomínia.
40 deputados socialistas são muitos deputados socialistas a discordar da direcção do grupo parlamentar socialista. E 4 chegaram mesmo a votar contra.
Devagar, devagarinho, lá se vai desmascarando a ignomínia.
Troca-tintas
A propósito dos referendos, José Sócrates sustentou que "não compete ao Governo ou aos partidos proporem datas" para a realização dos referendos e recusou-se a esclarecer se entende que a consulta sobre interrupção voluntária da gravidez se deverá realizar até ao Verão deste ano.
O primeiro-ministro fez ainda questão de frisar que aos jornalistas que, até hoje, "ninguém ouviu alguém do Governo ou o líder parlamentar do PS (Alberto Martins) proporem uma data" para o referendo sobre interrupção voluntária da gravidez.
É verdade. Não ouvi nem o líder do grupo parlamentar nem alguém do governo. Quem eu vi e ouvi avançar com a proposta do referendo sobre a constituição europeia se realizar em simultâneo com as eleições autárquicas ... foi o próprio JOSÉ SÓCRATES.
Esperteza saloia...
O primeiro-ministro fez ainda questão de frisar que aos jornalistas que, até hoje, "ninguém ouviu alguém do Governo ou o líder parlamentar do PS (Alberto Martins) proporem uma data" para o referendo sobre interrupção voluntária da gravidez.
É verdade. Não ouvi nem o líder do grupo parlamentar nem alguém do governo. Quem eu vi e ouvi avançar com a proposta do referendo sobre a constituição europeia se realizar em simultâneo com as eleições autárquicas ... foi o próprio JOSÉ SÓCRATES.
Esperteza saloia...
Bento XVI
Temos um novo Papa.
Depois da minha leitura diária dos jornais e dos blogs, concluí que a malta avermelhada não gostou da escolha. Saramago, Soares, Louçã e C.ia vêem com preocupação o futuro da Igreja.
Fiquei satisfeito! Porquê? É simples: se os tipos que, obstinadamente, têm condenado a Igreja pela maioria dos males que afligem a Humanidade, ficaram, repentinamente, preocupados com o futuro dela (da Igreja), é porque a Igreja não corre perigo. Dito de outra forma: é porque antevêem que este Papa pugnará pelos valores do cristianismo, que são intrínsecos à civilização ocidental. Temem que não advogue a (falsa) modernidade que pretendem. Nada de apoio à liberalização das "drogas leves", da homossexualidade e da eutanásia, para já nem falar do aborto. Que grande chatice!
Como diz o cáustico do CAA no Blasfémias, em sinal de protesto, no próximo Domingo nenhum deles irá à missa.
Depois da minha leitura diária dos jornais e dos blogs, concluí que a malta avermelhada não gostou da escolha. Saramago, Soares, Louçã e C.ia vêem com preocupação o futuro da Igreja.
Fiquei satisfeito! Porquê? É simples: se os tipos que, obstinadamente, têm condenado a Igreja pela maioria dos males que afligem a Humanidade, ficaram, repentinamente, preocupados com o futuro dela (da Igreja), é porque a Igreja não corre perigo. Dito de outra forma: é porque antevêem que este Papa pugnará pelos valores do cristianismo, que são intrínsecos à civilização ocidental. Temem que não advogue a (falsa) modernidade que pretendem. Nada de apoio à liberalização das "drogas leves", da homossexualidade e da eutanásia, para já nem falar do aborto. Que grande chatice!
Como diz o cáustico do CAA no Blasfémias, em sinal de protesto, no próximo Domingo nenhum deles irá à missa.
19 de abril de 2005
509%
Foi o custo "a mais" da Casa da Música!
Em 1998 estava orçada em 16,25 milhões de euros.
Acabou, 7 anos mais tarde, por custar 99 milhões. Apre!
E, apesar do balúrdio, não tem fosso para orquestra na ópera. Mas não tem mal nenhum. De acordo com a senhora Ministra da Cultura, aquela falha até "deve ser valorizada porque torna a instituição única".
Isto faz-me lembrar aquela do "não achei interessante" da ex-ministra da educação.
O que diriam os jornalistas se esta "boca" do fosso fosse com ela!
Em 1998 estava orçada em 16,25 milhões de euros.
Acabou, 7 anos mais tarde, por custar 99 milhões. Apre!
E, apesar do balúrdio, não tem fosso para orquestra na ópera. Mas não tem mal nenhum. De acordo com a senhora Ministra da Cultura, aquela falha até "deve ser valorizada porque torna a instituição única".
Isto faz-me lembrar aquela do "não achei interessante" da ex-ministra da educação.
O que diriam os jornalistas se esta "boca" do fosso fosse com ela!
18 de abril de 2005
O desastre da Matemática
Com a devida vénia à Pública, edição de 17/04/2005, vou aqui reproduzir o texto de uma entrevista a Nuno Crato, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática. É que isto é muito raro. Um presidente de uma associação de professores a falar sem medo de ir contra o "politicamente correcto", desassombradamente, é quase inédito. Ora leiam (os "azuis" são meus):
A Matemática não é só um problema em Portugal.
Não, mas em Portugal a situação é mais grave do que a média na OCDE e mais grave do que na maioria dos países europeus. É um problema com 20 ou 30 anos e que vem persistindo, ao mesmo tempo que têm sido implementadas reformas sem sucesso. Falo do ensino da Matemática e do ensino em geral. Só que a Matemática funciona como um barómetro e como é mais mensurável o insucesso verifica-se mais nesta disciplina. Mas o problema do insucesso é generalizado às disciplinas básicas.
A quem atribuir a culpa?
Esta situação deve-se a uma conjugação de factores sociais e da escola. Mas a verdade é que estamos a falhar. Reconhecê-lo é um primeiro passo. E repare-se que a preocupação com o que se passa generalizou-se na sociedade portuguesa, com uma excepção: os teóricos da pedagogia que se recusam a reconhecer os problemas existentes. Não conheço soluções milagrosas, nem me parece que se devam fazer grandes reformas. Mas há algumas coisas que se podem fazer, se devem fazer e não se fazem. Talvez se deva começar por aí.
Por onde?
Melhorar a formação dos professores e submeter a sua entrada na carreira a critérios mais objectivos. Actualmente o único critério para se entrar na carreira é a nota final da licenciatura. Ora, isto tem um efeito perverso, que é incentivar os alunos a deslocar-se para escolas mais facilitistas e convida estas últimas a inflacionar as notas. Solução? Podia-se exigir um exame de entrada na profissão, implementar um factor de avaliação externo.
Outro exemplo de medidas que se podiam tomar e não tomam é a instituição de uma formação matemática mínima para os professores do ensino básico. Veja-se, por exemplo, que a formação dos professores que vão leccionar o primeiro ciclo é feita em escolas superiores de educação onde a formação em Matemática é muito variada. Repare-se que se pode entrar nestas escolas tendo deixado a Matemática no 9 ° ano e até tendo sempre chumbado a esta disciplina. Mas depois pode-se ensinar Matemática...
Outro exemplo de coisa a mudar é a indefinição de programas. Destruiu-se o currículo do ensino básico em nome da teoria das competências, o que foi um dos piores erros da teoria pedagógica romântica. Substituíram-se conhecimentos por ideias gerais. O documento das "Competências Essenciais" de 2001 pretende fazer isso: substituir programas e conhecimentos determinados por um conjunto de competências abstractas e vagas. Os resultados estão à vista, reflectem a inconsciência que foi adoptar este regime.
Uma questão concreta: é importante saber a tabuada de cor?
Sim, embora não chegue. Mas o problema da pedagogia romântica é o de substituir uma coisa que não chega por nada. O eixo desta pedagogia baseia-se na existência de uma oposição entre compreensão e mecanização, esquecendo que, ao mecanizar, ao automatizar, liberta-se o cérebro para o raciocínio. Nos programas de Matemática do 1º ciclo, que não foram abolidos, pois apenas se instituíram competências essenciais, diz-se, por exemplo, que o aluno pode usar a máquina de calcular sempre que queira. Não é isto um disparate completo?
É lá, que o homem não tem papas na língua. Será que vamos começar a pôr na ordem os tipos das "Ciências" da Educação?
A Matemática não é só um problema em Portugal.
Não, mas em Portugal a situação é mais grave do que a média na OCDE e mais grave do que na maioria dos países europeus. É um problema com 20 ou 30 anos e que vem persistindo, ao mesmo tempo que têm sido implementadas reformas sem sucesso. Falo do ensino da Matemática e do ensino em geral. Só que a Matemática funciona como um barómetro e como é mais mensurável o insucesso verifica-se mais nesta disciplina. Mas o problema do insucesso é generalizado às disciplinas básicas.
A quem atribuir a culpa?
Esta situação deve-se a uma conjugação de factores sociais e da escola. Mas a verdade é que estamos a falhar. Reconhecê-lo é um primeiro passo. E repare-se que a preocupação com o que se passa generalizou-se na sociedade portuguesa, com uma excepção: os teóricos da pedagogia que se recusam a reconhecer os problemas existentes. Não conheço soluções milagrosas, nem me parece que se devam fazer grandes reformas. Mas há algumas coisas que se podem fazer, se devem fazer e não se fazem. Talvez se deva começar por aí.
Por onde?
Melhorar a formação dos professores e submeter a sua entrada na carreira a critérios mais objectivos. Actualmente o único critério para se entrar na carreira é a nota final da licenciatura. Ora, isto tem um efeito perverso, que é incentivar os alunos a deslocar-se para escolas mais facilitistas e convida estas últimas a inflacionar as notas. Solução? Podia-se exigir um exame de entrada na profissão, implementar um factor de avaliação externo.
Outro exemplo de medidas que se podiam tomar e não tomam é a instituição de uma formação matemática mínima para os professores do ensino básico. Veja-se, por exemplo, que a formação dos professores que vão leccionar o primeiro ciclo é feita em escolas superiores de educação onde a formação em Matemática é muito variada. Repare-se que se pode entrar nestas escolas tendo deixado a Matemática no 9 ° ano e até tendo sempre chumbado a esta disciplina. Mas depois pode-se ensinar Matemática...
Outro exemplo de coisa a mudar é a indefinição de programas. Destruiu-se o currículo do ensino básico em nome da teoria das competências, o que foi um dos piores erros da teoria pedagógica romântica. Substituíram-se conhecimentos por ideias gerais. O documento das "Competências Essenciais" de 2001 pretende fazer isso: substituir programas e conhecimentos determinados por um conjunto de competências abstractas e vagas. Os resultados estão à vista, reflectem a inconsciência que foi adoptar este regime.
Uma questão concreta: é importante saber a tabuada de cor?
Sim, embora não chegue. Mas o problema da pedagogia romântica é o de substituir uma coisa que não chega por nada. O eixo desta pedagogia baseia-se na existência de uma oposição entre compreensão e mecanização, esquecendo que, ao mecanizar, ao automatizar, liberta-se o cérebro para o raciocínio. Nos programas de Matemática do 1º ciclo, que não foram abolidos, pois apenas se instituíram competências essenciais, diz-se, por exemplo, que o aluno pode usar a máquina de calcular sempre que queira. Não é isto um disparate completo?
É lá, que o homem não tem papas na língua. Será que vamos começar a pôr na ordem os tipos das "Ciências" da Educação?
Livra!!!
17 de abril de 2005
O ex-libris da tugosfera
Aceitei o convite da amiga BlueShell para participar nesta cadeia de literatura, inciativa do Abstracto Concreto II.
Então, lá vai:
Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Para ser queimado? Então, podia ser “O Capital”
Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
Bem, “apanhadinho” mesmo, mesmo, não, mas a Lara Croft...
Qual foi o último livro que compraste?
“Os novos líderes – A inteligência emocional nas organizações” de Daniel Goleman
Qual o último livro que leste?
“O comprimido da liderança” de Ken Blanchard
Que livros estás a ler?
Nenhum! Estou de licença sabática.
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Pressupondo que era para uma longa estadia, levaria os Tolkien todos e os Saramagos que ainda não li (muitos). Todavia, preferiria uma assinatura do Público.
A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
À Estrela do Mar – http://clavedelua.blogspot.com/. Parece-me uma senhora, inteligente, sensível e não depressiva.
Ao João Campos – http://desteladodoespelho.blogspot.com/. É um jovem estudante, culto, esclarecido e, já agora, sportinguista.
Ao Ruvasa – http://ruvasa.blogspot.com/. Embora benfiquista, é um homem com bom gosto e é de Setúbal, cidade a que me ligam laços familiares.
Então, lá vai:
Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Para ser queimado? Então, podia ser “O Capital”
Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
Bem, “apanhadinho” mesmo, mesmo, não, mas a Lara Croft...
Qual foi o último livro que compraste?
“Os novos líderes – A inteligência emocional nas organizações” de Daniel Goleman
Qual o último livro que leste?
“O comprimido da liderança” de Ken Blanchard
Que livros estás a ler?
Nenhum! Estou de licença sabática.
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Pressupondo que era para uma longa estadia, levaria os Tolkien todos e os Saramagos que ainda não li (muitos). Todavia, preferiria uma assinatura do Público.
A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
À Estrela do Mar – http://clavedelua.blogspot.com/. Parece-me uma senhora, inteligente, sensível e não depressiva.
Ao João Campos – http://desteladodoespelho.blogspot.com/. É um jovem estudante, culto, esclarecido e, já agora, sportinguista.
Ao Ruvasa – http://ruvasa.blogspot.com/. Embora benfiquista, é um homem com bom gosto e é de Setúbal, cidade a que me ligam laços familiares.
Fomos descobertos
Os jornalistas descobriram que faltamos às aulas e que o o nosso "patrão" não sabe.
Até os pais, através da sua confederação, já sabem e apelidam a situação de escandalosa.
Lá se vai o nosso bendito artigo 102º; aquele dá para faltarmos 2 dias em cada mês sem ter que "dar cavaco" a quem quer que seja. Valha-nos Deus.
Com este governo tão activo no combate ao corporativismo, estamos tramados. Vai acontecer-nos o mesmo que aos farmacêuticos e aos juízes. Como todos sabem, nestes dois casos, o primeiro-ministro actuou com uma invulgar celeridade, e já fez aprovar leis corajosas que defendem o interesse dos cidadãos. O nosso caso não escapará a esta lógica de eficácia governativa.
Até os pais, através da sua confederação, já sabem e apelidam a situação de escandalosa.
Lá se vai o nosso bendito artigo 102º; aquele dá para faltarmos 2 dias em cada mês sem ter que "dar cavaco" a quem quer que seja. Valha-nos Deus.
Com este governo tão activo no combate ao corporativismo, estamos tramados. Vai acontecer-nos o mesmo que aos farmacêuticos e aos juízes. Como todos sabem, nestes dois casos, o primeiro-ministro actuou com uma invulgar celeridade, e já fez aprovar leis corajosas que defendem o interesse dos cidadãos. O nosso caso não escapará a esta lógica de eficácia governativa.
16 de abril de 2005
Apito Dourado
Depois da edição relativa à época 2003/2004, deve realizar-se outra para o corrente campeonato. Talvez assim se venha a compreender porque é que, tendo um certo norueguês "entrado" violentamente sobre um defesa da equipa adversária, derrubando-o, um tal árbitro tenha favorecido a equipa faltosa, assinalando um livre directo, do qual resultou um ponto, que pode vir a ser precioso, marcado por um determinado "pretus".
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