5 de junho de 2005

Pandinha


Estes Pandas da China são uns seres lindos e ternurentos, como a foto bem ilustra. Mas têm um problema: reproduzem-se pouco.
O Azurara tem matutado no mistério mas ainda está cheio de dúvidas. Contudo, chegou a duas grandes linhas para futura investigação:
Por um lado, pode acontecer que, à semelhança de Portugal e das portuguesas, as exigências da vida moderna, o ritmo frenético do dia-a-dia, a carestia, a liberdade para ir ao cinema ou ao bar, enfim, o “eu”, esteja a levar as pandas a tomar precauções redobradas para evitar gravidezes indesejadas.
Por outro, pode acontecer que os pandas tenham sido “apanhados” por um gene parecido com o destas moscas e, consequentemente, tenham passado a interessar-se mais por cortejar indivíduos do mesmo sexo.
Esta última hipótese, contudo, apresenta, à partida, uma fragilidade: é que, ao que consta, contrariamente às moscas, as fêmeas panda não terão "abandonado um comportamento passivo passando cortejar espécimens de ambos os sexos”.

4 de junho de 2005

Náusea

Sou dos que defendem que os titulares de cargos políticos devem ser remunerados de tal modo que o respectivo exercício seja atractivo e competitivo do ponto de vista financeiro. Não é defensável que a participação num Governo se traduza em prejuízo para quem o integra. Não é aceitável que alguém vá para um Governo auferir um vencimento menor que aquele que recebia antes. Tem de ser ao contrário. Participar num Governo tem de ser financeiramente aliciante. Chega do discurso hipócrita do “serviço” e do “sacrifício”.
E vou mais longe: no sector público não pode haver remunerações superiores às auferidas pelos membros do Governo. O presidente de uma empresa ou de um instituto público, não pode ganhar mais do que um ministro.
As razões que fundamentam esta minha posição parecem-me óbvias. Todavia, vou aqui explicitar duas delas:
A primeira é:
Temos de acabar com a ideia segundo a qual “o que é bom é ser ex-ministro”, que é como quem diz, ir para a GALP, ou para as Águas, ou para outra coisa qualquer onde se ganha muitíssimo mais que no ministério.
A outra é:
É preciso acabar com este nojo que tem vindo a público:

Luís Campos e Cunha recebe oito mil euros brutos, mensalmente, por conta do Fundo de Pensões do Banco de Portugal, onde trabalhou entre 1996 e 2002. E soma esse valor ao ordenado de ministro, cerca de 6.400 euros, tam­bém brutos.
Mário Lino tem duas pensões de reforma que, no total, em 2004, lhe renderam 80 mil euros bru­tos. Uma delas é proveniente de um fundo privado, do extinto IPE, onde Lino foi administrador entre 1996 e 2002.”

Vejam bem. 6 anos de trabalho valem 1.600 contos por mês, vitalícios e acumuláveis, porque provindos de regimes especiais. Um nojo!

Havia uma regra que limitava (limita) a acumulação válida para todos os reformados da Função Pública, que recebem pensões de reforma da CGA e que venham a ter um empre­go com salário fixo no Estado após estarem reformados.
“Este princípio foi apli­cado, pela primeira vez, quando Cavaco Silva era primeiro-ministro. Na altura, o Governo determinou que ninguém po­dia acumular pensões e ordenados do Es­tado em valores que ultrapassassem o or­denado do chefe do Governo.
A pensão que Campos e Cunha recebe do Banco de Portugal só passou a existir em 1998, quando o agora ministro era vice-governador, fazendo parte de um regime especial previsto apenas para os administradores do banco. Este regime foi proposto pelo Governador de então, António de Sousa, e aceite pelo ministro das Finanças, à época Sousa Franco. Aliás, António de Sousa repe­tiu a fórmula mais tarde, quando diri­giu a Caixa Geral de Depósitos.”
(lembram-se do Mira Amaral? Afinal foi Sousa Franco que lhe deu a pensão.)

Finalmente, “estes casos diferem do de Alberto João Jardim, que viu aprovada a sua pensão de reforma da Caixa Geral de Aposentações, equivalente a 90% do ordenado de presidente do Governo Regional (cerca de 4 mil euros). Jar­dim vai receber a pensão, apesar de continuar a ocupar o cargo. Mas, de acordo com o Regime Geral da CGA, só poderá receber um terço do salário de presidente do Governo Regional.”

Estais a ver o que aconteceu entre 1996 e 2002? Estais a ver como funcionou o Partido Socialista? Então estais a ver como vai continuar a funcionar!

(todas as citações são de Graça Rosendo - Expresso de 4/6/2005, página 3)

86 - 60 - 86

Já era!
Agora, isto é considerado de "desgaste rápido".

Segundo se diz aqui, as senhoras que têm umas anquinhas generosas (mais de 1 metro) correm menos riscos de adoecer. Portanto, tomem nota: curvilíneas e opulentas. Nada de "escanzeladas".
Parabéns às contempladas.

3 de junho de 2005

Assassinato ou Suicídio?


(leia tudo aqui)
Tenho para mim que este pobre reformado não está a ser vítima de um "assassinato de carácter" como diz o Eng. Scrótas.
Temo que, confrontado com a ruína prematura e com a total ingovernabilidade deste país, o senhor prefira ir gozar a reforma, obtida aos 49 anos e após denodado esforço durante 6 longos anos, para paragens mais tranquilas.
Sabem, há notícias que "têm pernas". Por isso, temo que ...

Muito posutiva

é esta nota de imprensa da FENPROF que, como se sabe, é a maior organização de professores deste país.

A sessão da tarde, presidida por Jacinta Vital, começou com a apresentação dos resultados do estudo, do qual se podem destacar, de forma sucinta, quatro questões fundamentais:
1. A avaliação relativa à criação dos agrupamentos constituídos antes de 2003 é claramente posutiva, em contraste com uma maioria de opiniões negativas no caso dos agrupamentos criados após 2003;
2. Os objectivos apontados pela administração para a (re)constituição dos agrupamentos não foram alcançados, sendo significativo que, dos vinte aspectos explicitados no questuionário, nenhum tenha obtido uma avaliação positiva quanto ao grau de concretização;
3. O sector da educação/ensino e o exercício ou não de cargos estão na base de alguma dioversidade de opiniões em relação ao impacto no terreno dos agrupamentos;
4. Os professores do 1º Ciclo do Ensino Básico têm opinião mais negativa sobre a realidade actual, considerando que este processo contribui para a menorização deste sector de ensino.

O Azurara lamenta não ter tido acesso ao questuionário que revelou a existência da alegada dioversidade de opiniões, que culminou com a conclusão de que o processo (do agrupamento de escolas) só foi posutivo até passar a ser obrigatório.

Alguém me explica

como é que se consegue fazer isto?

Como é que o (um) Governo faz para conseguir fazer baixar o preço de um produto?
É que se isto é possível, então temos o nosso problema resolvido num ápice. Basta o Governo desatar a fazer Despachos (também podem ser Portarias) a definir preços das coisas. Vamos a alguns exemplos:
As empresas produtoras e distribuidoras, suportarão a descida em 6% dos seguintes produtos:
- Pão
- Gasóleo
- Peixe (ficando excluído o Cherne)
- Cocaína, Heroína, Crack, e afins (ficando excluída a Cannabis)
- Cerveja a copo
and so on...
Tell me please

2 de junho de 2005

Uma "pérola" de 1974


Sobrinhita minha, 5 anitos, decidiu investigar os "arquivos" e encontrou esta, e outras, "pérolas" do início da nossa democracia. Podeis ver o "rolhas" às voltas com o COPCON, no tempo do PREC, com a Liberdade e Democracia nas mãos. Para quem não é desse tempo...

1 de junho de 2005

Teste - Proposta de solução

Sim, pois então. Modernamente não "soluções" nem "respostas". Há propostas.
Então:
1. a) Aproximadamente 5.550 contos, com a seguinte discriminação: 5.000 do terreno; 200 do desenhador (na realidade Joaquim pagou-lhe 500, mas ele só lhe passou um recibo de 150 e um outro, para o engenheiro que assinou, de 50); 200 de despesas com pessoal (Joaquim e esposa); 50 de despesas diversas (taxas, licenças, etc.); 100 contos de materiais de construção.

1. b) Receitas – 5.500 contos.

2. Lucro – Não houve lucro, mas sim prejuízo. 50 contos. A vida está mal. É a crise…

3. Imposto – 0 (zero)

4. 100 contos. Como o camião dos tijolos não foi interceptado pela fiscalização durante o transporte, a guia de remessa foi rasgada e a empresa emitiu outra, com o mesmo número e data, mas relativa a uma só palete de tijolo. Aconteceu o mesmo com as vigas, o cimento e a telha. A partir do momento em que Manuel adquiriu o lote, as facturas passaram a ser emitidas em seu nome – consumidor final – mantendo-se o esquema.


Todos acertaram. Parabéns! Portugal é um país de fiscalistas.

P.S.: Um grande construtor não ganha este balúrdio, livre de impostos, com esta facilidade.

Teste os seus conhecimentos de fiscalidade

Para testar os seus conhecimentos sobre fiscalidade portuguesa, queira resolver o problema cujo enunciado se segue:

Joaquim, pequeno construtor civil, empresário em nome individual, adquiriu por 5.000 contos um lote urbano, mandou fazer um projectozinho, requereu as necessárias licenças camarárias, e iniciou a construção de uma moradia unifamiliar.
A construção já vai avançada quando Manuel a vê. Conversa com Joaquim, acertam um preço (50.000 contos), e Manuel adquire a vivenda. Mas a casa não está acabada. Está em construção. Então, fazem a escritura de compra e venda do lote por 5.500 contos e requerem à Câmara uma “transferência de titular de obra particular” que é deferida.
Com este procedimento expedito e legal, Manuel torna-se auto-construtor da sua própria casa. Joaquim, por seu lado, sai de cena. Mas só aparentemente. Na realidade, Joaquim continua a construir a casa de Manuel, já que o preço acordado era para a casa construída.
Terminada a construção, Manuel procede ao registo da propriedade e Joaquim vai iniciar outra construção.
Perguntas:
1) Na contabilidade de Joaquim,
a) Que valores foram escriturados como despesas?
b) Que valores foram escriturados como receitas?
2) Qual foi o lucro (bruto) que Joaquim obteve nesta operação?
3) Qual foi o montante de imposto que Joaquim liquidou?
4) Nas contabilidades dos fornecedores de Joaquim (tijolos, cimento, etc), que valores foram escriturados como vendas a Joaquim?


As respostas serão publicadas na próxima edição.

31 de maio de 2005

A LOTARIA DO IVA

Miguel Beleza, ex-ministro das finanças, salvo erro ontem, via TV, deu uma ideia que achei fantástica: uma LOTARIA DO IVA.
Segundo ele, seria uma espécie de totomilhões para os contribuintes, isto é, para todos nós.
Para que o contribuinte se habilitasse ao sorteio, deveria guardar os seus documentos de compra. Quantos mais tivesse, mais hipóteses teria de ser sorteado e de ganhar a “massa”.
Para isso, cada factura, venda-a-dinheiro, talão de pagamento, etc., de qualquer bem ou serviço, teria impresso um número. Nós, os consumidores, iríamos coleccionando os documentos. Então, com determinada periodicidade, procedia-se ao sorteio de um número.
Achei muito interessante. Uma lotaria do IVA!!!
Diz ele que já viu isto em funcionamento num país qualquer. Gostava de saber qual. Alguém sabe?
Mais disse que os problemas que isto tem são meramente técnicos. Digo eu que são de simples resolução. De facto, todos os documentos de venda são numerados e datados, e todos quantos vendem ou prestam serviços têm um número de identificação – o número de contribuinte, que também está impresso no dito documento. Assim, bastava que o número a sortear resultasse da associação do número de contribuinte com o número do documento. Obtém-se, sempre, um número irrepetível. E, claro, seriam válidos os talões entre as datas tal e tal. Simples, a meu ver.
Será que a malta iria pedir os talões e as facturas em todo o lado?
Será que nos converteríamos todos em “bufos”?
Digam lá o que pensam.

Quem tudo quer...

Hoje não posso escrever.
Entretanto, aconselho vivamente a leitura deste post.
Vão lê-lo. É sobre impostos e o homem sabe do que fala.

30 de maio de 2005

Hans Zimmer

Broken Arrow Soundtrack - 1995

Hoje ganhou o melhor

Mas, para que fique a constar, vou aqui deixar o relato da palhaçada. Estava tudo combinado. Só que, por enquanto, os árbitros ainda não podem chutar a bola para dentro da baliza. De qualquer forma, este fez tudo o que lhe era possível. O Benfica é que só entrou na área do Setúbal uma vez - a do penalti. Então:

4 min – Geovani deixa-se cair na área à saída do guarda-redes. O árbitro, colocado no meio do campo, a cerca de 40 metros, não tem dúvida e assinala grande penalidade;
6 min – Petit, em zona frontal junto à pequena área, atrasa a bola para Moreira, que a agarra. Livre indirecto, perigosíssimo, que fica por marcar;
14 min – Manuel Fernandes pontapeia Meyong que fica a contorcer-se. O árbitro nada vê;
20 min – Simão perde a bola. Livre contra o Vitória;
21 min – Petit perde a bola. Livre contra o Vitória;
22 min – Nuno Gomes salta mas não chega à bola. Livre contra o Vitória;
23 min – O árbitro assinala a primeira falta contra o Benfica. Aplausos nas bancadas;
25 min – Alcides faz obstrução a Meyong junto à linha final. Nada;
26 min – Ricardo Rocha, no estilo clássico dos ponta-de-lança, bate Moreira sem apelo nem agravo;
29 min – Livre contra o Vitória. Jogada estudada do Benfica. Simão e Petit correm para a bola e … nenhum a chuta;
33 min – Simão agride um adversário mas é amnistiado;
34 min – Alcides cavalga Meyong. Nada;
35 min – Nuno Assis agride um adversário. Nada;
39 min – Alcides empurra ostensivamente Jorginho junto à linha fina. Nada;
40 min – “Não há Benfica no Estádio Nacional”, diz Gabriel Alves;
41 min – O árbitro interfere no jogo, impedindo Meyong de chegar à bola;
44 min – Geovani atira-se novamente para o chão. Falta contra o Vitória;

Intervalo

46 min – Bárbara agressão de Ricardo Rocha a Meyong. Nada;
50 min – Petit tenta assassinar Meyong. Nada;
53 min – Nuno Assis insiste em deixar-se cair na relva.
54 min – Fyssas sai com cara de poucos amigos;
56 min – Nuno Gomes atropela Hugo Alcântara. Cartão amarelo para o sadino;
60 min – Simão dá o braço a Jorginho arrastando-o para o chão. Cartão amarelo para o setubalense. Apesar da maca, Simão sai pelo seu pé;
64 min – Primeiro remate do Benfica em todo o jogo. Manuel Fernandes é o autor;
66 min – Nuno Gomes pontapeia a atmosfera. Segundo Gabriel Alves, por causa do vento;
68 min – O árbitro arranca um fora de jogo inexistente a Meyong;
71 min – O árbitro assinala uma falta contra o Setúbal a pedido de Nuno Gomes;
72 min – Golasso do Vitória;
74 min – Entra Mantorras;
76 min – Fabuloso remate de Geovani com a bola a descrever uma trajectória fantástica, saindo junto à bandeirola de canto;

77 min - Toda a gente se entreolha aguardando o segundo penalti da tarde;
91 min – Alcides, logo imitado por Delibasic, tenta cometer genocídio sobre toda a defesa sadina;
96 min – Fim do jogo.


O árbitro não teve hipóteses.

28 de maio de 2005

Dia de feira (medieval) nas Terras de Azurara

Decorre hoje e amanhã, Domingo, a 3ª edição da Feira Medieval, a qual tece início aquando das comemorações dos 900 da Carta de Foral. Ficam aqui algumas fotos.

A tropa nunca pode faltar nestas coisas onde se junta muito povo.

O secretariado, nos conformes como se pode ver, recebia os mercadores.

O espaço reservado para a feira incluía os largos Pedro Álvares Cabral e da Misericórdia. Mas era neste último, à sombra da Igreja, que se instalaram os principais mercadores.

Tudo se vendia e comprava. Aqui, ervas, alimárias e burros...

Aqui, passarada e aves raras.

Mas também havia animação para espairecer a alma. Cantores...

Músicos...

Bailarinas...

E acrobatas.

Por causa de uma dama particularmente fermosa, houve porrada...

Mas o cirurgião estava lá e, diga-se, apetrechado com o "estado da arte" da tecnologia.

E, ao que parece, o povo gostou da festa.

O pai do "monstro"


Na edição de amanhã do Expresso, o da direita acusa o da esquerda de ser o legítimo pai do "monstro" – o défice. Em 1989, Cadilhe era ministro das finanças de Cavaco, mas diz que o pacote legislativo que aprovou o NSR (Novo Sistema Retributivo da Função Pública) foi conduzido directamente pelo primeiro-ministro. Se a legislação é da autoria de um ou do outro, não interessa nada. O que interessa é que foi a partir de então que os funcionários públicos passaram a ter um estatuto remuneratório digno. Esta é, de resto, uma das medidas que todos nós, os funcionários públicos, devemos àquele governo do PSD.
Cavaco esteve muito bem ao aumentar a Função Pública. Terá estado mal quando manteve uma série de privilégios que deixaram de fazer sentido no novo quadro remuneratório. Nomeadamente, Cavaco manteve a progressão automática e não teve a coragem para, em simultâneo com o aumento de vencimento, fazer aprovar um sistema de avaliação consequente, verdadeiro "calcanhar de Aquiles" da Administração Pública Portuguesa.
Mas, repare-se, Sócrates não anunciou nada nesta matéria. Melhor dizendo, Sócrates só falou em aumento da receita. Não tocou na contenção da despesa. Aí o regabofe vai continuar.

27 de maio de 2005

Publicitação do IRS

Tenho lido por aí muitas críticas a esta "proclamação" do primeiro-ministro. Alega-se que visa transformar cada português num "bufo".
Ora bem, como eu não tenho nada a esconder e declaro tudo o recebo, não tenho qualquer receio de ser "bufado". E, se o for, não terei problemas em demonstrar que não fugi a qualquer imposto. Por outro lado, conheço vários casos de pessoas que fogem descaradamente ao fisco. E, contrariamente ao que por aí se faz correr, não são os grandes industriais e congéneres que mais fogem. Nada disso. São aquelas pessoas que exercem profissões liberais prestando serviços directamente ao consumidor final. Sem querer generalizar, falo de electricistas, canalizadores, pintores, estucadores, etc. Pessoas que, normalmente, declaram o rendimento mínimo nacional, mas que ganham várias vezes aquele valor. Historicamente, criámos a cultura da fuga ao imposto. "Só paga quem é burro.". Cultura que é partilhada pelos próprios funcionários tributários, que nem estranham quando lêem a declaração de um tipo que sabem que tem uma fantástica vivenda, ganha com o salário mínimo nacional. Milagres...
É preciso combater esta cultura. Pagar impostos é um acto de cidadania!
Nesta lógica, publiquem-se, também através da Internet, as declarações de IRS.
E vivam os bufos!

Jonh Williams


Hoje fui ver o Episode III do Star Wars.
Por isso, alterei o meu soundtrack. Não gosto muito do John Williams. É tudo muito parecido. Indiana Jones, Star Wars, Fanfarra dos Jogos Olímpicos... Mas fica aqui. Por uns dias.

Uma história de merda

É aquela que aqui vou contar. Vem a propósito do Mocho ter ripostado ao meu post anterior dizendo que a avenida cheira àquela coisa. É uma história longa, mas não há outra maneira de a contar. Interessa especialmente aos daqui, mas, eventualmente, pode aplicar-se a outros protagonistas noutras cidades e vilas deste país. Vamos lá então:

Era uma vez um autarca socialista. Tinha ganho as eleições em Mangualde com escassos 11 votos de vantagem. Não tinha maioria, mas isso não o atrapalhou. Era um jovem brilhante, dotado de invulgar perspicácia e de uma notável capacidade de argumentação, qualidades que utilizava para aumentar o seu natural magnetismo. Governou durante 18 anos, tendo começado numa época muito especial. Uma época em que era fácil mostrar “obra” porque TUDO estava por fazer. Além disso, teve a felicidade de apanhar a fase da primeira transferência de competências para o poder local, a Lei das Finanças Locais, e, melhor que tudo, o grande “boom” dos “fundos da CEE”. Naquele tempo havia dinheiro para tudo, fosse para a Câmara, fosse para as empresas. Uma época, irrepetível, de franco desenvolvimento. Desta forma, o autarca granjeou uma admiração, uma aura, uma verdadeira mística, à qual poucos se podem gabar de terem permanecido indiferentes. O próprio Azurara se deixou conquistar e, durante algum tempo, deu a cara por aquele projecto.
Um belo dia, o autarca acordou pela manhã e interrogou-se: então, o que é que vou fazer hoje? Ah, já sei! Vou fazer uma avenida direitinha à Senhora do Castelo.
E se bem o pensou, mais depressa o fez. Num instantinho, lá se rasgou a nova avenida. Ficou linda! É claro que tinha alguns problemas: não ia dar a lado nenhum, não tinha saída, não tinha drenagem de águas pluviais e não estava dimensionada para suportar grandes cargas. Mas eram tudo coisas que não se viam. Por isso, o povo gostou e recompensou-o com muitos votos.
Passados alguns anos, um promotor imobiliário pediu autorização para construir, com frente para a avenida, um conjunto de edifícios de apartamentos (os alaranjados que se vêem na foto e que marcam o primeiro quarto da avenida). Que sim, disse o autarca. Só que, na pressa com a construção da dita artéria, além dos outros pormenores já referidos, o autarca deu conta que se havia esquecido das canalizações de água e esgotos (dizia-se que os esgotos não davam votos porque ficavam enterrados) e da electricidade. Mas isso não o fez indeferir o pedido de construção. Pelo contrário, resolveu os problemas todos num ápice. Quanto à água, mandou-se instalar a respectiva canalização; para a energia eléctrica, permitiu-se que fosse abastecida através de um cabo em torçada pendurado em troncos de pinheiro, a partir do PT do Mercado; no que respeita aos esgotos, foi o construtor autorizado a construir uma belíssima fossa séptica, mesmo ao lado dos prédios.
Só que, rapidamente a fossa séptica deixou de ter capacidade para tanto efluente (as máquinas de lavar louça e roupa foram a desgraça das fossas). Por isso, a fossa encheu e tornou-se necessário despejá-la. Mas, ao fim de mais algum tempo, veio a perceber-se que tal não era possível; só se fosse todos os dias, o que custaria um balúrdio.

Ora, acontece que, mesmo em frente aos ditos prédios, havia um belo lameiro onde cresciam umas silvas. E, meus amigos, nem queiram saber com o silvado cresceu e verdejou, alimentado por todos aqueles nutrientes.
Obra do actual executivo municipal, a avenida já tem energia eléctrica (como as fotos documentam), rede de águas pluviais e rede de esgotos. Só falta completar a ligação à ETAR da bacia Norte, o que está para breve.
Contudo, de quando em vez, ainda cheira, lá isso cheira.

Conclusão:
Quando se faz, deve fazer-se bem!

26 de maio de 2005

A galinha da vizinha (II)

O Micróbio sugeriu que eu aqui colocasse a Senhora do Castelo, o Ex-libris de Mangualde. Pois cá está:

O Monte visto da avenida como o mesmo nome. À direita, os edifícios do Mercado Municipal Dr. Diamantino Furtado (Dr. Dino)

Aqui já se distinguem as "capelinhas" que marcam as "escadinhas" com os seus 365 degraus. A arquitectura do Hotel, da década de 80, provocou alguma descaracterização da paisagem.

Finalmente, a Ermida de Nossa Senhora do Castelo.

25 de maio de 2005

Surpreendido

Estupefacto, mesmo.
Nunca pensei que José Sócrates fosse avançar com medidas concretas (devo um jantar ao Mocho). Mas foi. E que medidas. É claro que falta conhecer a respectiva regulamentação e, mais ainda, resta ver se passarão na Assembleia da República (algumas das medidas só foram aplaudidas pelo PSD!!!). Todavia:

  • Aumento da taxa de IVA para 21%;
  • Aumento do imposto sobre o tabaco;
  • Aumento do imposto sobre os produtos petrolíferos;
  • Aumento da idade de reforma na função pública para 65 anos;
  • Cálculo do montante da pensão de aposentação na função pública segundo as regras do regime geral (que porrada!);
  • Nova taxa de IRS de 42% para quem ganha mais de 60.000€ (p.e. um casal de professores no 10º escalão – classe média);
  • Suspensão da progressão automática nas carreiras (p.e. professores);
  • Novas entradas na função pública segundo as regras do regime geral (p.e. professores)

Porra! É muito! Ao pé disto, o pacote laboral do Bagão Félix foi um bombom.

Mas… Mas então, depois de tudo isto, depois de ficarmos “de tanga”, o défice de 2005 só vai diminuir em 0,63%? Só?
O que é que nos não disseram? O que é que nos falta saber? Que despesas é que ainda aí vêm?