Jovem amigo deu-me conta de uma inquietação. A mulher, 21 anos, bebé de colo, desempregada, tinha recebido uma carta do Instituto de Emprego. Perguntei-lhe:
- Então qual é o teu problema?
- É para ir para a tropa.
- Estás tolo? Não pode ser. Agora só vai quem quer.
- Olhe que é verdade. Vai para a tropa.
- Não pode ser. Mostra lá a carta.
E lá estava:
Apresentação obrigatória para oferta de emprego no Serviço Militar Voluntário.
A rapariga não vai aceitar, mas não pude deixar de pensar na inteligência do pensador que pensou nesta forma de fazer pensar que os números do desemprego baixam.
25 de janeiro de 2006
24 de janeiro de 2006
Cartas
Hoje à noite, no café, deram-me a ler várias cartas antigas. De entre entre elas, interessou-me especialmente a que abaixo transcrevo, da qual omiti um único parágrafo.
Quem a escreveu?
Quando?
Qual o destinatário?
Senhor Presidente:
Estive uns dias no Alentejo, em Serpa, distrito de Beja.
Ambiente de grande inquietação da lavoura por causa da estiagem, que, a prolongar-se, originará a catástrofe. Queixas unânimes contra o preço do trigo, que dizem tornar ruinosa a cultura. Crise da cortiça. O gado suíno pouco remunerador. Fome na gente pobre, que trabalha poucos dias no ano (180 nos anos regulares: se continua assim o corrente, nem tanto) com salários baixos. Enfim, apesar dos dias primaveris, um ambiente carregado, cujas razões tratei de contrastar ouvindo os técnicos imparciais (agrónomos e veterinários).
É urgente olhar para o Alentejo.
…
Disponha sempre do
amigo muito dedicado e admirador
Quem a escreveu?
Quando?
Qual o destinatário?
Senhor Presidente:
Estive uns dias no Alentejo, em Serpa, distrito de Beja.
Ambiente de grande inquietação da lavoura por causa da estiagem, que, a prolongar-se, originará a catástrofe. Queixas unânimes contra o preço do trigo, que dizem tornar ruinosa a cultura. Crise da cortiça. O gado suíno pouco remunerador. Fome na gente pobre, que trabalha poucos dias no ano (180 nos anos regulares: se continua assim o corrente, nem tanto) com salários baixos. Enfim, apesar dos dias primaveris, um ambiente carregado, cujas razões tratei de contrastar ouvindo os técnicos imparciais (agrónomos e veterinários).
É urgente olhar para o Alentejo.
…
Disponha sempre do
amigo muito dedicado e admirador
De cuecas
Como já aqui disse muitas vezes, adoro cães. Isso mesmo: cães!
De cadelas nunca soube muito. A não ser que têm cio. Como, aliás, as gatas, animal que conheço muito bem. Quando era garoto e vivia em casa dos meus pais, era gatas que lá havia. Uma ficou célebre: a Corina (nome de uma personagem muito bonita - como a gata - de uma das primeiras novelas brasileiras que aqui passou). Duas vezes por ano, a Corina desaparecia. Andava por fora uns quinze dias, voltava prenhe, e paria lindas ninhadas.
Julgava eu que com as cadelas se passava semelhante coisa.
Mas não. Nada disso. As cadelas não têm apenas cio. As cadelas têm período!
De cadelas nunca soube muito. A não ser que têm cio. Como, aliás, as gatas, animal que conheço muito bem. Quando era garoto e vivia em casa dos meus pais, era gatas que lá havia. Uma ficou célebre: a Corina (nome de uma personagem muito bonita - como a gata - de uma das primeiras novelas brasileiras que aqui passou). Duas vezes por ano, a Corina desaparecia. Andava por fora uns quinze dias, voltava prenhe, e paria lindas ninhadas.
Julgava eu que com as cadelas se passava semelhante coisa.
Mas não. Nada disso. As cadelas não têm apenas cio. As cadelas têm período!
23 de janeiro de 2006
Presidenciais (ainda)
Tende-se a depreciar o resultado eleitoral obtido por Cavaco Silva.
Nomeadamente, diz-se que Cavaco é o presidente que foi eleito com o menor número de votos.
É falso!
Cavaco Silva é o presidente eleito com menor percentagem de votos.
O presidente eleito com menor número de votos foi Jorge Sampaio em 2001.
Nomeadamente, diz-se que Cavaco é o presidente que foi eleito com o menor número de votos.
É falso!
Cavaco Silva é o presidente eleito com menor percentagem de votos.
O presidente eleito com menor número de votos foi Jorge Sampaio em 2001.
22 de janeiro de 2006
Presidenciais - o meu balanço
( Cavaco Silva, Viseu, 20/01/2006)
Coisas boas:
- Não vamos ter um presidente "de esquerda";
- Foi "à primeira";
- Manuel Alegre obteve mais 6,4% que Mário Soares.
Coisa má:
- Francisco Louçã obteve mais 0,31% que o desejável.
A febre é tanta...
20 de janeiro de 2006
19 de janeiro de 2006
Alegre
18 de janeiro de 2006
Pena de morte
Executar um homem não é coisa que me agrade.
A coisa fica pior quando o condenado tem 76 anos e é paralítico, cego e surdo.
Mas...
Um tipo que, estando já a cumprir pena de prisão perpétua por homicídio, ainda manda assassinar três das pessoas que testemunharam, será HOMEM ou deverá ser abatido como um cão raivoso?
Nestes casos fico cheio de dúvidas.
A coisa fica pior quando o condenado tem 76 anos e é paralítico, cego e surdo.
Mas...
Um tipo que, estando já a cumprir pena de prisão perpétua por homicídio, ainda manda assassinar três das pessoas que testemunharam, será HOMEM ou deverá ser abatido como um cão raivoso?
Nestes casos fico cheio de dúvidas.
17 de janeiro de 2006
O Presidente
não governa! 
Mas pode anunciar medidas do Governo, antes do próprio Governo.
O Ministro, que até está na China, telefonou-lhe a pedir.
É o que se pode chamar "ajudar o Governo".
(ou será o governo a ajudar Soares?)
Em tempo:
(ou será que Soares ainda manda no Governo?)

Mas pode anunciar medidas do Governo, antes do próprio Governo.
O Ministro, que até está na China, telefonou-lhe a pedir.
É o que se pode chamar "ajudar o Governo".
(ou será o governo a ajudar Soares?)
Em tempo:
(ou será que Soares ainda manda no Governo?)
16 de janeiro de 2006
Pobreza
A propósito deste post, percebi que estas coisas não são pacíficas. Daí a pergunta:
A pobreza mede-se de modo criterial ou normativo?
De outra forma:
A pobreza é um conceito absoluto, ou relativo?
Ainda de outra forma:
Eu sou pobre e Belmiro de Azevedo é rico,
mas
Belmiro é pobre e Bill Gates é rico?
Ou ainda:
Um pobre português seria rico no Mali?
A pobreza mede-se de modo criterial ou normativo?
De outra forma:
A pobreza é um conceito absoluto, ou relativo?
Ainda de outra forma:
Eu sou pobre e Belmiro de Azevedo é rico,
mas
Belmiro é pobre e Bill Gates é rico?
Ou ainda:
Um pobre português seria rico no Mali?
15 de janeiro de 2006
Portugal

é o país da União onde mais aumentou o fosso entre ricos e pobres.
(Fiquei a saber que o fosso aumentou. Falta-me saber se foram os ricos que ficaram mais ricos, se foram os pobres que ficaram mais pobres, se tanto uns como outros ficaram mais ricos, ou se ambos ficaram mais pobres. Só sei que a distância aumentou.)
No Grande Satã?
14 de janeiro de 2006
Dois
Dois apoiantes de Cavaco Silva foi tudo o que Francisco Louçã encontrou durante a manhã de campanha de rua. A maior parte das pessoas com quem contatou garantiu-lhe que vai votar nele.
"Tá no papo!"
"Tá no papo!"
12 de janeiro de 2006
(in)Coerência
O diploma, reprovado com os votos contra do PS, PSD e CDS-PP, previa o estabelecimento de um número máximo de 18 alunos no primeiro ciclo do ensino básico, em vez dos 25 actualmente previstos. No caso do 2º e 3º ciclos do básico e no ensino secundário, o projecto defendia que as turmas tivessem no máximo 20 alunos e não 28 como acontece agora. O partido estava convicto de que o projecto-lei, discutido ontem em reunião plenária, seria aprovado hoje, uma vez que o PS já o tinha votado favoravelmente quando o Bloco o apresentou à Assembleia da República no Governo de Durão Barroso.
Oh, como é bom estar na oposição!
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