6 de fevereiro de 2007

Aborto e Pornografia

Nota prévia:Conteúdo impróprio para pessoas sensíveis.

O diácono Anacleto avisou que a campanha do "não" iria usar o terrorismo e a pornografia.

Por aquilo que lhe tenho ouvido, acho que ele não chamará terrorismo a isto, nem a isto, nem mesmo a isto. Mas, pela mesma razão, acho que é capaz de considerar pornográfico isto.
Como se compreende, trata-se de mera questão de opinião quanto ao que é um "direito".
Ora, tratando-se de opinião, também vou dar uma:
Neste caso, foi o próprio homem que se pôs assim.
Neste outro caso, não foi o próprio homem que se pôs assim.
E, já agora, fique a saber que se encontram todos bem, excepto o próprio.

Terrorismo, hem?

5 de fevereiro de 2007

Taxonomia do aborto

Ontem ouvi uma definição tão simples e, simultaneamente, tão fantástica que não posso deixar de a registar aqui:

O que está dentro do útero da mulher não é um embrião, nem um feto, nem um "quase humano". É um filho!

A longo prazo

Ora aqui está mais um gajo incómodo que vem dizer:
...
Considero desonesta a pergunta do referendo.
Sob a capa de despenalizar a mulher que aborta até às dez semanas, abre-se a porta, no caso de o "sim" ganhar, ao aborto sem qualquer condicionante. E pago pelo Estado.

Por outro lado, quando tão frequentemente entre nós se invoca a Constituição, é curioso que se haja passado por cima do seu art.º 24.º n.º 1, que diz: "A vida humana é inviolável." Se o feto com menos de dez semanas não é vida humana, o que será então?

É verdade que a vida intra-uterina nunca foi muito valorizada na nossa sociedade e, portanto, no nosso direito. Mas as ecografias que hoje se multiplicam, bem como outros meios de conhecimento do que se passa no ventre materno, tornam cada vez mais difícil considerar o feto mera parte do corpo da mãe e não um ser com vida própria.
Por isso, seja qual for o resultado deste referendo, a longo prazo o tempo joga a favor do "não".

2 de fevereiro de 2007

O início da vida

Reportando uma conferência sobre o início da vida, dizia hoje um jornalista da RTP:

"Os médicos estão de acordo que a vida começa no momento da concepção. No que não há consenso é quanto ao momento em que aquela vida passa a ser humana"

Percebi perfeitamente!
Há uma vida de uma (in)determinada espécie que num (in)definido momento, se transforma em vida humana!
Yesssss!

Ena... tantos...



Que multidão...

1 de fevereiro de 2007

... por isso... não

Ora aqui está uma posição muito interessante de defensores do "sim".

Poderá, um médico, ser obrigado a praticar um aborto contra a sua opinião? Terá o médico o "direito" a recusar ou prevalecerá o "direito" da mulher que não quer o filho?

Gentil Martins diz que nenhum médico poderá ser forçado a praticar um aborto. E como ele há mais. Há muitos mais médicos reputados, daqueles que lidam com a morte no dia-a-dia, que, por isso, reconhecem o verdadeiro valor da vida, e que, por isso, dizem NÃO. Estão organizados naquele movimento ali ao lado.

O site está muito bem estruturado. Direi mesmo, imprescindível.

A propósito, há por aí algum clínico de nomeada que não esteja neste movimento?

30 de janeiro de 2007

Opsss

Prós & Contras

Boa exibição do treinador do SLB. Deve ter sido a primeira vez que apreciei o peso do glorioso.
..........
Foi muito engraçado o torcer de nariz da Catarina Furtado quando o miúdo agradeceu à mãe - pobre coitada - não o ter abortado apesar de todas as dificuldades que tinha.
..........
Afinal o que interessa é colocar o Código Penal de acordo com a "consciência social". E eu a pensar que era outra coisa...

26 de janeiro de 2007

Mulher?

Mário de Sousa é um reputado médico especialista em procriação medicamente assistida. Vai votar "sim" no referendo e defende que o aborto deve ser pago.
Em entrevista ao JN diz:

"... a grande fatia [de abortos em Portugal], como revelou um estudo da Associação para o Planeamento da Família, é de raparigas muito jovens que dizem que não estão preparadas naquele momento da vida para ter um filho. Porque são pequenas, estudam, não sabem quem é o pai..."

Ora então... raparigas muito jovens ... pequenas ... que estudam...

Mas a pergunta diz "... por opção da mulher..." ...
Hummm...
Acho que vai ser preciso um artigo que diga que "para efeitos da IVG, as miúdas são consideradas mulheres, regressando à sua condição inicial logo que concluído o procedimento".

PS.
Estou convencido que estas miúdas continuarão a preferir abortar discreta e sigilosamente, ou seja, na clandestinidade, ou seja ... criminosamente.

25 de janeiro de 2007

Referendo - A pergunta "de algibeira"

Quer parecer-me que a maioria das pessoas, mesmo as que irão dizer "sim", já compreendeu que o verdadeiro objectivo não é o da despenalização do aborto.
Se o fosse, o Partido Socialista teria adoptado o projecto de lei das suas deputadas Rosário Carneiro e Teresa Venda, o qual, esse sim, preconizava, e só, a não penalização das mulheres que abortam.
Todavia, assim não aconteceu. O Partido Socialista recusou a proposta de despenalização e veio a adoptar o projecto de lei dos jovens socialistas, o qual vai muito para além da simples despenalização. Daí a pergunta conter aqueles preciosismos de que se tem falado.
Isto é, a pergunta que nos vão fazer não surge "de qualquer maneira". Ela visa a imediata aprovação de uma lei que já está totalmente pronta!
Com esta nova lei, o Artigo 142º do Código Penal ficará assim:

Artigo 142º

1 - Não é punível a interrupção da gravidez efectuada por médico ou sob a sua direcção, em estabelecimento oficial ou oficialmente reconhecido com o consentimento da mulher grávida,
nas seguintes situações:
a) A pedido da mulher e após uma consulta num Centro de Acolhimento Familiar, nas primeiras dez semanas de gravidez, para preservação da sua integridade moral, dignidade social ou maternidade consciente;
b) Constituir o único meio de remover perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida;
c) Caso se mostre indicada para evitar perigo de morte ou grave e duradoura lesão para o
corpo ou para a saúde física ou psíquica, da mulher grávida, designadamente por razões de natureza económica ou social, e for realizada nas primeiras 16 semanas de gravidez;
d) Houver seguros motivos para prever que o nascituro virá a sofrer, de forma incurável, de grave doença ou malformação congénita, e for realizada nas primeiras 24 semanas de gravidez, comprovadas ecograficamente ou por outro meio adequado de acordo com as leges artis, excepcionando-se as situações de fetos inviáveis, caso em que a interrupção poderá ser praticada a todo o tempo;
e) A gravidez tenha resultado de crime contra a liberdade e autodeterminação sexual e a interrupção for realizada nas primeiras 16 semanas.

2 - Nos casos das alíneas b) a e), a verificação das circunstâncias que tornam não punível a interrupção da gravidez é certificada através de atestado médico, escrito e assinado antes da intervenção, por médico diferente daquele por quem, ou sob cuja direcção, a interrupção é realizada.
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Assim sendo, depois de excluídos os motivos previstos nas alíneas b) a e) - os quais precisam de ser comprovados medicamente - o que é que resta para a alínea a)? É claro: o simples pedido da mulher sem necessidade de qualquer fundamentação.
Então, é ou não é a liberalização do aborto até às 10 semanas de gestação? É!!!
.
Há uma curiosidade neste projecto de lei. Está no número 2 do artigo 5º, que diz assim:
Os CAF podem, no processo de consultas e desde que a mulher grávida não se oponha, ouvir o outro responsável da concepção.
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Giro, hem? Qual pai, qual carapuça! O "outro"...
É que Pai e Mãe são palavras incómodas a afastar do léxico. Em alguns círculos até já só se diz "progenitores"...

23 de janeiro de 2007

Argumentos EIVADOS DE MORALISMO?

Por quase todo o mundo, mormente o ocidental, ecoou a condenação do acto aludido nesta foto.
Ouvi diversos argumentos fundamentando a reprovação da prática.
Segundo alguns que aqui escrevem, não passaram de argumentos sem fundamento e eivados de moralismo.
Não concordo. É-se contra a execução do homem pela convicção de que é anti-natural que um homem ponha termo à vida de outro. E isto nada tem de "moral" (e muito menos de "religião"). Isto é, tão só, o princípio basilar da organização da sociedade.

Também há quem pense que "exagerei" quando coloquei o link para a foto da criança abortada por curetagem e aspiração. Talvez até haja quem pense que isto não é assim.
Pois então:

A partir do segundo mês de gestação, os métodos mais comuns e corriqueiros utilizados por profissionais para provocar o abortamento são a curetagem e a aspiração uterina.
Para fazer a curetagem, o médico, após alargar a entrada do útero da paciente, introduz dentro dela a chamada cureta, que é um instrumento cirúrgico cortante, em forma de colher. Servindo-se da cureta, o aborteiro pode ir cortando o feto em pedaços, e retirá-los um a um de dentro do útero. Além do feto, também a placenta deve ser retirada e cortada. Em geral, aplica-se anestesia local, de modo que a paciente permanece consciente, ainda que tenha de permanecer em uma posição que a impede de observar a operação. Após concluído o procedimento, o aborteiro deve remontar os pedaços do corpo do feto em uma mesa à parte, para certificar-se de que não restou pedaço algum no útero da gestante.

(Wikipédia)

Porra! É verdade. Tinha-me esquecido... Isto também não serve. É da Wikipédia, que é um site onde qualquer tipo pode escrever baboseiras.
Então pode ser este:

Os métodos de aborto incluem a remoção do conteúdo uterino através da vagina (evacuação cirúrgica) e o uso de drogas para estimular a contração uterina para que o seu conteúdo seja expelido. O procedimento utilizado depende do tempo da gravidez. A evacuação cirúrgica através da vagina é realizada em aproximadamente 97% dos abortos espontâneos e, quase sempre, para as gestações com menos de 12 semanas. É utilizada uma técnica chamada curetagem por aspiração.
(Manual Merck), sim, isso mesmo, da Merck, Sharp & Dohme

22 de janeiro de 2007

Paradoxo?

Há muita gente que se impressiona com as imagens da tourada, da caça, da matança das focas, da esfolagem dos animais (por via das peles), etc.
Há muita gente que se empenha denodadamente na defesa dos Direitos do Animal.

Eu também me impressiono.
Mas impressiono-me muito mais quando se trata de imagens do balde do lixo de uma clínica de abortos cirúrgicos.

Se é impressionável, não veja.

20 de janeiro de 2007

Referendo

Independentemente das controvérsias artificiais que se criam por aí, é certo e sabido que, se não houver algum problema de saúde ou acção humana intencional, de uma gravidez nascerá um novo ser humano. É infalível! Nascerá um novo ser humano que, aquando do parto, já tem cerca de 9 meses de um desenvolvimento que prosseguirá fora do corpo da mãe, embora tão carente desta como antes.
Este desenvolvimento não se processa por etapas. Decorre de forma contínua e permanente. Sabe-se, por exemplo, que 18 dias depois da concepção já há um coração a bater e que a partir das 6 semanas já há actividade cerebral, tudo num mesmo processo único de formação dos órgãos que hão-de constituir uma nova pessoa. Vamos, portanto, e de uma vez por todas, assumir que aquilo que se desenvolve no interior do útero não é uma coisa esquisita qualquer. É vida, e é humana! É uma vida humana! E é-o desde o momento da concepção. Nada acontece de mais notável às 10 semanas que aquilo que já aconteceu às duas e às três, e que há-de acontecer às 12 e às 16 e por aí fora. Se é verdade que o embrião, primeiro, e o feto, depois, está dependente da mãe, não é menos verdade que a criança, depois do parto, continuará inteiramente dependente, quando não da mãe, pelo menos de outros humanos sem os quais não sobreviverá.
Sou, acima de tudo, pela vida. O direito à vida é o primeiro de todos os direitos humanos. Sem a vida, deixam de fazer sentido todos os outros valores que defendemos. Mas, ainda assim, mais depressa aceitaria a pena de morte para um hediondo terrorista, que a morte de uma criança que é tão inocente que até ainda está dentro do corpo da mãe. É por isso, que sou contra o aborto.
Todavia, também sou contra a penalização das mulheres que abortam. Reconheço que pode haver circunstâncias, para além daquelas que a Lei já prevê, que possam justificar a morte da criança. Razões que devem ser cuidadosamente ponderadas antes de se decidir pelo aborto. Razões que têm de ir muito mais longe que a simples “opção da mulher”. Por isso, o recurso ao aborto não deverá estar “ali à mão”, sob pena de se tornar num simples meio de controlo da natalidade.
Desta forma, fico colocado entre duas premissas aparentemente antagónicas. Sou contra o aborto e sou contra a penalização das mulheres que abortam. E agora?
Agora é preciso interpretar a pergunta que nos decidiram fazer. É preciso perceber o que é que verdadeiramente se pretende. Vejamos então a pergunta:

Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?

… Nas primeiras 10 semanas? Porquê 10? Se for às 11 já é penalizável? Se for às 11 já passa a haver julgamentos e prisões. Porquê? Será que se pode tratar isto como a velocidade dos automóveis: até 120 tudo bem, a partir daí dá multa? Não concordo com esta igualização de valores.
… em estabelecimento de saúde legalmente autorizado? O que é que faz isto na pergunta? Porquê este preciosismo? Tem de ser num estabelecimento de saúde? Então se a mulher comprar uns comprimidos abortivos na farmácia, os tomar em casa, e for denunciada, passará a ser criminosa? É isso que lá está, sem qualquer dúvida. Mas será isso que se pretende? Não acredito. Parece-me que o verdadeiro objectivo da inclusão desta frase na pergunta é o de vir a pôr os hospitais públicos a praticar abortos. É o de tornar o aborto uma opção fácil, banalizando-o, e mais, pagando-o com os nossos impostos. Ou seja, parece-me que o objectivo desta iniciativa é o da absoluta liberalização do aborto até às 10 semanas. E isso, eu não quero.
Ora, não me devendo abster – seria deixar que outros decidissem por mim – optarei pela defesa da vida.
Direi: NÃO!

(publicado no Notícias da Beira de 19/01/2007)

18 de janeiro de 2007

Exame de leitura?

Este concurso da TV Japonesa tem imensas potencialidades aqui.
Com a quantidade de tipos que por aí há que apenas soletram, já estou a imaginar isto na TVI.
IMPERDÍVEL!!!
Ou lês depressa, ou...
(Ah! Deve desligar o som ali ao lado.)

17 de janeiro de 2007

Aplaudo

Este anúncio da intenção de implementar um regime de mono-docência coadjuvada até ao 6º ano merece o meu aplauso. Defendo este sistema há muitos, muitos anos, já que é o único que permite que um professor tenha poucos alunos e que os acompanhe ao longo de toda a Escola Primária ("primária" por ser a primeira, a que é estruturante).

Só que agora vamos ter sérios problemas ao nível da preparação dos professores. E não me estou a referir aos mais antigos, aos que saíram dos Magistérios. Estou preocupado é com os mais novos, formados um pouco por todo o lado, sobretudo aos que são das "variantes", claramente direccionados para o 2º Ciclo mas que acabam por ser colocados no 1º.

Também é certo que este já é um problema hoje, mas vai levar o seu tempo até que o sistema possa funcionar em boas condições. Infelizmente!

14 de janeiro de 2007

Poderes "especiais"

É o que quer Chavez para avançar com a "reforma socialista" do país. Primeiro, o controlo da informação, com o fim da televisão privada. Depois, as nacionalizações.
Tudo "rumo ao socialismo".
Nós, por cá, já vimos este "filme" e os diversos "remakes". Os venezuelanos ainda não. Coitados...