15 de fevereiro de 2007

Referendável?

Senhor presidente, minhas senhoras, meus senhores, caros amigos e camaradas:

Como sabemos, o trabalho infantil é proibido por lei em Portugal.
Contudo, como todos também sabemos, o trabalho infantil existe em Portugal.
Ora, existindo apesar de proibido, o que temos em Portugal é trabalho infantil clandestino.
Esta clandestinidade presta-se a que haja gente que se aproveita destes menores – colocados numa situação de grande fragilidade – e que enriquece ilegalmente. Gente que não está preocupada com o drama pessoal de cada um dos menores e apenas se pretende locupletar, fugindo às suas responsabilidades e ao pagamento dos impostos devidos. Empresas de vão de escada, sem qualquer estrutura organizativa, que mais não fazem que explorar os menores e, ainda mais grave, em condições absolutamente degradantes.
O trabalho infantil clandestino é um flagelo social. É uma chaga que leva a que todos os anos milhares e milhares de menores fiquem com terríveis sequelas que hão-de perdurar por toda vida. E, como se não lhes bastasse, ainda são perseguidos pela lei, detidos, interrogados e humilhados. Eles e os seus empregadores.
E tudo isto por causa de uma lei hipócrita. Uma vergonha!

É tempo de acabar com este estado de coisas.
É tempo de permitir que o menor decida em total liberdade.
É tempo de acabar com esta lei persecutória.
É tempo de dar um sinal de modernidade.
É tempo de seguir as boas práticas decorrentes dos exemplos que nos chegam dos países que maiores níveis de crescimento registam no mundo.
É tempo de permitir que todos os menores que entendem trabalhar, o possam fazer nas melhores condições possíveis.
É tempo destes menores poderem beneficiar de um acompanhamento profissional.
É tempo destes menores poderem realizar o seu trabalho em empresas legalmente constituídas.
É tempo destes menores poderem usufruir de um sistema de protecção social justo e universal.
É tempo, finalmente, de acabar com a vergonha que são a perseguição e a humilhação.

Mas não se pense que estamos a defender o trabalho infantil. Não estamos! Sabemos bem que o trabalho infantil é sempre mau e que, portanto, tudo deve ser feito no sentido da sua diminuição.
Só que ele existe. É um facto. Não se pode ignorar que existe.
Como também não se pode ignorar que não há qualquer menor que opte pelo trabalho infantil de ânimo leve. Muito pelo contrário, estudos recentemente realizados revelam que os menores que optam pelo trabalho infantil o fazem após um penoso processo de reflexão que só tem paralelo com aquele que é realizado pelos seus empregadores.
É por estarmos conscientes desta problemática que não propomos a liberalização do trabalho infantil. O que propomos é uma alteração da lei actual. Uma alteração que considere a legalização do trabalho infantil dentro de determinadas condições - por opção do menor, a partir dos 12 anos e em empresas legalmente constituídas – que preveja um período de reflexão obrigatório que terá de ser necessariamente breve - de dias – e em que o aconselhamento não seja obrigatório, em caso algum, prevalecendo sempre a vontade do menor.

Por outro lado, importa perceber que apenas a legalização permitirá conhecer a verdadeira extensão deste pernicioso fenómeno - já que actualmente apenas podemos fazer estimativas -bem como as razões que lhe estão subjacentes e, assim, desenvolver políticas efectivas que conduzam à progressiva erradicação deste flagelo.
É nesta conformidade que achamos que os portugueses devem ser chamados a responder:

Concorda com a despenalização do trabalho infantil desde que realizado por opção do menor, a partir dos 12 anos, em empresa ou instituição legalmente habilitada?

Votar “não” será manter tudo como está.
Votar “sim” será abrir as portas à modernidade.

(Obrigado ao David pela "dica")

14 de fevereiro de 2007

Aconselhamento?


Qual aconselhamento, qual carapuça!
De facto, nos últimos dias da campanha, fartaram-se de falar nisto. No famoso modelo alemão com aconselhamento obrigatório e período de reflexão. Todos. Até o diácono Anacleto.
Mas só acreditou quem quis. Eu sempre estive convencido que era mesmo assim.

Ou bem que é livre... ou não é!

10 de fevereiro de 2007

O doce sentimento da maternidade

Porque é proibido o aborto na URSS?

Pacheco Pereira diz que este artigo, publicado no Avante N.º 60, da 4ª semana de Novembro de 1937, terá sido escrito pelo próprio Álvaro Cunhal.
Um belo exemplo de endoutrinamento.
Com o tempo, apenas mudou o sentido...

9 de fevereiro de 2007

Aborto. Para terminar...

... este tema do aborto, trago aqui uma publicação das Organização das Nações Unidas (UN) onde se plasma a política sobre o aborto nos diversos países integrantes. É deveras curiosa a publicação. É mesmo muito interessante.
Não acredita?
Então vá aqui, escolha o país que quer, e leia o respectivo quadro legal.
Olhe, veja a Suíça. Lembra-se de que há uns dias apareceu na TV uma senhora a dizer que na Suíça o aborto era livre? Pois vá ver ao site das UN. Não é! A lei é muito mais restritiva que a nossa actual. Nem nos casos de violação é permitido! Livra! Também nem tanto...
E o Reino Unido? Não foi dito que era um "maná"? Ia-se a uma consulta e "zás"...
Pois olhe, no Reino Unido é como aqui está nesta imagem. Nem por violação!

Então vá lá ver quais são os países onde o aborto é legal a pedido (available on request) - como querem que seja em Portugal - e aqueles onde nos disseram que era legal a pedido... mas afinal não é!

Referendo - Sondagens

Bom, agora só falta ver quem ganha o campeonato das sondagens.
Mas, enquando espera, sempre pode ver esta infografia do "aborto comparado" nos países da Europa. Veja, por exemplo, as leis actuais em Portugal e Espanha.

Habitue-se à ideia de que vamos passar para o grupo da "frente" em matéria de aborto legal. Duma assentada vamos ultrapassar muitos países. Vamos passar à categoria de país "moderno e desenvolvido". E de repente, hem?







SIM


NÃO


Intercampus


54 %


33 %


Universidade Católica


58 %


42 %


Eurosondagem


53.1 %


46.9 %

Por cá também é assim

Obrigado Susana por esta pérola.
As legendas dão muito jeito.
Atenção: Não tem nada a ver com aborto.

8 de fevereiro de 2007

Dá-se-lhe uma dica e...

Fascista, ignorante e terrorista

-- A alta velocidade na estrada é uma coisa má?
-- É pois. O excesso de velocidade é responsável por muitos acidentes com um enorme desfilar de mortos e feridos e sofrimento. É péssimo!
-- E então?
-- Vamos dissuadir a velocidade, pá. Vamos colocar radares, câmaras, patrulhas, etc. e vamos pôr umas coimas bem pesadas. Esses aceleras vão ter de ser penalizados.
......

-- O consumo excessivo de bebidas alcoólicas é uma coisa má?
-- É pois! A malta fica eufórica, obnubilada, ébria… mete-se no carro… reflexos entorpecidos… é fatal! Acidentes… tragédias… um horror.
-- E então?
-- Vamos dissuadir o consumo excessivo de álcool, pá. Vamos pôr umas brigadas a passar umas coimas valentes aos tipos que beberem em demasia. Esta malta tem de ser penalizada, pá. E mais… se beberem umas coisitas a mais até vamos criminalizar essa coisa.
......

- O aborto é uma coisa má?
- É pois! O aborto é um flagelo social. Uma chaga horrível. Só de pensar no sofrimento da mulher que aborta… péssimo! Toda a gente sabe que o aborto é uma coisa má, pá. Ninguém quer o aborto, pá.
- Então vamos dissuadir a sua prática, não?
- Mas julgas que sou algum “asqueroso, nojento, indecente, fascista, ignorante, terrorista”, ou quê?

6 de fevereiro de 2007

Aborto e Pornografia

Nota prévia:Conteúdo impróprio para pessoas sensíveis.

O diácono Anacleto avisou que a campanha do "não" iria usar o terrorismo e a pornografia.

Por aquilo que lhe tenho ouvido, acho que ele não chamará terrorismo a isto, nem a isto, nem mesmo a isto. Mas, pela mesma razão, acho que é capaz de considerar pornográfico isto.
Como se compreende, trata-se de mera questão de opinião quanto ao que é um "direito".
Ora, tratando-se de opinião, também vou dar uma:
Neste caso, foi o próprio homem que se pôs assim.
Neste outro caso, não foi o próprio homem que se pôs assim.
E, já agora, fique a saber que se encontram todos bem, excepto o próprio.

Terrorismo, hem?

5 de fevereiro de 2007

Taxonomia do aborto

Ontem ouvi uma definição tão simples e, simultaneamente, tão fantástica que não posso deixar de a registar aqui:

O que está dentro do útero da mulher não é um embrião, nem um feto, nem um "quase humano". É um filho!

A longo prazo

Ora aqui está mais um gajo incómodo que vem dizer:
...
Considero desonesta a pergunta do referendo.
Sob a capa de despenalizar a mulher que aborta até às dez semanas, abre-se a porta, no caso de o "sim" ganhar, ao aborto sem qualquer condicionante. E pago pelo Estado.

Por outro lado, quando tão frequentemente entre nós se invoca a Constituição, é curioso que se haja passado por cima do seu art.º 24.º n.º 1, que diz: "A vida humana é inviolável." Se o feto com menos de dez semanas não é vida humana, o que será então?

É verdade que a vida intra-uterina nunca foi muito valorizada na nossa sociedade e, portanto, no nosso direito. Mas as ecografias que hoje se multiplicam, bem como outros meios de conhecimento do que se passa no ventre materno, tornam cada vez mais difícil considerar o feto mera parte do corpo da mãe e não um ser com vida própria.
Por isso, seja qual for o resultado deste referendo, a longo prazo o tempo joga a favor do "não".

2 de fevereiro de 2007

O início da vida

Reportando uma conferência sobre o início da vida, dizia hoje um jornalista da RTP:

"Os médicos estão de acordo que a vida começa no momento da concepção. No que não há consenso é quanto ao momento em que aquela vida passa a ser humana"

Percebi perfeitamente!
Há uma vida de uma (in)determinada espécie que num (in)definido momento, se transforma em vida humana!
Yesssss!

Ena... tantos...



Que multidão...

1 de fevereiro de 2007

... por isso... não

Ora aqui está uma posição muito interessante de defensores do "sim".

Poderá, um médico, ser obrigado a praticar um aborto contra a sua opinião? Terá o médico o "direito" a recusar ou prevalecerá o "direito" da mulher que não quer o filho?

Gentil Martins diz que nenhum médico poderá ser forçado a praticar um aborto. E como ele há mais. Há muitos mais médicos reputados, daqueles que lidam com a morte no dia-a-dia, que, por isso, reconhecem o verdadeiro valor da vida, e que, por isso, dizem NÃO. Estão organizados naquele movimento ali ao lado.

O site está muito bem estruturado. Direi mesmo, imprescindível.

A propósito, há por aí algum clínico de nomeada que não esteja neste movimento?

30 de janeiro de 2007

Opsss

Prós & Contras

Boa exibição do treinador do SLB. Deve ter sido a primeira vez que apreciei o peso do glorioso.
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Foi muito engraçado o torcer de nariz da Catarina Furtado quando o miúdo agradeceu à mãe - pobre coitada - não o ter abortado apesar de todas as dificuldades que tinha.
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Afinal o que interessa é colocar o Código Penal de acordo com a "consciência social". E eu a pensar que era outra coisa...