Muito provavelmente, esta professora, perante a impotência face às provocações recorrentes de que terá sido vítima, desenvolveu uma verdadeira armadura que a imuniza e a torna capaz de permanecer na sala, indiferente ao que lá acontece. Antes de mais nada, é preciso dizer que esta professora não está só na sua atitude. Há muitos e muitos professores que desenvolveram esta capacidade de resistir e fazer-de-conta que deram a aula enquanto os alunos passaram o tempo a fazer coisas impensáveis. E também há muitos outros que não o conseguiram e que acabaram na miséria de uma depressão. Claro que, simultaneamente, os seus alunos acabaram na mais completa ignorância! E por que é que se chegou a isto? Porque, durante estes 34 anos, os senhores políticos, endoutrinados pelos "cientistas da educação", se entretiveram, em nome de teorias sociológicas, a subtrair aos professores os meios de que estes dispunham para se para se fazerem respeitar e, assim, cumprirem a sua função de ensinar. Basta lembrar que, ainda hoje, há gente a defender que o papel do professor não é o de "ensinar", mas antes o de "mediar a auto-construção do conhecimento"... Já chega! É tempo de parar a publicação dos vídeos! É tempo dos senhores políticos devolverem a autoridade aos professores. Dirão alguns que, na escola de massas, a autoridade não se outorga; que só tem autoridade quem a vê reconhecida. Pois sim. Mas umas quantas linhas bem escritas no Estatuto do Aluno - já que existe um Estatuto do Aluno - ajudariam muito a esse reconhecimento.
E, já agora, também é tempo dos jornais (para não falar do próprio ME e das instâncias judiciais) deixarem de crucificar um professor que ferre uma lostra a um garoto malcriado!!!
Era isto que a professora do Porto deveria ter feito. Parava a aula, participava a ocorrência ao Executivo e deixava que o processo seguisse. Aposto que em Bragança mais nenhum pai ou mãe se atreve a agredir um professor!
A culpa disto não é DESTA ministra da educação nem DESTE primeiro-ministro. Nem, tampouco, é dos professores, se globalmente tomados. A culpa é dos "cientistas" - e dos políticos endoutrinados por aqueles "cientistas" - que transformaram a escola numa instituição com finalidades sociais em vez de educativas. Todos, desde o BE ao CDS, defendem as mesmas coisas naquilo que é central em Educação. Todos foram endoutrinados pelos mesmos perrenouds, croziers, stoers e C.ia. De resto, a maioria dos professores nunca se apercebeu que a finalidade da escola, neste paradigma ideológico, já não era a educação - e muito menos a instrução - e continuou a agir como se o fosse. Daí o seu desencanto, o desconforto e... a manifestação!
Como eu gostava que a Escola voltasse a ser local de Ensino e de Estudo...
Mas bom... não o podendo ser, não é pedir muito que a agressão a professores - e funcionários - passe a ser crime público. Isso e certos facilitismos do Estatuto do Aluno, claro está.
Estes senhores andaram 30 anos a fazer o discurso da autonomia da escola. A autonomia reclamada era fundamental para a melhoria da Educação. Mas... Quando, em 96, as escolas puderam oferecer currículos alternativos, foram contra! Quando, em 97, as escolas puderam oferecer percursos diferenciados, foram contra! Quando, em 98, as escolas puderam elaborar Projectos Educativos próprios, foram contra! Quando as escolas, timidamente, puderam começar a contratar docentes, foram contra! E quando puderam começar a decidir da renovação dos contratos, foram contra! E agora...... continuam contra!
[...] Sob a batuta da 5 de Outubro o universo-escola criou uma linguagem própria que tornou apresentável este reino do absurdo, em que se tornaram indistintos não apenas os resultados mas também o que faz cada um na escola. Os professores e alunos passaram a ensinantes e aprendentes mútuos, a transmissão de conhecimentos deu lugar a uma situação relacional onde por vezes se ficava retido e a violência escolar passou ser encarada como uma uma forma não enquadrada da expressão de problemas. Para cúmulo o próprio saber dos professores entrou numa espiral de relativismo: o que importava era acumular créditos em acções de formação e não o conteúdo dessas acções. Assim era rigorosamente igual para um docente de alemão frequentar uma acção de formação em língua alemã, ecologia ou azulejaria. Isto numa versão relativamente bondosa do sucedido porque em alguns casos chegaram a fazer-se seminários para docentes ministrados por “terapeutas de energias” e astrólogos. Tudo isto devidamente avalizado e estimulado pelo ministério. [...]
Sem maioria absoluta. Mau! Lá vai ter que haver cedências e ziguezagues. É preciso favorecer o aparecimento de maiorias absolutas que levem a cabo os seus programas eleitorais. Depois, no fim da legislatura, ajustam-se as contas!