Seguindo um link, vim a dar com o blogue de um colega
diretor de um agrupamento de escolas, neste caso o Agrupamento de Darque, em
Viana do Castelo. Diz ele, resumidamente, que as escolas não devem selecionar
os seus professores. E não o devem porque, ao fazê-lo, estão a criar injustiças,
uma vez que os critérios normalmente utilizados não permitem que os candidatos
disputem os lugares em igualdade de condições. Mais propriamente, o colega
insurge-se contra os conceitos de “recondução” e de “renovação” de professores
contratados.
Achei bizarra esta posição, sobretudo por vir de alguém que
tem a responsabilidade pelo bom funcionamento da sua escola, para mais, no caso
em apreço, um TEIP, onde a margem de autonomia para contratações de escola é
substancialmente maior do que numa outra escola.
Intrigado, fui ver quais os critérios que este colega adota para seleção de professores e verifiquei que reduz a sua fatia de autonomia -
50% do peso total - à graduação profissional dos candidatos, à qual adiciona 1 ponto
relativo à ADD, que pressupõe ter sido, para todos, de Bom ou superior. Desta
forma, nos 50% do peso que é da competência da escola, acaba por repetir o critério utilizado nos
50% determinados pelo MEC.
Como já referi, considero esta opção uma completa bizarria.
O colega comporta-se como se lhe fosse indiferente ter um professor ou outro;
como se os professores fossem todos iguais e capazes de igual prestação; no
fundo, quase como quem compra melões: só se sabe são abóboras depois de os
abrir e provar...
Defendo exatamente o contrário.
Se um professor teve um bom desempenho – fator de observação
absolutamente objetivo -, se vestiu a camisola, se a suou… por que não
propor-lhe a recondução? E, se a recondução não for possível, por que não
ajustar critérios que potenciem a probabilidade de voltar a ficar na escola? A
dedicação e os bons resultados não contam para nada? Discordo.
Dir-se-á que os candidatos ficam em condições desiguais. E
ficam mesmo! E intencionalmente. É que “este” já cá trabalhou e com boa performance e os
outros só aparecem agora, e só aparecem por não terem lugar na escola onde realmente queriam trabalhar!
Há ainda um outro fator que me leva a discordar
profundamente do pensamento do colega de Darque. A falta de justiça do critério
que utiliza – a graduação profissional.
De facto, como bem se sabe, os professores contratados são,
por norma, jovens em que o maior peso na graduação profissional reside na
classificação académica. Ora, classificações académicas há muitas e muito
variáveis com a Universidade onde se graduaram. Dificilmente se pode fazer equivaler
um 13 no IST a um 13 no Politécnico de ….
Ou seja, o critério da graduação profissional é tão injusto
como qualquer outro.