3 de maio de 2008

Chumbar ou não chumbar?

Também concordo que a reprovação, na maior parte das vezes, não é a melhor solução.
Só que, perante a evidência da ignorância do aluno, quais as alternativas de que os professores verdadeiramente dispõem?
Imaginemos que temos aqui um aluno que não adquiriu os conhecimentos as competências previstas para o seu ano de escolaridade. Imaginemos que, tal como a senhora ministra preconiza, não o podemos reprovar (com a enorme pressão que se sente, já é quase assim). O que vamos fazer?
Pois claro! Passá-lo para o ano seguinte! Obviamente!
E, então, o que vai suceder ao aluno?
Nada! Absolutamente nada. No actual quadro legal, continuará na mesma turma com os colegas como se tivesse aprendido o mesmo que os colegas. E, naturalmente, no final do ano seguinte ainda estará mais distante dos objectivos previstos, mais ignorante e mais desmotivado. E, com toda a pressão que existe para não haver chumbos, vai passar para o ano seguinte… e depois… e por aí fora até ao 9.º ano…
Já hoje muitos lá chegam (e de lá saem) praticamente sem saber ler. Soletrando e não entendendo o que lêem.

Mas podemos ter um sistema tendencialmente sem chumbos?
Podemos, sim senhor. Vários países o têm.
E como?
Assumindo três premissas:
- Todos devem ter iguais oportunidades;
- Não é possível ensinar tudo a todos;
- A maior lentidão de uns não pode prejudicar a maior velocidade de outros, e vice-versa.

E nós?
Nós só aceitamos a primeira.
Quanto ao resto, achamos que é possível resolver tudo com “apoios”, isto é, com mais aulas… depois das aulas!

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