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3 de agosto de 2005

Esquerda - Direita

No meio de uma discussão com o "el gato", o "carneiro" escreveu a "peça" que aqui reproduzo. Nem esteve especialmente preocupado com a sintaxe nem com a ironia, como é seu timbre. Mas, ainda assim, o "post" vale uma reprodução. Aqui vai:

O meu ponto, o meu desespero com a vida portuguesa, é que ainda perdemos tempo a discutir como as coisas deveriam ser, em vez de olharmos para elas e fazermos o melhor que pudermos para as rentabilizar.
Hoje em dia, a diferença esquerda-direita num governo não existe. Governar é gerir a crise, tentar controlar a despesa publica, tentar que o país não entre na bancarrota. (e infelizmente, todos e sem excepção, incluir os amigos na partilha da sopa rica).
Mas existe a diferença esquerda-direita nos normativos constitucionais e legais que não admitem flexibilidade à sociedade económica. E é neste aspecto que me queixo da esquerda. Sobretudo da esquerda histórica que foi perseguida antes do 25 de Abril, mas que se apropriou do país logo após. A esquerda histórica em Portugal, hoje em dia, é factor de atraso cultural, retrocesso económico e inviabiliddae de futuro.
Nem tudo no PS é assim, mas está lá a maioria dos que assim pensam. Como existem alguns, bastantes, no PSD. São facéis de identificar. Basta ver quem é que neste país tem direito a uma reforma ou subvenção em regime especial. Esses, os beneficiados do regime, são os únicos que não admitem mudanças. Curiosamente são sempre esses que estão no poder.
Olha, el gato, tenho 3 filhos - 16, 12 e 5 anos. A minha grande preocupação de Pai é prepará-los para viver e trabalhar em Espanha ou noutro País onde eles tenham viabilidade. Porque em Portugal eles não têm futuro. E as notas da mais velha, no 10º ano, foram dois 20, dois 18 e o resto 19. Mas mesmo assim não tem futuro neste país. Porque a excelência e a competência não são - nunca foram - premiados. Espero que este exemplo de afecto paternal te elucide quanto à minha elevada intenção na crítica que faço a este país de merda, entupido à modernidade por aqueles que, por serem os detentores do poder político - e da comunicação social- são os exactos beneficiários do regime. E por isso, não admitem que seja alterado, mesmo que acenem com ameças totalitárias da direita e merdas quejandas para assustar aqueles que querem a mudança.
Um exemplo do que afirmei sobre o subsídio de desemprego:
Um empregado de escritório, com ordenado base de 1000 Euros, fica desempregado e passa a receber, por hipótese, 750 Euros até ao limite de 36 meses. Uma leitura de esquerda desta situação, faz com que este fulano permaneça até ao final do período naquela situação a menos que lhe surja um possibilidade de emprego acima dos 750 Euros. Uma leitura de direita faz com que o subsidio seja apenas a garantia de que o Fulano não passe fome, mas se surgir uma hipotese de emprego, mesmo nas obras, por 600 Euros, ele é obrigado a aceitar. E o Fundo de Desemprego só lhe dá a diferença até aos 36 meses. E se ele não quiser ir para as obras passa a receber apenas a diferença entre os 600 e os 750. Porque não é este o sistema em vigor, importamos imigrantes para as obras - que exportam os salários para a terra deles - enquanto os nossos desempregados de escritório continuam desempregados durante 36 meses, e depois fazem um, e mais um, curso de formação sobre jardinagem municipal e assim paulatinamente até o país esgotar os subsídos de desemprego. Porque vai haver um dia - como aconteceu na Argentina - em que não vai haver dinheiro para pagar os subsídios sociais ou os vencimentos de todos os funcionários publicos. E nessa altura, à força e com acrescido sofrimento pessoal, acabarão por ir para o desemprego cerca de meio milhão de funcionários públicos que não fazem qualquer falta ao funcionamento do estado.
A esquerda historica é muito generosa na partilha dos subsídios sociais. Mas dividir não custa. Basta ter uma máquina de calcular.O que é difícil é garantir a produção, a riqueza, que depois possa ser distribuída. E o deficit significa apenas isso: está-se a distribuir riqueza que não existe, recorrendo ao crédito. Um dia destes, esta merda estoira. Para todos. Para a esquerda e para a direita. Só que nós, os governados, ficamos cá a passar fome e miséria, mas os beneficiados do regime terão meios acumulados para ir viver para o Brasil. À excepção do Santana Lopes, claro, que por ser o único a não ter acumulado riqueza, vai ficar cá a viver connosco.
Agora imagina o nosso drama acrescido de ainda ter de levar com ele...

Parabéns ao "carneiro", pelo desassombrado texto, e pelos três filhos.

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