31 de outubro de 2004

António Barreto

Terminou agora a entrevista do Prof. António Barreto na "Dois".
Registo aqui a resposta que deu a uma das últimas questões, daquelas de resposta rápida. Era, mais ou menos, assim: Que medidas tomaria se fosse Presidente da República?
Resposta:
"Mandava fazer um livro branco sobre a Justiça em Portugal e faria com que a gestão das escolas fosse entregue às Autarquias"

Porra!
Há poucos sociólogos assim, não há?

Que desilusão!

O Ministério da Educação está a receber os Sindicatos com vista à revisão da legislação sobre colocações de professores nas escolas. Muito bem! O D.L. 35/2003 é, efectivamente, uma colectânea de asneiras, as quais ainda foram amplificadas pela respectiva regulamentação. A começar na “despromoção” dos professores mais antigos (efectivos) relativamente aos mais novos (qzp’s), passando pela aceitação praticamente automática de toda e qualquer declaração de debilidade para efeitos de destacamento (a que muitos Conselhos Executivos terão dado cobertura) e terminando nas colocações a nível nacional em horários incompletos, o decreto revelou-se, como se previa, um absoluto desastre. Por isso, reveja-se. Tudo bem.
Contudo, o dito decreto continha uma disposição de crucial importância para a necessária estabilização dos quadros das escolas – a possibilidade de recondução dos professores. Ora, como se pode ler aqui, essa forma legal de colocação vai ser abolida.
O que aconteceu, e que me entristeceu, foi o facto da Senhora Ministra, fragilizada pela irrepetível pantomina das colocações, ter cedido aos Sindicatos. Os quais rejubilam, proclamando que do encontro com o secretário de Estado Adjunto e da Administração Educativa, a FNE trouxe a promessa de que, no próximo ano, não haverá reconduções de docentes.

Senhora Ministra,

A senhora está nisto há pouco tempo, é verdade, mas, ainda assim, já deveria ter compreendido coisas básicas. Nomeadamente, deveria ter-se apercebido:

  • Que a “bronca” do concurso radica, quase exclusivamente, na subalternização dos docentes efectivos (que libertam vagas quando são deslocados) relativamente aos dos QZP’s;
  • Que esta hierarquização anacrónica terá sido exigência dos sindicatos;
  • Que assim procederão porque “recrutam” nos professores mais novos;
  • Porque os mais velhos, já estabilizados, tendem a deixar de pagar as quotas;
  • Pelo que, a estabilização dos quadros não lhes interessará!

Pois será! Mas a nós, que trabalhamos nas escolas e lutamos para que aumente a qualidade dos serviços que prestam à comunidade, interessa-nos! A nós, que percebemos que não há projecto educativo que resista à sucessiva alternância de professores, interessa-nos! A nós, que testemunhamos o desinvestimento que tantos professores fazem (felizmente há excepções) porque no ano seguinte estarão noutra escola, interessa-nos! A nós, que…
A nós, interessava-nos que as escolas (e nunca o Ministério) pudessem reconduzir os professores. Por mútuo acordo. Com parecer vinculativo do Conselho Pedagógico e/ou da Assembleia de Escola. Era simples. Era transparente. Era incorruptível. E, dentro de poucos anos, os quadros das escolas estariam estabilizados.

Esperava que um governo reformista tivesse a coragem de aguentar a “porrada” nos media e nas ruas.

Que desilusão!

29 de outubro de 2004

Alô pais! Cuidado!

Conta-se aqui a história de uma creche que queria instalar algumas câmaras de vídeo nas suas salas e refeitório. As imagens das câmaras seriam acessíveis através da Internet mediante password do conhecimento dos pais das crianças. Todos estavam de acordo, mas, apesar disso, a direcção da escola entendeu pedir parecer à Comissão Nacional de Protecção de Dados. E, pasme-se, a resolução da CNPD, que faz jurisprudência, foi no sentido da ilegalidade da iniciativa. Assim, ficou determinado que o “sistema de câmaras atenta contra os direitos dos trabalhadores - que a lei proíbe que sejam vigiados - e das crianças”.
Desta forma, ficámos a saber duas coisas:

  • Que os trabalhadores não podem ser vigiados. Fantástico! Então a Lei proíbe que os trabalhadores sejam vigiados? Não conheço essa lei. Mas também não preciso de a conhecer. Vou já dizer à minha mulher que não pode vigiar a nossa empregada de limpeza (antigamente chamava-se “mulher-a-dias”). Não pode! É proibido! Quando algum serviço não for feito, ou for mal feito, o melhor é despedi-la logo antes que haja uma lei que proíba o despedimento de trabalhadores que não trabalhem.
  • Que os pais não podem vigiar os filhos. É que a “captação de imagens é um constrangimento injustificado do direito à intimidade das crianças e à sua privacidade”. Quer isto dizer que, no limite, um pai não pode filmar o(s) filho(s) a brincar com outra(s) criança(s)!

Não resisto a transcrever o último parágrafo:
A CNPD está ainda preocupada com o crescimento das crianças que estão sobre videovigilância. A partir do momento em que os meninos sabem que estão a ser vigiados, assumem-no como uma coisa natural. Tal como os pais se podem habituar a controlar os filhos. "No futuro, as crianças vão achar normal que os pais lhes mexam nas gavetas e vigiem todos os seus passos", interpreta Catarina de Albuquerque, especialista em Direitos Humanos, que concorda com a deliberação da CNPD.

As crianças poderão vir a considerar normal serem vigiadas! Credo!
Os pais poderão vir a habituar-se a controlar os filhos! Abrenúncio!

Será que anda tudo doido?

27 de outubro de 2004

Amizades...

Este senhor foi contar a terceiros uma conversa com este de quem era amigo há 20 anos.
Com amigos destes...
Mas, para além destas questões que têm a ver com a "amizade", há outras:
  • Tratou-se de um serviço "encomendado"? Foi o Governo que requisitou os serviços do dono da TV? O professor diz que foi "pressionado" pelo patrão e este, não o negando, não mete o Governo na trapalhada. Em que é que ficamos?
  • Assumindo que o patrão da TVI não queria que a estação continuasse a mimosear o executivo, admite-se que tenha entendido pressionar, apenas, UM comentador? Não há lá mais? O Tavares também não é? Foi pressionado? E os jornalistas? Devem lá trabalhar muitos. Também foram pressionados? Queixaram-se? Foram ouvidos pela Comissão Parlamentar? E pela AACS?
  • Então e a SIC? Também noticia e também emite opiniões contrárias ao "interesse" do Governo. Como é que escapou a esta "fúria controleira"? Como?
  • Quanto à RTP, percebe-se. Já não havia necessidade de intervir. Já estava "controlada". Já lá não passa qualquer informação, programa ou opinião contrária à orientação governamental. Não passa de um instrumento da propaganda.
Valha-nos Santo Ambrósio.
Está na altura da malta reclamar, mais uma vez, um novo 25 de Abril.

26 de outubro de 2004

24 de outubro de 2004

Mais SCUT'S

Instado pelo meu amigo mocho, passo a clarificar:

Assim:

Se eu puder continuar a ir para Viseu pela velhinha EN16 – oh, como tenho saudades daqueles tempos em que a malta fazia apostas sobre o “tempo” que se demorava para chegar a Viseu, montados naquela máquinas infernais (eu tinha um Ford Escort 1100 que andava mais de lado que de frente e andava nos 12/13 minutos);
Se eu puder continuar a ir para Coimbra pela estrada de Penacova, como fazíamos quando lá estudávamos, cujas curvas abordávamos numa toada desinibida, saindo invariavelmente em “contra-brecagem”, sempre a “abrir” (gastavam-se 50/55 minutos);
Se eu puder continuar a ir ao Porto pelo Vouga, passando S. Pedro do Sul, Vouzela, Sever do Vouga e Vale de Cambra, como fazia quando estava na tropa em Arca d’Água, gozando paisagens magníficas por caminhos “rebarbativos”, montado no meu R16 TL com mudanças ao volante (talvez o melhor carro que já tive), e não gastando mais de hora e meia;

Se

Então não me importarei de pagar portagem para demorar menos tempo!

Hoje, com vias-rápidas, autoestradas e melhores carros, demoro mais tempo que há 30 anos.
ORA PORRA!!!

F16 ...

Não é um F16 mas sim um Eurofighter.
Tecnologia europeia!



Defesa Nacional e "senso comum"

Num post recente, o senhor canzoada dava a entender que se poderia abdicar dos investimentos nos F16 e nos submarinos para fazer face aos custos das SCUT’s.
É algo que não faz sentido nenhum.
Desde logo, porque os valores em jogo não têm comparação possível.
Mas há outra questão, essa mais grave. É que um pensamento com esta expressão radica na ideia, querida de uma certa esquerda, de que este país não necessita de forças armadas, o que é falso!
Abomino o “senso comum”, que nada tem a ver com o bom senso, e, por isso, não gosto, evito mesmo, de falar de assuntos que não domino em plenitude. É este o caso das questões militares. De facto, para além de alguns estudos que vou lendo e de um curso de Defesa Nacional que frequentei, não possuo conhecimentos aprofundados sobre a matéria.
Ainda assim, sei (acho que todos sabemos) que Portugal mantém, ainda hoje, um dispositivo militar herdado dos tempos das Guerras Coloniais e totalmente desadequado à situação geo-político-estragégica emergente. Assim, no actual contexto, que aqui não explorarei, Portugal necessitará de modernizar as FA's. Necessitará,nomeadamente de:
1) Ao nível do exército, de forças terrestres com uma expressão mínima – algo com uma dimensão da ordem de duas brigadas completamente equipadas – sobretudo por via dos nossos compromissos com a comunidade internacional.
2) Quanto a meios aéreos, é reconhecida a necessidade de uma força com capacidade de intercepção rápida, e daí os F16 (a propósito, não me recordo de compras de caças F16 por este governo).
3) Ao nível marítimo, são imprescindíveis meios compatíveis com a extensão das nossas águas territoriais e da nossa ZEE.
4) Finalmente, são ainda necessários meios de “projecção de força” – transportes. (deve saber-se que, com os actualmente existentes, demoraríamos cerca de duas semanas a colocar uma simples companhia de combate numa das regiões autónomas).

É isto que têm dito os nossos especialistas em defesa, conotados que sejam, à esquerda ou à direita!

É assim que se tem vindo a operar, lentamente, o redimensionamento e o reapetrechamento das Forças Armadas, no qual, TODOS os governos se têm vindo a empenhar. A este propósito, quer parecer-me que as opções tomadas têm sido ditadas pelos militares. Isto é, não me parece nada que, por exemplo, tenha sido o Sr. Portas – pelo qual não nutro especial simpatia – a lembrar-se dos submarinos. Estas coisas não se passam assim.
Quanto a mim, embora sabendo que o submarino é um aparelho com enorme potencial, entendo que seriam mais adequadas duas fragatas AEGIS, do tipo das nossas MECO (por falar nisso, neste momento temos uma fragata ao largo da Guiné “para o que der e vier”).
Mas eu não sou especialista e, por isso, acredito nos especialistas.

23 de outubro de 2004

SCUT's again

A réplica do meu amigo mocho fez-me voltar ao tema.
Faço-o para clarificar que nada tenho contra a construção de autoestradas, muito antes pelo contrário.
Aquilo a que me oponho, desde a sua génese, é à ideia imbecil que subjaz ao conceito de SCUT.
Imbecil porquê? Por duas razões:
Porque se aceitou que não fossem construídas de raiz, antes que aproveitassem troços já existentes, donde viria a resultar, em muitos casos, a inexistência de verdadeiras alternativas;
Porque se funda naquele típico porreirismo, naquele populismo lusitano, de acordo com o qual a malta não tem de pagar nada. Tudo é à borla. Se não se paga nada nas escolas, se não se paga nada nos centros de saúde, a que propósito se haveria de pagar nas autoestradas do interior?

Asneira! Por quase toda a Europa (em Portugal também) as autoestradas são portajadas. São pagas! Mas não o são pelo Orçamento do Estado. Não são pagas através de impostos. Paga quem as utiliza. Quem não quer, vai pela estrada normal.

Existe, ainda, um terceiro problema. É que, mesmo aceitando este modelo, o ritmo alucinante com que foram lançadas as obras, hipotecaria (hipoteca) o Orçamento do Estado durante muitos anos.

O que verdadeiramente me irrita é o beco em que (os governos socialistas) nos meteram. Não acautelaram alternativas rodoviárias. Mandaram os privados fazer as estradas. Deixaram a factura para os próximos.
ORA PORRA!!!

Afinal, por que razão não se adoptou o modelo utilizado na Ponte Vasco da Gama - construção por privados e concessão durante x anos? (e esses tristes que a utilizam não têm nenhuma alternativa à borla)

22 de outubro de 2004

SCUT's

O Eng. Cravinho, o "pai" das autoestradas SCUT's, veio hoje dizer que não é necessário recorrer a portagens para suportar os custos das ditas (afinal elas têm custos - é preciso pagá-las às empresas que as construíram).
De acordo com aquele político, bastará reforçar o orçamento do Instituto de Estradas de Portugal com um terço das receitas provenientes do imposto automóvel e do imposto sobre produtos petrolíferos.
Muito bem! Pura aritmética! Inquestionável!
Só há um problema:
Como o dinheiro não nasce, reforçar o orçamento do IEP implica reduzir o orçamento de qualquer outra coisa. Acontece que não ouvi o senhor dizer em que é que se cortaria. Ou seja, ficamos, mais uma vez, nas meias tintas. Onde é que o senhor estaria a pensar em cortar? Na Segurança Social? Nos vencimentos da Função Pública? Onde?
Afinal, quem iria pagar os custos das SCUT's?
Será que não pensou nisso?
Pensar, pensou. Tenho a certeza. Eu é que não o ouvi dizer.

Inutilidades e Disparates

De acordo com o Público, "o director-geral da TVI, José Eduardo Moniz, acusou hoje o ministro dos Assuntos Parlamentares de dizer 'inutilidades e disparates'".
Curioso!
Afinal eram "inutilidades" e "disparates".
Resultam daqui duas constatações:
1) Estas "inutilidades" foram "utilizadas" durante mais de três semanas para fazer páginas de jornais e noticias de tele-jornais zurzindo o Governo;
2) O homem não deixou que os outros jornalistas o ouvissem dizer que houve (ou que não houve) pressão sobre a TVI para sanear o professor. Preferiu falar "à porta fechada".

Isto é que é transparência!

21 de outubro de 2004

Governo Malvado

Das notícias que, durante o dia de hoje, fui ouvindo na rádio (Antena 1, serviço público) retive, por ordem cronológica, o seguinte:

1) O Governo quer “avaliar” o Director de Informação da RTP;
2) O Governo quer transformar a RTP no “braço armado” da sua “central de informações”;
3) O Governo anunciou a intenção de transformar os professores desempregados, ou sem serviço, em amanuenses auxiliares de Tribunal;
4) O Governo mandou a PSP agredir brutalmente os estudantes que, de forma totalmente ordeira, cortaram o trânsito na Rua Padre António Vieira (Coimbra) e, também de forma irrepreensível, pretendiam invadir uma reunião do Senado Universitário;
5) O Governo mandou que os membros do Conselho Superior da Magistratura indicassem uma senhora, não magistrada, para presidente do Centro de Estudos Judiciários.

Não há qualquer dúvida!
Este é um governo malvado!
Um governo que tem prazer em “fazer mal”! Um governo que, como se vê (neste caso, como se ouve) já acabou com a liberdade de imprensa em Portugal.
Como sou homem de coragem, não temo as represálias que sobre mim se vierem a abater por, num acto de indignação, aqui deixar o meu veemente protesto por esta escalada contra o direito fundamental à liberdade de expressão.

Constou-se-me que até já há autores de blogs deportados (só não tenho a certeza se foram para o Tarrafal ou para a Sibéria).

Ao que nós chegámos...

Tenho estado a pensar que talvez tenha sido, também, por ordem do Governo que o PSG ganhou 2-0 ao FCP. Fará parte do plano calar algumas vozes incómodas que se têm vindo a ouvir lá para aquelas bandas nortistas.

(isto devia ter sido publicado ontem, 20, mas o Blogger ficou “inop”)

18 de outubro de 2004

Chico César

Como já disse, no Sábado fui assistir ao concerto do Chico César. Fui numa de "vamos lá ver o que será". Nunca tinha ouvido falar do homem. Não sabia que tinha composto para Daniela Mercury, Vanessa da Mata, Buarque, Lenine e até para a diva Bethânia.
Gostei! Uma agradável surpresa. Um comunicador que conquistou o auditório nos primeiros cinco minutos. Na minha opinião, melhor compositor que cantor. Um nome a reter.
Fica uma nota sobre a Comum, que integrámos no início do ano, e que está a revelar-se uma aposta certeira.

Da poesia de Chico César fica aqui este

Mulher eu sei


Eu sei como pisar
No coração de uma mulher

Já fui mulher eu sei
Já fui mulher eu sei

Para pisar no coração de uma mulher
Basta calçar um coturno
Com os pés de anjo nocturno

Para pisar no coração de uma mulher
Sapatilhas de arame
O ballet belo infame

Para pisar no coração de uma mulher
Alpercatas de aço
O amoroso cangaço

Para pisar no coração de uma mulher
Pés descalços sem pele
Um passo que a revele

Treta de terra

Quando, ao fim da tarde, passeava os meus cães, dei comigo a pensar no que esta terra evoluiu. Podendo parecer que não, como propalam os profetas da desgraça, os fanáticos e os ressaibiados, a verdade é que progredimos de uma forma que não permite comparações com um passado de há meia dúzia de anos.
Por aqui, como ao nível do País, estão, aqueles infelizes, ainda imbuídos dos paradigmas do século passado. Pararam no tempo. Continuam à espera de "obras". Não se deram conta que a maior parte das infraestruturas, das obras estruturantes, estão feitas. Não se deram conta que as que ainda resta concluir se contam pelos dedos de uma mão. Não se deram conta que a essência da acção das Câmaras - que continua a ser a melhoria das condições de vida das pessoas - se centra, agora, em outras prioridades. Educação, cultura, desporto, tempos livres, 1ª infância e 3ª idade, são algumas dessas prioridades. Já antes o eram, mas de uma forma indirecta. Eram-no na medida em que beneficiavam da infraestruturação. Hoje, são-no, directamente, através da dinamização de actividades específicas e do apoio às colectividades. Hoje, sem fazer "obras", trabalha-se, ainda mais, para as pessoas.
Este fim-de-semana, nestas Terras de Azurara, pôde testemunhar-se o que afirmo:

No Sábado - Concerto do Chico César;
No Domingo - Aniversário do MotoClube
e
- Street Karting no centro da cidade.

Claro que, não se passa nada...

16 de outubro de 2004

Direitos e Deveres

Na página 14 da Única de 9 de Outubro de 2004 (separata do Expresso), Inês Pedrosa, denotando uma preocupante superficialidade na análise do problema, “atira-se” às Comissões de Protecção de Crianças e Jovens. Trata-se do caso da Joana – aquela miúda de 8 anos, de Figueira, Portimão, desaparecida há cerca de um mês, presumivelmente assassinada.
Insurge-se, a autora, contra o facto das psicólogas da Comissão (de Portimão) terem pedido autorização aos pais (há tempos), para intervirem junto da família averiguando da veracidade de uma denúncia de maus-tratos.
Bem teria feito Inês Pedrosa se tivesse aprofundado o estudo desta matéria antes de se pôr a “dar palpites”. Se o tivesse feito, teria aprendido que as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens funcionam de acordo com o Regulamento aprovado pela Lei N.º 147/99 de 1 de Setembro. E, fazendo-o, não teria de gastar muito tempo para chegar ao articulado seguinte:


Artigo 7.º
Intervenção de entidades com competência em matéria de infância e juventude

A intervenção das entidades com competência em matéria de infância e juventude é efectuada de modo consensual com os pais, representantes legais ou com quem tenha a guarda de facto da criança ou do jovem, consoante o caso, de acordo com os princípios e nos termos do presente diploma.

Artigo 8.º
Intervenção das comissões de protecção de crianças e jovens

A intervenção das comissões de protecção de crianças e jovens tem lugar quando não seja possível às entidades referidas no artigo anterior actuar de forma adequada e suficiente a remover o perigo em que se encontram.

Artigo 9.º
Consentimento

A intervenção das comissões de protecção das crianças e jovens depende do consentimento expresso dos seus pais, do representante legal ou da pessoa que tenha a guarda de facto, consoante o caso.

Artigo 10.º
Não oposição da criança e do jovem

1 — A intervenção das entidades referidas nos artigos 7.º e 8.º depende da não oposição da criança ou do jovem com idade igual ou superior a 12 anos.
2 — A oposição da criança com idade inferior a 12 anos é considerada relevante de acordo com a sua capacidade para compreender o sentido da intervenção.


Importa referir que, na falta de consentimento, resta à CPCJ a comunicação ao Tribunal, ao que se segue a tramitação processual a que a justiça em Portugal nos habituou…

Nos últimos tempos, muito têm sido criticadas as CPCJ’s pela ineficácia da sua acção. Concordo, genericamente, com a acusação de ineficácia. Só que ela não decorre da falta de empenhamento, ou de competência, dos seus membros. Deriva, isso sim, do facto deste ser um País em que os deveres (do cidadão) são sistematicamente subalternizados relativamente aos direitos individuais.

Assim, podem as crianças continuar a ser negligenciadas, espancadas, violadas e até assassinadas, na esperança de que a Justiça se venha a fazer “pos-facto” e de que algum comentador venha a zurzir a respectiva CPCJ.

14 de outubro de 2004

Convicções

O meu amigo mocho desafiou-me a fazer o teste da Bússola Política do Público.
Quase em simultâneo, a dona blueshell atazanou-me com as minhas convicções profundas.
Não resisti e fui fazer o teste.
Aqui fica o resultado.


Quatro seguidas! Safa!

Estou mesmo estafado.
Já é com muito dificuldade que dou quatro (horas de aula) seguidas. Adultos e, pior ainda, professores. Safa. Falta de treino e velhice, é o que é.
Resta-me o conforto de, apesar de bem mais jovens, eles terem ficado tão "rotos" como eu.
Por hoje chega.

12 de outubro de 2004

Contradição!

O Primeiro Ministro de Portugal contradisse o Ministro das Finanças! Credo!
Este tinha dito que a revisão do IRS se faria, como durante os ÚLTIMOS governos, através do ajustamento dos escalões. Aquele veio dizer que haveria diminuição das próprias taxas. Crime!
Onde é que já se viu um Primeiro Ministro desdizer um Ministro? Só mesmo nesta "democracia podre".
Para agravar, desdisse-o quando o Orçamento para 2005 já estava pronto. Ainda se fosse numa fase de ultimação. Mas não!
E não ficou por aqui.
Para cúmulo, além da baixa do IRS, veio falar no aumento dos vencimentos de todos os funcionários públicos e no aumento das pensões de reforma, o qual, pasme-se, poderá ir a 9% nos casos das pensões mais baixas.

Pois é. Falou mas não disse nada. Só contradisse.

Ao que descemos!


Medo!

Deve ter-se passado algo de muito grave. Deve ter sido uma enormidade. E, ao que parece, deve estar para continuar e para se tornar ainda mais monstruoso. Provavelmente por ter estado a trabalhar (esta mania de trabalhar ainda me há-de matar) não me apercebi de nada.
Contudo, neste bocadinho de lazer, enquanto dava uma voltinha pelos blogs, constatei que, realmente, algo de muito grave de ter acontecido. Ainda não sei o que foi. Mataram pessoas? Prenderam? Deportaram?
Ouvi qualquer coisa assim mas fiquei com a ideia que tinha sido algures em África, salvo erro na Guiné.
Mas não deve ter sido por isso que a minha amiga whiteball está transida de medo.
Nem deve ter sido por isso que o companheiro - eles são casados, mas "companheiro" é mais "lefty" - o meu grande amigo mocho, está a reclamar outro 25 de Abril.

Ao que nós descemos!

10 de outubro de 2004

Democracia!!

Hoje li aqui uma dúvida quanto a vivermos em Democracia.
Já ouvia essa dúvida muitas mais vezes em múltiplos contextos.
Por "dá cá aquela palha", é vulgar ouvir-se bradar que "a democracia está em perigo".
Que me lembre, e já lá vai quase meio século, só senti (eu) a democracia em perigo durante aquela época frenética do PREC. (eh lá que esta é forte!)
Será que sou eu que não "sinto"?
Será que deveria "reeducar" os meus cinco sentidos para sentirem os ataques à democracia?
Por outro lado, aqui há uns tempos ouvi um líder parlamentar conjecturar sobre se a Coreia do Norte não seria uma Democracia.
Será a Democracia definível em termos objectivos?

9 de outubro de 2004

Tudo está a correr bem

Andam eufóricos os socialistas.
Tudo parece correr-lhes de feição.
Primeiro, conseguiram livrar-se dos esquerdistas.
Depois, tiveram as benesses,
de um ministro desastrado;
da excelente performance de um político, comentador, e também, actor;
dos tiros fratricidas dos ressaibiados;
de um Presidente inseguro roído pelo remorso;
e até de um candidato a ex-futuro Presidente da Répública.

Andam tão eufóricos que até já antevêem um cenário com dois candidatos da não-esquerda, caso em que já conseguem projectar a vitória da "paixão pelo diálogo".

Será?



8 de outubro de 2004

Nobre terra hospitaleira

Não tenho a certeza de conseguir manter um blog.
Temo que, quando tenha tempo para o actualizar, me dê aquela gana de escrever só coisas inconfessáveis e politicamente incorrectas.
Vamos ver!
Azurara, as suas escolas e "politics" serão os temas.